Conselho da USP aprova transferência de hospital de Bauru

Decisão similar sobre o Hospital Universitário foi adiada para que uma comissão analise o impacto da medida

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2014 | 21h06

SÃO PAULO - O Conselho Universitário da USP aprovou nesta terça feira, 26, a transferência do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, o Centrinho, de Bauru, para a Secretaria Estadual de Saúde. Após pressão de vários órgãos da USP, decisão similar sobre o Hospital Universitário (HU), que fica na Cidade Universitária, zona oeste da capital paulista, foi adiada para que uma comissão analise por 30 dias o impacto da medida.

A reunião do Conselho, instância máxima da instituição, foi marcada por manifestação de servidores e alunos, que são contrários à proposta da reitoria. Cerca de 800 manifestantes, segundo os organizadores, participaram do ato. 

Transferir a gestão dos hospitais da universidade foi uma das propostas feitas pelo reitor Marco Antônio Zago par combater a crise financeira vivida pela instituição. Segundo ele, a vinculação das unidades à Secretaria é também uma atualização necessária no modelo. "O que faremos é vincular o hospital à secretaria, que é gestora do SUS (Sistema Único de Saúde). Assim como estão os hospitais das Clínicas de São Paulo e de Ribeirão Preto e também o hospital da Unesp de Botucatu", disse Zago após a reunião. "Não é realista a universidade ter hospitais não integrados. Com a vinculação à secretaria, os estudantes treinam em local real".

O reitor ainda citou que o próprio Ministério da Educação criou a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), que gere as unidades ligadas às universidades federais.

A transferência do HU para a Saúde é dada como certa pelo reitor. O prazo será para mostrar principalmente aos alunos que não haverá prejuízos para o ensino. Cerca de 2,4 mil alunos realizam estudos no HU.

Segundo o médico do HU Gerson Salvador, que é do Sindicato dos Médicos de São Paulo, a transferência tem um grande risco. "A Secretaria vive crise de financiamento, o HU vai ter que disputar orçamento com o resto do Estado. Não se consegue garantir qualidade para os alunos, principalmente", diz ele. 

Com relação ao centrinho, uma comissão vai acompanhar a transferência para a Secretaria. As conversas com a Secretaria de Saúde sobre as mudanças ainda não começaram.

Demissão. Também previsto para ser discutido na reunião desta terça, o Plano de Incentivo à Demissão Voluntária (PDV) só será analisado na próxima terça, em nova reunião do Conselho Universitária. Não houve tempo para votação nesta terça.

Os estudos para o programa têm como base um público-alvo de 2.800 servidores celetistas com idade entre 55 e 67 anos e com, pelo menos, vinte anos de trabalho na USP. Com orçamento previsto de R$ 400 milhões, o PDV deverá indenizar por tempo de serviço e parcela equivalente a 40% do saldo para fins rescisórios do FGTS. "Com o PDV o processo é mais simples. Vamos colocar em votação e o Conselho decide se aceita."

O Sintusp defende que essa é mais uma proposta de sucateamento da Universidade.  "Esses profissionais não serão substituídos. Será o avanço da terceirização", diz Marcelo Pablito, da direção do Sintusp. A manifestação dos funcionários começou em frente à reitoria, seguiu para o prédio de História e depois foi até a porta do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), onde ocorreu a reunião do Conselho. Os servidores estão em greve há mais de três meses, depois que a reitoria não ofereceu proposta de reajuste. O PDV não abrange docentes. 

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