Leonardo Soares/AE
Leonardo Soares/AE

Contrato de reitor acirra crise no Largo São Francisco

Acordo prevê batismo de auditório com nome de banqueiro em troca de doação de recursos para reforma

Carolina Stanisci e Paulo Saldaña, Especial para o Estado

13 de maio de 2010 | 10h31

Contrato firmado pelo reitor da USP, João Grandino Rodas, em 2009 – quando era diretor da Faculdade de Direito do Largo São Francisco –, acirrou a crise da unidade que começou com a transferência da biblioteca dos alunos para um prédio anexo. A polêmica agora gira em torno de um auditório e uma sala batizados com o nome dos doadores dos recursos para as reformas.

 

O documento, obtido pelo Estado, foi assinado em abril de 2009 entre a direção da São Francisco e os herdeiros do banqueiro Pedro Conde, ex-aluno da faculdade e antigo proprietário do Banco BCN. No texto, foi vinculada a doação de verba para a construção de um auditório para 90 pessoas no prédio principal ao batismo da sala com o nome de Conde. Pela tradição, as salas da São Francisco recebem nomes de professores da casa.

 

A sala está pronta, mas alunos cobrem com pano a placa com o nome do banqueiro. “É uma aberração. Pedro Conde sequer seguiu a carreira jurídica”, disse George Michel, aluno do 2.º ano.

 

Além do auditório, outra sala foi reformada e também ganhou o nome do doador – o do advogado Pinheiro Neto, ex-aluno e dono de um dos maiores escritórios de advocacia do País. “Não sabíamos da existência desse documento. Votamos pela legalidade na sala na reunião, mas agora tudo muda de figura”, disse o professor Eduardo Marchi, ex-diretor da unidade.

 

“Somos contra a nomeação. Isso mostra uma decisão autoritária”, disse Guilherme Siqueira, do Centro Acadêmico XI de Agosto. Para o presidente da Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da USP, José Carlos Madia de Souza, não há problemas no uso do nome. “Eram salas que não existiam antes, então ninguém perdeu a homenagem. E as salas são de um padrão altíssimo, têm teleconferência, ar condicionado, telões.”

 

Alunos protestaram ontem na faculdade por mais autonomia na unidade. Segundo eles, o atual diretor, Antonio Gomes Magalhães, teria sido pressionado pelo reitor para não tirar os livros do anexo. Procurado, o reitor informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não se pronunciaria sobre o tema.

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