NILTON FUKUDA/ESTADAO
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Cooperação é chave para pensar sobre questões globais

Reitores da USP ressaltam importância do intercâmbio de experiências, seja na gestão ou em trabalhos acadêmicos

O Estado de S. Paulo

16 Março 2016 | 03h00

Para a universidade olhar para o futuro, é preciso olhar para os seus pares lá fora. A chamada internacionalização, considerada uma estratégia fundamental para planejar as instituições de ensino superior para as próximas décadas, parece remeter ao passado. Em sua criação, a USP recorreu ao modelo universitário francês, trazendo professores de lá para suas salas de aula. Hoje, no entanto, a ideia é de compartilhar experiências, erros e acertos, e buscar conjuntamente resolver problemas que atingem, em maior ou menor grau, universidades em todo o mundo.

“Os desafios que temos na Alemanha são bastante semelhantes aos de todas as universidades modernas e isso é resultado da globalização”, afirma Jan-Hendrik Olbertz, reitor da Universidade Humboldt de Berlim. “E alguns problemas atuais que precisamos resolver pela ciência são tão complexos que não é mais possível resolver por uma nação ou uma instituição ou mesmo por uma disciplina. Por isso, precisamos de cooperação internacional.”

Foto: Segundo Olbertz, alguns problemas são tão complexos que exigem esforço de mais de um país ou universidade

Para ele, entre os desafios estão o financiamento – como balancear verba pública e privada – e como manter a excelência. “Um dos pontos principais é a contradição entre ensino e pesquisa. Como garantir que os alunos vão participar de pesquisa de alto nível?” O alto índice de heterogeneidade que se tem na universidade também requer atenção especial na hora de planejar o futuro.

"Precisamos de algumas ideias para inclusão social, para deixar as portas abertas para pessoas jovens, que não deveriam depender do suporte econômico de seus pais para estudar.” 

Reitor da Universidade Jean Moulin Lyon 3, Jacques Comby concorda que, em muitos assuntos, as perguntas são mesmas em várias partes do mundo. Ele observa, no entanto, que as respostas às vezes têm de ser diferentes, levando em conta as características do país ou da região. “Muitas respostas precisam ser locais, por causa do contexto social, econômico ou político”, afirma Comby. “E a universidade é o melhor lugar para se obter essas respostas, baseadas em conhecimento.” 

No Brasil, a USP defende a internacionalização para criar um ambiente sem fronteiras ou bandeiras. “Nós queremos que nossos câmpus sejam verdadeiramente internacionais, em parceria não só com ambientes mais consolidados, mas também com os menos consolidados”, explica Raul Machado Neto, presidente da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional. “Nós mandamos e recebemos estudantes. Também enviamos professores e estabelecemos grupos de pesquisa.” 

Foto: Em momento de crescimento econômico baixo, Nelida sugere união das instituições de ensino superior

América Latina. Uma das iniciativas é fazer parcerias dentro da América Latina. Em 2014, por exemplo, a USP criou com a Universidade de Buenos Aires (UBA) e a Universidade Autônoma do México a Aliança Acadêmica Latino Americana. “A região está em um momento difícil de crescimento. Por isso é fundamental fazer alianças entre as universidades. De todo tipo: de inovação pedagógica, para novas tecnologias da informação, para a avaliação das carreiras. E isso traz uma situação de esperança não só para os universitários, mas para a região”, diz Nelida Cervoni, vice-reitora da UBA.

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