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Contra ocupações, governo aposta em esvaziamento

Ao cancelar o pagamento de bônus aos profissionais das escolas, Alckmin cria pressão com potencial de fragmentar movimento

Luiz Fernando Toledo, Paulo Saldaña e Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2015 | 03h00

A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) garantiu que não vai recuar da política de reorganização, mesmo com protestos, críticas da academia e da falta de discussão antes do anúncio. Depois de perder a batalha contra as ocupações na Justiça, o que impediu reintegrações de posse de unidades, o governo tem adotado a estratégia de minimizar a reprovação às medidas - classificando o movimento como político e desinformado -, além de estimular a oposição nas comunidades escolares.

A mais recente decisão vai nesse sentido. Ao cancelar o pagamento de bônus aos profissionais das escolas invadidas, o governo cria uma pressão com potencial de fragmentar o movimento - dividindo professores e alunos. A perspectiva de repor aulas, o que compromete as férias dos docentes, também afeta essa relação.

A gestão mantém o discurso de que as ocupações são político-partidárias, ressaltando prejuízos à rotina dos alunos sem aula e dos pais, sem ter onde deixar os filhos. Alckmin e o secretário Herman Voorwald ainda têm dito que os manifestantes não entenderam a reforma.

E a tática teve repercussão. Movimentos contrários à tomada das escolas pelos estudantes já ganham adesão, ainda que menos fortes do que os de ocupação. Em algumas unidades, pais se mobilizam para evitar a interrupção das aulas. Estudantes ligados à Juventude do PSDB criaram a página no Facebook “Devolve Minha Escola”, que até esta quinta-feira tinha mais de mil seguidores. A ideia é contrapor páginas como a “Não fechem a minha escola”, com 85,6 mil seguidores.

A secretaria divulga que, pelo diálogo, conseguiu acabar com 38 ocupações. Mas, em uma semana, o número de unidades ocupadas passou de 40 para 174. Com esse ritmo, o fim do ano já surge como esperança do governo para esfriar o movimento.

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