Cresce a procura por cursos de inglês na África do Sul

Nem o racismo ou a insegurança do terceiro mundo impediram Fernanda Bereki e Belisa Zerbetto de conhecer a África do Sul. Até porque a semelhança com o Brasil pára por aí. Safáris, praias quase intocadas (e desertas), culinária exótica, câmbio favorável e poucos brasileiros por perto foram alguns dos motivos para a escolha delas pelo país.Sem nunca terem viajado para o exterior antes, a experiência de estudar inglês na África superou todas as expectativas e a tendência é que outros estudantes comecem a olhar o continente com outros olhos.A procura por cursos de inglês na África do Sul começou timidamente no final da década de 1990, junto com a Austrália e a Nova Zelândia. Nos últimos anos, porém, a curiosidade dos brasileiros surpreendeu os agentes de intercâmbio, chegando a ser o sétimo destino mais desejado no Salão do Estudante deste ano, ocorrido em março, deixando para trás países como Alemanha e França.EnsinoQuem foi para lá garante que a qualidade do ensino do inglês mantém o padrão da Inglaterra e da Austrália. O que faz a diferença entre escolher entre um país ou outro é a cultura local e as atividades extras, como passeios históricos, trilhas, escaladas em montanhas, canoagem e safáris.Quando saiu do Brasil, Fernanda Bereki já falava inglês, mas não tinha prática oral. Ela passou quatro semanas estudando o idioma na cidade de Cape Town, em maio de 2005, e ficou satisfeita com a qualidade e a dinâmica do curso. Mas alerta que só a sala de aula não é suficiente. "O meu aprendizado foi maior porque não parava em casa. Estava sempre ligada nos outdoors, conversas, passeios acompanhados por guias".A diferença entre a cultura brasileira e a sul-africana assustou Fernanda logo no início: "Tinha medo de assistir à televisão, porque não entendia nada. Imagina um âncora de telejornal passando um monte de informações. Comecei a ver programas de jogos, documentários. Fiquei mais segura e me soltei. Na última semana de curso, falava tudo e compreendia melhor."Longe do Brasil e de alguém que falasse português, a absorção ficou mais fácil. "Na escola onde estudei, havia apenas cinco brasileiros entre os 50 alunos. Cerca de 90% dos intercambistas da África do Sul são alemães, suíços ou orientais". Racismo e violênciaO racismo foi o primeiro choque. "Nas estações de metrô e ônibus a diferenciação é natural. Brancos andam com brancos e negros com negros. Quando estive perto de um grupo de negros, eles me olharam com cara feia", conta Fernanda. Segundo os relatos da família que a recebeu, a discriminação ainda é forte, mas já foi bem pior. Tempos atrás havia banheiros exclusivos para um e outro.Assim como no Brasil, andar sozinho na rua à noite ou carregar máquina fotográfica à vista não são atitudes recomendáveis, por causa da violência. "Me deliciei quando fiz um city tour naqueles ônibus de dois andares. Pude fotografar todo o centro histórico sem risco." Cultura e belezas naturaisAntes de bater o martelo e decidir pela África do Sul, Fernanda cogitou a possibilidade de ir para o Canadá por causa da segurança e do desenvolvimento do país. As belezas naturais da África, entretanto, foram decisivas.Chegando lá, ela fez um safári, saltou de bungee jump, mergulhou com um tubarão e conheceu a ilha onde Nelson Mandella ficou 17 anos preso, Robben Island (confira dicas de roteiro no link ao lado).Belisa Zerbetto está em East London, uma cidade costeira do Oeste do país, cursando o último ano do colegial, pelo programa High School, da ONG Rotary. "Fugi dos destinos mais comuns e escolhi a África do Sul por ter uma cultura curiosa e pouco conhecida pelo mundo", explica.Até janeiro de 2007, ela será hospedada por quatro famílias diferentes. Por enquanto, está aprendendo como funciona o preconceito entre as etnias, já constatou que a corrupção é parecida com a do Brasil e se surpreende diariamente com as paisagens deslumbrantes e a história do país. "A cidade onde estou foi colonizada principalmente por ingleses, afrikaans (descendentes de holandeses) e xhosa (uma das etnias negras). Mas encontro muitos alemães e indianos". O país tem 11 línguas oficiais, entre elas o inglês e as variações africanas.Custo de vidaO câmbio na África do Sul também é favorável: R$ 1 equivale a 2,89 rands e os preços do dia-a-dia são bem acessíveis aos bolsos brasileiros.Segundo Marcelo Matos, diretor de marketing da New Experience Intercâmbio Cultural, pegar um ônibus na cidade custa R 3 (R$ 1,05), o ingresso do cinema sai a R 30 (R$ 10,50), a garrafa de cerveja nos bares é servida a R 8 (R$ 2,80) e o jantar em um restaurante por menos de R 80 (R$ 28). Para os estudantes que preferem um lanche rápido, hambúrguer com batata-frita sai por R 25 (R$ 8,75), o mesmo valor da pizza.No supermercado, um pacote de 250g de café é encontrado por R 30 (R$ 10,50), o litro de leite e o pacote de pão por R 4 (R$ 1,40), chocolate a R 5 (R$ 1,75) e a garrafa de vinho a R 20 (R$ 7).Visto e viagemNa África do Sul, o visto só é necessário para uma permanência superior a 90 dias. Segundo Edna Oliveira, do consulado do país em São Paulo, os cursos mais procurados são os de quatro a oito semanas, realizados nos meses de janeiro a fevereiro e junho a julho.A emissão do visto demora entre cinco e dez dias e custa R$ 189. Os documentos necessários para solicitar a permissão dependem do perfil do estudante (ver link do consulado), mas alguns são obrigatórios: passaporte válido, carta oficial da escola, carta de vacina contra febre amarela, atestado médico, prova de fundos econômicos, entre outros.A passagem de ida e volta fica em torno de US$ 1.000 e os vôos saem de São Paulo três vezes por semana. A companhia aérea responsável pelo itinerário é a South African Airways e o custo dos pacotes com curso, hospedagem e alimentação varia entre as agências especializadas. Numa das maiores de São Paulo, os preços ficariam assim:Escola Good Hope Cidade: Cape Town Curso de quatro semanas: 20 horas semanais Acomodação em casa de família: quarto individual, com café da manhã mais almoço ou jantar. Valor: US$ 1.540,00 Passagens aéreas: US$ 877 - (sem as taxas) Acesse os links:Consulado da África do Sul em São Paulo http://www.africadosulemb.org.br/Salão do Estudante http://www.salaodoestudante.com.br/salao2006/index.htmBelta Reúne as principais instituições brasileiras que trabalham nas áreas de cursos, estágios e intercâmbio no exteriorhttp://www.belta.org.br/default.asp

Agencia Estado,

30 de abril de 2006 | 11h47

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