Congresso de educação condena privatização

O primeiro dia de debates do 4.º Congresso da Internacional de Educação, nesta sexta-feira, reafirmou a opção dos 1,4 mil participantes, vinculados a sindicatos de professores de todo o mundo, pela defesa da educação pública, gratuita e garantida pelo Estado. No debate mais concorrido do dia, "A educação: serviço público ou mercadoria", os discursos condenaram toda e qualquer forma de privatização do ensino.Outro grupo de professores discutiu as condições necessárias à educação. Os participantes reconheceram que nos países da América Latina, por políticas oficiais ou pela urbanização acelerada, a presença de crianças nas escolas aumentou significativamente, situação ainda não vivida por muitos países da África e da Ásia."Mas os sistemas de educação não estão aparelhados para atender adequadamente a chegada das classes populares à escola", avalia a presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Juçara Dutra Vieira. Faltam até itens básicos, como livros suficientes nas bibliotecas.Qualificar professorO terceiro tema do dia foi a retenção de docentes qualificados. Os participantes criticaram as escolas públicas que não oferecem condições para os professores atualizarem seus conhecimentos e nem salários que permitam dedicação exclusiva.E acreditam que o educador não pode mais repassar todas as informações. Elas são tantas que não cabem mais na aula. O caminho é criar condições para que o aluno possa fazer suas escolhas."Por isso necessitamos retomar disciplinas como filosofia e sociologia e formar pessoas capazes de formular raciocínios abstratos", comenta Juçara.ResoluçõesOs três temas continuam em discussão neste sábado, quando os participantes formularão as resoluções que serão apresentadas na conclusão do evento, na segunda-feira.Além dos debates, o segundo dia do evento, que começou quinta-feira, serviu para a eleição da nova diretoria da Internacional de Educação, entidade que abriga sindicatos e associações de educadores de todo o mundo.O novo presidente é o sul-africano Thulas Nxesi, que substitui a norte-americana Mary Hatwood Futrell. Juçara Dutra Vieira será a vice-presidente para a América Latina. A gestão da nova diretoria vai até 2007.

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