Coronel Telhada ameaça prender estudante que protesta contra Máfia da Merenda

'O que você está pensando, que está falando com um moleque? Eu sou deputado!', afirma o deputado estadual do PSDB que passava pelo corredor da Alesp

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

05 Maio 2016 | 07h41

SÃO PAULO - Em 24 horas, o vídeo do deputado Coronel Telhada (PSDB) dando voz de prisão a uma jovem que invadiu o plenário da Assembleia Legislativa teve mais de 2,2 milhões de visualizações e 30 mil compartilhamentos nas redes sociais.

Karoline Rocha, estudante de Jornalismo, disse nunca ter esperado que alguém fosse tentar prendê-la nem que teria tanto orgulho de si se isso acontecesse.

“Ele tem esse comportamento exaltado, quer amedrontar e intimidar e comigo não funcionou. Eu estou empoderada, sabia que não estava fazendo nada errado e argumentei. O deputado não está acostumado a discutir com argumentos e ficou sem reação”, disse a jovem. 

O vídeo mostra Telhada dizendo que vai prender Karoline, quando ela o questiona. “Vai me prender por quê? Por pedir uma CPI legítima?”

Em seguida o deputado responde: “É por isso mesmo”. Para Karoline, “os políticos ainda não perceberam que o autoritarismo não funciona com os estudantes”. “Ele ficou assustado ao ver que a intimidação não funcionou comigo e não vai funcionar com nenhum aluno. Vamos lutar por nossos direitos.”

Depois da discussão com o deputado, a jovem não pôde mais voltar à invasão, mas disse que continua lutando pela instauração da CPI da Merenda. “Estou muito confiante, a CPI parecia impossível há uns meses e agora não é mais. Para os estudantes, nada é impossível. No ano passado, conseguimos que o governador Geraldo Alckmin recuasse da reorganização e agora teremos a CPI.” 

Nesta quinta, Telhada divulgou uma resposta ao vídeo nas redes sociais. “Tenho 37 anos de serviço e 54 anos de idade combatendo o crime e não é qualquer comedor de sanduíche de mortadela, (que está aqui) por causa de R$ 30, que vai me chamar de ladrão. Eu não aceito isso, dei voz de prisão.”

‘Inútil’. Segundo ele, a jovem o teria chamado de “ladrão” e “fascista”. Telhada disse que não vai assinar a CPI porque seria “um trabalho inútil”, uma vez que a Polícia Civil e o Ministério Público estão apurando o caso. Um dos investigados na Operação Alba Branca, que apura desvio de verbas em contratos da merenda escolar no governo Alckmin, é o presidente da Assembleia, Fernando Capez, do mesmo partido de Telhada.

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