Cota social não livra candidato de vestibular, diz Tarso

O ministro da Educação, Tarso Genro, garantiu que a reserva de vagas nas universidades federais para candidatos da escola pública não elimina o vestibular para eles. "Não tem nenhuma relação entre o nível da universidade e este projeto", disse ele, referindo-se às medidas que o governo pretende implementar no ensino superior, que incluem a cota social.Tarso disse que o projeto de lei do Programa Universidade para Todos (Prouni) está pronto para ser enviado ao Congresso. Ele não explicou qual parcela das vagas reservadas aos candidatos de escolas públicas será destinada a afrodescendentes e indígenas, na cota racial.Mudança de modeloO ministro disse que a proposta para as federais "muda radicalmente" o modelo de ensino superior no País. "Pela primeira vez na história do País, o processo de ensino se volta para a parcela da população de renda mais baixa", afirmou. Ele disse que a classe média-alta e os ricos do País não somam mais de 3% a 4% da população.Para Tarso, o projeto valoriza a escola pública e protege as camadas populares. "É um processo de valorização da escola pública e de um espaço onde está a ampla maioria dos estudantes de média-baixa, baixa e baixíssima renda. E acho que não há nenhum prejuízo para ninguém, porque fica um enorme número de vagas disponíveis para a disputa universal", disse.Apoio e críticasO presidente da União Nacional dos Estudantes, Gustavo Petta, elogiou a proposta do governo. "A UNE sempre defendeu essa medida", disse.Para a presidente da comissão de estágio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), Ivete Senise Ferreira, "o projeto fere a autonomia das universidades e não leva em conta as diferenças entre elas". A reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ana Lúcia Gazzola, também lembrou a questão da autonomia, mas elogiou o fato de o presidente ter proposto um projeto de lei, que terá de ser votado no Congresso antes de entrar em vigor.O ministro acha que as críticas são naturais. ?A proposta está de acordo com as políticas afirmativas", disse. ?O governo não teme o debate. Quando não há reação de privilegiados e poderosos é porque não há política afirmativa."

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