Criação de novas instituições desacelera no País

Abertura de universidades e faculdades oscila 0,5% entre 2006 e 2007, após 10 anos de expansão do setor

Lisandra Paraguassú e Renata Cafardo, de O Estado de S. Paulo,

02 de fevereiro de 2009 | 23h42

A abertura de novas instituições de ensino superior, principalmente particulares, desacelerou depois de dez anos de expansão do setor no País. Segundo dados do Censo da Educação Superior 2007, divulgados ontem, houve uma oscilação de 0,5% em relação ao ano anterior. Da mesma forma, o ritmo de abertura de cursos de graduação presenciais nas instituições também caiu – houve um crescimento de 6,2% entre 2006 e 2007, mas já chegou a ser de 14% entre 2002 e 2003.  Veja também: Íntegra do censo da educação superior Ranking de faculdades e universidades Blog de Renata Cafardo O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pelo censo, também informou que o levantamento vai mudar a partir deste ano. Segundo o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, as instituições agora terão de registrar seus dados – número de alunos e de professores – com nome, sobrenome e um documento. Até hoje, elas mandavam apenas a quantidade de estudantes e docentes, sem necessidade de comprovação. "Os números vão ficar bem mais precisos. Hoje a instituição diz que tem três alunos, por exemplo, e não há como checar", diz Fernandes. O sistema será o mesmo que já está sendo usado no Censo da Educação Básica, chamado de Educacenso. Todos os dados são enviados pela internet.  Sobre o ritmo de diminuição, o Inep não apontou uma causa. Desde 1994, o número de instituições – assim como o de cursos – vem crescendo aceleradamente. A única exceção foi 1997, ano em que o Ministério da Educação, pela primeira vez, modificou as regras de credenciamento e autorização de funcionamento das instituições e o número caiu 2,7%. Também o ritmo de novos ingressos nas faculdades privadas caiu. Entre 2002 e 2003, o aumento de vagas foi de 7,7%; entre 2006 e 2007, de apenas 2,8%. Já nas universidades federais, a matrícula cresceu 6,8% no último ano registrado pelo censo, apesar de ter sido criada apenas uma instituição naquele ano – a maior parte das novas federais, criadas no atual governo, entrou em funcionamento em 2004 e 2006. Uma das maiores novidades do censo – que apresenta dados de 2007, mas foi coletado em 2008 – é o crescimento considerável dos cursos de graduação a distância e dos tecnológicos. As graduações a distância, que em 2002 eram apenas 46 em todo o País, alcançaram 408 em 2007. De 20,7 mil alunos, passou a 302,5 mil pessoas atendidas. "Hoje 7% dos ingressantes no ensino superior estão no ensino a distância. Já não é um número tão insignificante", diz. "É uma área que estava crescendo rápido demais, a ponto de a Secretaria de Ensino a Distância ter resolvido intervir."  No final do ano passado, o Ministério da Educação decidiu reduzir o tamanho de quatro instituições de ensino a distância do País por problemas na qualidade do atendimento depois de um processo de supervisão. O próprio Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade), que embasa parte da avaliação dos cursos, deverá passar por modificações para atender a avaliação dos cursos a distância. "No ano que vem já teremos uma boa parte desses cursos com as primeiras turmas de formandos", explica Reynaldo. Os cursos tecnológicos (de menor duração) também tiveram um grande crescimento. De apenas 636 oferecidos em 2002, passaram a 3.702.  Na opinião de especialistas ouvidos pelo Estado, o pequeno crescimento no número de instituições é reflexo da própria autorregulamentação do mercado. "Hoje para cada vaga oferecida há uma não preenchida", afirma o consultor Carlos Monteiro. "O crescimento no número de matrículas também foi um dos menores já registrados. Isso só vai mudar se forem criados mais mecanismos de financiamento, pois o motor desse mercado é a classe C e não as classes A e B." Para o presidente do sindicato das mantenedoras de estabelecimentos de ensino superior de São Paulo, Hermes Ferreira Figueiredo mesmo se houver um aumento no número de egressos do ensino médio causados pelos esforços de universalizar e tornar obrigatório esse nível de ensino, as instituições já existentes têm capacidade para absorver a demanda. "Nem todos que se formam têm condições de acessar a educação privada."  (Colaborou Karina Toledo) 

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