Cremesp critica decisão do MEC de autorizar 3 cursos

'Não há justificativa técnica ou social' para autorizar novas faculdades, diz presidente do conselho

Cedê Silva, Especial para o Estadão.edu

23 Novembro 2011 | 21h29

Uma notícia publicada no site do Ministério da Educação na sexta-feira, 18, informa sobre a redução de vagas em 16 cursos de Medicina mal avaliados pela instituição, mas não conta a história toda. Na mesma sexta-feira em que divulgou no Diário Oficial da União a extinção das 514 vagas, o MEC autorizou a criação de três cursos de Medicina - em Barretos, Franca e São Paulo - totalizando 220 vagas.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) divulgou nota na terça-feira, 22, criticando o ministério. Para o presidente do órgão, Renato Azevedo, "o MEC anunciou com uma mão e tirou com a outra". Segundo ele, "não há justificativa técnica ou social" para autorizar novas faculdades de Medicina no Estado. "Tem escola por aí cobrando quase R$ 6 mil de mensalidade, sem ter hospital-escola e sem professores qualificados. Isso resulta formação de má qualidade, como mostrado pela nossa prova."

O Cremesp realiza um exame para avaliar o desempenho dos estudantes de sexto ano das escolas médicas paulistas. Na edição de 2011, realizada no mês passado, o índice de reprovação foi de 46% dos 418 candidatos (115 inscritos não compareceram ao exame). O menor porcentual de reprovados ocorreu no ano de criação da prova, 2005: foi de 32%.

O último exame teve uma única etapa - uma prova objetiva de 120 questões distribuídas em nove áreas. Para ser aprovado, o candidato precisa acertar 60% das questões. A prova, porém, não é requisito para exercer a profissão, caso do exame da OAB.

Na opinião de Azevedo, "o MEC cedeu ao lobby das faculdades particulares para abrir esses cursos novos". Segundo ele, a autorização para abrir essas escolas "tinha sido negada no passado, mas vem aí um ano eleitoral."

Em nota, o secretário de Regulação e Supervisão do Ensino Superior do MEC, Luis Massonetto, que assina as autorizações publicadas no Diário Oficial, informou que "as decisões do Ministério da Educação são baseadas nas avaliações realizadas na forma da legislação. Todos os cursos autorizados pelo MEC obtiveram nota máxima (5) na avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e parecer favorável do Conselho Nacional de Saúde (CNS)”.

Segundo dados da OMS, o Brasil tem 1,72 médico por mil  habitantes (são cerca de 325 mil médicos). O índice é maior que os do Chile ou do Bahrein, mas menor que os da Romênia, Sérvia e Egito. Nos Estados Unidos, são 2,67 médicos para cada mil habitantes. Para chegar a essa mesma taxa, o Brasil teria que formar mais 180 mil médicos. 

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