Confiantes, brasileiros driblam a saudade

Basta uma voltinha entre as rodas de estudantes da Les Roches de Bluche para saber que diversidade cultural é um dos termos que define bem a escola. Afinal, são 578 estudantes de 60 nacionalidades, boa parte vinda da China e da Índia, o que motivou a abertura de uma nova unidade em Xangai.No meio desse caldeirão estão, claro, brasileiros. São 40 que, segundo o diretor, Clive Taylor, ?trazem energia e vibração? aos corredores da escola. Uma das turmas verde-amarelas é formada por Andrea Natal, de 26 anos, Daniel Pollak, de 23 anos, Daniela Mateos, de 25 anos e por Gustavo Probst e Tathiana Pinotti, ambos de 21 anos.Em suas conversas, assuntos como choque cultural ? motivado por hábitos e modos de alguns povos que freqüentam a escola e que são considerados ?diferentes?, como assoar o nariz à mesa de refeições ? e saudade da família e do Brasil são recorrentes, mas, segundo eles, é sempre possível dar um jeitinho.Diversão garantida?A gente faz feijoada e festa e, quando bate a tristeza, uma vai para o quarto da outra chorar?, conta Andrea, aluna do último ano, que conheceu um suíço quando fazia entrevistas para um estágio e casou-se com ele no começo deste ano, no Brasil. ?Acaba havendo muita solidariedade, já que todo mundo está longe de casa. Sozinho, ninguém fica?, garante.Mesmo com uma rotina cheia de aulas e trabalhos para entregar, ninguém abre mão da diversão. O difícil é encontrar o que fazer em um vilarejo de cerca de 800 habitantes, cujos poucos bares baixam as portas à 1 hora ? em época de prova na Les Roches, alguns nem abrem.Por isso, vira-e-mexe a ?balada? é transferida para o quarto de algum estudante. Mas, se o som ficar alto demais, funcionários da escola tratam de mandar todo mundo dormir. Outra possibilidade apontada pelos brasucas é aproveitar o fim de semana para viajar ? em duas horas de trem, por exemplo, chega-se a Milão.Fé no futuroQuando o assunto é futuro profissional, os olhos dos estudantes brasileiros brilham. Thatiana Pinotti, que está terminando o curso, é toda empolgação ? em agosto, ela segue para Paris, onde começa a fazer uma espécie de programa de trainee, por um ano e meio, no Hotel Hyatt. ?A escola me deu uma base muito boa e me sinto preparadíssima. Era tudo o que eu queria na vida?, afirma.A comunicativa Daniela Mateos, que também está no último ano do curso, tem mil planos para a carreira, mas fala de um aspecto que não pensava quando escolheu ser hoteleira e que a, longo prazo, pode incomodar: a falta de controle sobre a própria vida. ?Um dia você está aqui e, de repente, te transferem para um lugar completamente diferente?, diz. ?Quem vai me acompanhar em uma vida assim? Nem cachorro!?, brinca. Estilo espanholA metodologia e as matérias estudadas na Les Roches de Marbella são as mesmas da escola da Suíça, bem como a disciplina, que exige pontualidade e o uso constante de uniforme.Mas, seja pelo clima ? geralmente quente, uma vez que a cidade, no sul da Espanha, é um dos mais badalados balneários que integram a região turística chamada Costa do Sol ?, seja pelas nacionalidades que ali estudam (45% é de origem espanhola, além de haver muitos latinos), o fato é que a unidade de Marbella tem se mostrado uma opção cada vez mais atraente para os brasucas que querem estudar hotelaria. Atualmente, são 17 dos 244 alunos que freqüentam o campus.Esse estilo espanhol de adaptar a tradição e a excelência suíças foi decisivo para atrair a paulistana Aline Ruiz, de 19 anos, que está no segundo ano. ?Tinha escolhido o campus de Marbella para aprender espanhol e também por causa do clima, mas foram as pessoas daqui que me conquistaram?, conta, que ao lado das inseparáveis amigas brasileiras, sempre dá um jeito de comparecer às festas organizadas pelo pessoal da escola.Um ?point? por lá atende pelo nome de Puerto Banús, um bairro de frente para a praia que concentra lojas de grife, um píer só com barcos e iates de luxo e vários bares e restaurantes, onde pulsa a noite de Marbella. leia também Les Roches ensina hotelaria com muito trabalho Pagamento em reais, a câmbio fixo. Mas o valor...

Agencia Estado,

10 de maio de 2004 | 10h19

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