Isabela Palhares/Estadão
Isabela Palhares/Estadão

Contra reorganização, alunos ocupam terceira escola em São Paulo

Grupo entrou em colégio estadual na zona leste de São Paulo que será fechado após a implantação das mudanças na rede de ensino

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

12 Novembro 2015 | 11h11

Atualizado às 12h40

SÃO PAULO - Um grupo de alunos ocupou a Escola Estadual Salvador Allende Gossens, em José Bonifácio, na zona leste da capital paulista, no início da manhã desta quinta-feira, 12. A escola é uma das 94 que vão fechar com a reorganização escolar, promovida por Geraldo Alckmin (PSDB). É também a terceira escola ocupada nesta semana em protesto contra a medida.

De acordo com os manifestantes,  cerca de 100 alunos estão dentro da escola. Eles chegaram ao local por volta das 5h30 e impediram a entrada de professores e funcionários. 

Na segunda-feira, 9, estudantes ocuparam a Escola Estadual Diadema, no centro da cidade do ABC paulista. Já na terça-feira, 8, foi a vez da Escola Estadual Fernão Dias Paes, em Pinheiros, na zona oeste da capital.

Em nota, a Diretoria de Ensino lamentou a ocupação da Salvador Allende e informou que a Polícia Militar está no local para "garantir o controle da situação e a integridade de alunos e professores". Segundo a diretoria, um boletim de ocorrência está sendo registrado pela direção da escola e o Conselho Tutelar foi acionado.

"A diretoria reitera que considera as manifestações legítimas, desde que não desrespeitem a lei e o direito de estudar dos alunos", declarou a nota.

A Salvador Allende atende os ensinos fundamental 2 e médio e tem apenas 26% de sua capacidade. De acordo com a diretoria, os estudantes do ensino médio e 8º e 9º anos do fundamental serão transferidos para a Escola Estadual Professor Francisco de Assis Pires Corrêa, que fica a 1,3 quilômetro. Já os alunos do 7º ano do fundamental serão transferidos para a Escola Estadual Professora Maria de Lourdes Aranha de Assis Pacheco, a 1,1 quilômetro.

"Ambas têm capacidade para absorver toda a demanda. O prédio será disponibilizado, mas continuará servindo à educação, podendo ser utilizado como creche, escola municipal ou de ensino técnico", disse a nota. "Todas as providências estão sendo tomadas e a administração regional permanece à disposição para mais esclarecimentos."

Pinheiros. A Secretaria de Educação propôs aos alunos que ocupam a escola Fernão Dias Paes há 54 horas para que fossem até o prédio da pasta, na Praça da República, na região central da capital, para falar com o secretário Herman Voorwald e apresentar a suas reivindicações.

A secretaria colocou um ônibus à disposição dos alunos para que fossem até a secretaria. Eles têm até as 14h para decidir se aprovam a proposta.

No entanto, os alunos já se posicionaram contrários e disseram que não sairão da escola. Eles pedem que Herman venha até a escola para conversar com eles. 

Heudes Cássio Oliveira, de 18 anos, aluno do 3º ano da Fernão Dias Paes, disse que o governo não está aberto a negociar com os alunos.

"O secretário nos chamou para uma reunião,  mas é uma clara tentativa de nos tirar da ocupação.  A todo momento ele (Voorwald) negocia nossa saída e não nossa demanda", afirmou o estudante. "A gente é contra a reorganização escolar em todo o Estado.  Se o secretário não vier até aqui, é ele quem está negando diálogo."

Depois de dois dias de tensão, com confusão entre a Polícia Militar e alunos e manifestantes, nesta quinta-feira a situação é tranquila na frente da escola. O Estado entrou com um pedido judicial para a reintegração do prédio,  mas ainda não há um retorno do Judiciário.

Confusão. Na Fernão Dias, a Polícia Militar jogou, na manhã desta quarta-feira, 11, spray de pimenta em duas adolescentes que protestavam.

O professor de Geografia José Roberto Guido, diretor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), o principal da rede, foi detido após confusão com a PM. Ele é acusado de desacato.

Alguns alunos negociavam com policiais a saída da escola e Guido teria dito aos policiais para que não pegassem os dados dos alunos, como nome e identidade. Nesse momento, um policial deteve o professor e o agrediu com cassetete. Os manifestantes correram para acudir o professor e gritavam "sem violência" para os policiais.  O professor foi levado para o 14º Distrito Policial (Pinheiros).

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