Copa e economia são atrativos para estrangeiro que vem aprender Português no Brasil

Além de aprender a língua e ter contato com a cultura, universitários de fora também buscam acesso ao mercado de trabalho

Guilherme Soares Dias/Especial para o Estado,

30 Janeiro 2014 | 01h00

"‘Sim, eu gosto do Brasil’ é a resposta para qual pergunta?", questiona a professora em uma sala com alunos de olhos atentos, sotaques distintos e algo em comum: a intenção de aprender uma nova língua e conhecer uma cultura diferente. O turismo, o momento econômico, a receptividade do povo e até a Copa do Mundo são apontados como atrativos pelos universitários estrangeiros que vêm para o País fazer intercâmbio e aprender português.

"Nunca tinha estudado a língua. Escolhi o Brasil por ser um país que cresce e ganha importância mundial, além de viver a Copa", conta a estudante francesa Juline Lesage, de 22 anos, que chegou ao País em dezembro e começou a frequentar as aulas na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) no dia 13 de janeiro.

Para os franceses, a maior dificuldade são os sons nasalados. "Questão" e "então" saem cambaleantes nas primeiras vezes. "As palavras são parecidas, mas o acento é diferente", explica Juline.

Na sala dos alunos que falam espanhol, as palavras em português saem com mais facilidade, mas eles também têm empecilhos. "Entendo e falo bem o ‘portunhol’, mas é difícil passar a falar o português", diz a economista colombiana Andrea Uribe, de 28 anos.

Para os iniciantes, as aulas têm a maior parte dos comandos em inglês. Além de perguntas e respostas, eles aprendem conjugações verbais.

Mercado. Além de aprender a língua de Camões e ter contato com a cultura, os estrangeiros também buscam acesso ao mercado de trabalho.

O italiano Paolo Galeotti, de 23 anos, diz que veio para o Brasil por causa do crescimento econômico e das belas praias. "Estou animado com a experiência", conta o estudante de Engenharia de Produção, que passou um semestre na Fundação Armando Álvares Penteado e está voltando para a Itália para terminar o mestrado. "Pretendo retornar para trabalhar. Aqui, tenho quase garantia de emprego e na Itália isso é mais difícil."

A professora Maria Elizabeth Salum, que coordena os cursos de verão de Português na Universidade de São Paulo (USP), diz que "muitos vêm com a intenção de migrar e outros acabam sendo conquistados". "Eles aprendem rápido. É um mito dizer que o português é uma língua difícil."

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