Márcio Fernandes/AE
Márcio Fernandes/AE

Confronto entre policiais e estudantes na USP deixa um ferido

Três funcionários foram presos, entre eles um dirigente sindical; participam do protesto cerca de 300 alunos

Eduardo Nunomura, de O Estado de S. Paulo,

09 Junho 2009 | 17h58

Policiais militares entraram em choque nesta terça dia 9 com estudantes e funcionários em greve no campus Butantã da Universidade de São Paulo (USP), zona oeste da capital paulista. Há, ao menos, um estudante ferido, atingido por uma bala de borracha, que foi encaminhado ao hospital universitário. Três funcionários foram presos, entre eles um dirigente sindical. Participam do protesto cerca de 300 alunos, professores e funcionários das três principais universidades públicas do Estado - USP, Unesp e Unicamp.

 

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O tumulto começou durante manifestação pacífica que se iniciou na tarde desta terça na frente do portão principal da Cidade Universitária, quando um estudante pegou um cone de trânsito. Em seguida, quatro PMs se aproximaram e os cerca de 300 alunos que estavam no local encurralaram os policiais.

O reforço da PM foi acionado e, quando chegou à Faculdade de Educação, o confronto ficou mais intenso. Policiais jogaram bombas de gás lacrimogêneo e os estudantes responderam jogando pedaços de tijolos.

Segundo a versão da PM, um grupo de cinco ou seis estudantes provocou policiais motociclistas, o que deu início ao confronto. A Força Tática entrou em ação jogando bombas de dispersão contra os manifestantes, na frente da Escola de Educação, onde estudam crianças e adolescentes.

O ex-funcionário Claudionor Brandão, dirigente do sindicato de trabalhadores da USP (Sintusp), foi preso por incentivo à violência e desacato a autoridade.

Os ânimos ficaram exaltados, com manifestantes provocando os policiais, que revidam com ataques verbais. A USP foi tomada por viaturas de polícia. Os alunos e funcionários estão neste momento entrincheirados no prédio da História, enquanto a polícia cerca a reitoria.

O protesto

 

Por volta das 16 horas, cerca de mil pessoas, entre funcionários e estudantes da USP, fecharam a entrada principal da universidade hoje. Quando chegaram ao portão 1, havia 40 policias militares e cinco guardas de trânsito. A PM já havia interrompido o trânsito da Rua Afrânio Peixoto e os manifestantes fecharam as pistas da Rua Alvarenga. Os policiais estavam recuados, em fila, no estacionamento de uma loja do lado de fora do campus.

Os alunos cercaram o tenente-coronel da PM que comandava a operação e começaram a gritar "fora PM". Em seguida, perguntaram ao policial, que se identificou apenas como tenente Lombo, por que a polícia estava presente na universidade. Ele respondeu que há um mandato de reintegração de posse expedido pela 13ª Vara de Justiça, que a PM tem que executar. "Se vocês são contra a polícia no campus precisam entrar na Justiça", completou.

O objetivo da corporação, segundo a PM, é garantir o acesso dos universitários que não aderiram à greve e querem assistir às aulas. Pouco antes das 18h, vários carros e motos da PM chegavam ao campus para aumentar o efetivo da operação.

 

Greve

Os manifestantes bloquearam por quase duas horas a Rua Alvarenga, próximo à portaria 1 da USP. O protesto faz parte da série de manifestações programadas pelo Diretório Central Estudantil (DCE) da USP e pelo Sintusp contra a presença da PM no campus da universidade. Um carro de som com manifestantes bloqueou a rua até as 16h41, quando uma marcha de cerca de 2 mil pessoas retornou ao prédio da reitoria.

Durante o ato na Rua Alvarenga, estudantes e funcionários gritavam palavras de ordem a 20 policiais militares, que se concentravam na portaria 1 da universidade. Antes de bloquear a rua nas proximidades da universidade, estudantes e funcionários participaram de ato em frente à reitoria, exigindo a retomada de negociações da direção da USP com os funcionários e professores.

Desde o final de maio, o Sintusp reivindica reajuste salarial de 16% para os professores e servidores das três universidades. O DCE é contrário a mudanças implementadas nos vestibulares das universidades estaduais. Os alunos da USP também protestam contra o curso a distância criado este ano com foco na formação de professores da rede pública.

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disse nesta terça-feira, 9, após inaugurar um ambulatório de Saúde na Zona Sul da capital, que a presença da PM na universidade se deve a uma ordem judicial. "A reitora pediu segurança e o governo não tem outra alternativa a não ser manter a PM lá." Um grupo de sete estudantes da USP protestou em frente à unidade com faixas pedindo a saída de policiais da universidade.

 

(Com informações de Elida Oliveira, especial para O Estado de S. Paulo, e da Central de Notícias)

 

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