Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Conectado, para aprender Comunicação a distância

Área exige frequente atualização sobre recentes ferramentas de informação e não tem rotina fixa; veja opções de cursos online

Ocimara Balmant, Especial para o Estado

30 Agosto 2016 | 03h00

Quem trabalha nessa área sabe: faz parte não ter uma rotina fixa e ter de estar atualizado sobre recentes ferramentas de informação. Isso casa muito bem com atividades executadas sem rigidez de horário ou lugar, como os cursos a distância. Mas que tipo fazer? O cardápio é grande e variado. Confira algumas opções

CURSO LIVRE

Os cursos livres a distância podem ser considerados o “aperitivo” da modalidade. Quem não conhece EAD deve escolher um para fazer a iniciação no assunto: além de serem mais curtos, são mais baratos - muitos são gratuitos, em universidades e plataformas como a Veduca. No universo da Comunicação, os cursos livres se multiplicam na mesma proporção em que a população se apropria das novas mídias. Se até há algum tempo a maioria deles tratava da melhor forma de falar em público ou fazer um currículo, a oferta vem ficando muito mais variada.

O estilista Antonio Geraldo da Silva Junior, o Tony, sempre trabalhou com moda e mantinha um blog pequeno para divulgar as roupas de sua loja. Quando soube do curso de Fashion Blogging da Faculdade Belas Artes, foi atrás de informação. Dois meses após concluir as 30 horas/aula, descobriu um campo de negócios. “Usei o que aprendi, o blog ganhou alcance e já há empresas querendo anunciar e patrocinar looks. Isso se refletiu na loja. Mesmo com a crise, consegui aumentar as vendas porque muita gente me descobriu.” Para ele, a vantagem foi a flexibilidade de fazer as aulas até de madrugada. O mais complicado era não poder sanar as dúvidas na hora. Tinha de esperar o chat ou mandar e-mail. “Agora me adaptei, quero fazer outros.” 

Mistura boa. Como os cursos livres são rápidos e baratos, o aluno pode experimentar um tanto deles e construir um repertório que mescle o inusitado ao tradicional. Na Fundação Getulio Vargas (FGV), por exemplo, não há qualquer custo para assistir às cinco horas do curso Processo de Comunicação e Comunicação Institucional. Quem gostar do assunto pode se inscrever em Comunicação Empresarial do Senac, que tem 40 horas. Aperitivo é para isso mesmo: a pessoa experimenta um daqui, outro dali e se permite fazer o tipo de combinação que quiser.

GRADUAÇÃO

A graduação é a caçula quando se fala em Comunicação a distância. Os cursos livres, de extensão e de pós, já estavam bem estabelecidos quando surgiram as graduações tecnológicas na área, principalmente aquelas ligadas à área de Marketing. Os bacharelados são ainda mais recentes e, por enquanto, bem poucos.

A oferta é pequena, afirmam os especialistas, não porque seja difícil se graduar a distância, mas por uma questão de mercado. “Para se tornar viável, a EAD depende de escala. É preciso ter um grande número de polos e de alunos para, de alguma forma, compensar o investimento pesado no desenvolvimento de materiais e de tecnologia”, explica o coordenador dos cursos de Graduação EAD do Senac, Alcir Vilela Junior.

Tanto que, atualmente, as graduações com mais oferta a distância são também aquelas com mais alunos nos cursos presenciais, como Administração e Pedagogia. Até há alguns tempo, eles concentravam quase a totalidade dos alunos. Foi somente nos últimos anos que o leque se abriu. No caso da Comunicação, a oferta tem aumentado e diversificado no ritmo do incremento de novas ferramentas. A Universidade do Contestado (UNC), por exemplo, oferece o bacharelado em Jornalismo EAD, com aulas que usam plataformas para ensinar o aluno a trabalhar nessas mesmas plataformas. Uma metalinguagem impensável há poucos anos e que põe o aluno no centro do processo de aprendizagem. 

Outros campos. A artista plástica Ana Maria Bittar Romanek se surpreendeu quando descobriu que daria para fazer Artes Visuais sem bater cartão na universidade. “Achei que na minha área só pudesse ser presencial. Mas não. Tive até aulas de libras a distância e aprendi tão bem que busquei aperfeiçoamento no assunto.” Aos 53 anos, ela viu na modalidade a única forma de obter o diploma de ensino superior. “Não teria tempo para ir todo dia no mesmo horário até uma universidade. Mas consigo me programar em casa para estudar três horas por dia, mesmo que tenha de passar a noite.” Quando terminar a graduação, em 2018, Ana Maria já planeja emendar uma pós. Também a distância. 

CURSO DE EXTENSÃO

A pergunta é recorrente: o que é um curso de extensão e, na educação a distância, qual a diferença entre ele e um curso livre? A resposta é simples: enquanto os cursos livres não exigem nenhum pré-requisito aos alunos e o cardápio de temas não precisa ter qualquer vinculação com as áreas de expertise da instituição que os oferece, a extensão está sempre atrelada a uma instituição de curso superior e deve “viabilizar a relação transformadora entre a universidade e a sociedade”, como prevê o Plano Nacional de Extensão Universitária. 

“A extensão está sempre associada ao que a universidade tem e vai em direção a uma demanda da comunidade”, resume Alcir Vilela Junior, coordenador dos cursos de Graduação EAD do Senac. “O indicado, também, é que o público interessado já tenha uma formação e queira desenvolver uma habilidade específica.” É o que propõe, por exemplo, o curso Gerência de Projetos - Gestão da Comunicação e Stakeholders, oferecido pelo Senac. Para aproveitar o conteúdo, os interessados já devem ter noções básicas de gerenciamento de projetos. Tanto que, na descrição do curso, gerentes e coordenadores são indicados como público-alvo. 

Experiência. Na ESPM, que tem uma gama de cursos de extensão em Comunicação, há um em que fica bem claro a importância do know-how do aluno: o de Gerenciamento de Crises nas Mídias Sociais. Para apreender o conteúdo, é importante que o interessado já trabalhe com gerenciamento de crise - um termo bem conhecido dos assessores de imprensa, acostumados a darem suporte aos clientes quando, por algum motivo, o nome de uma empresa recebe conotação negativa na mídia. Agora, com o advento das novas ferramentas, o curso se propõe a formar esse profissional para atuar também nas mídias sociais. 

Então ficou fácil: para escolher um curso de extensão, é importante considerar as expertises acumuladas e focar em um aspecto que vale aprender um pouco mais.

PÓS-GRADUAÇÃO

Para quem passou boa parte da vida dentro de uma sala de aula, é até engraçado estudar sem ter e pisar em uma. Aos 65 anos, Jackson Sosa tem no currículo duas graduações presenciais - em Física e Engenharia Mecatrônica, cursadas na década de 1970 - e 18 anos de experiência como professor. “Como docente até acompanhei o início da discussão da educação a distância, mas nunca imaginei que a modalidade ganharia tanto fôlego e que me tornaria aluno.” 

Proprietário de duas empresas da área de tecnologia, ele percebeu que poderia incrementar ainda mais os negócios se tivesse um conhecimento mais aprofundado em Marketing. Optou pela pós-graduação no Senac e cursa o segundo dos quatro semestres do curso. Mais velho da turma, Sosa vai ao polo a cada 15 dias para realizar as provas e interage com os colegas nos fóruns temáticos e em dois grupos de estudo do WhatsApp. 

É o mesmo formato do curso Comunicação em Redes Sociais, oferecido pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), cujo objetivo é capacitar comunicólogos para o desenvolvimento de produtos e o planejamento de ações eficazes em redes como Twitter, Facebook, YouTube, LinkedIn e Instagram. Ao fim dos cursos de pós-graduação EAD, tal como ocorre nos programas presenciais, o aluno tem de entregar uma monografia. 

Aluno em foco. Para Tatsuo Iwata Neto, pró-reitor de pós-graduação da ESPM, esse tipo horizontal de interação e de construção do conhecimento, potencializado na educação a distância, mostra porque hoje se fala mais em aprendizagem do que em ensino. “Essa mudança pressupõe a mudança do foco para o estudante.” No caso da pós-graduação, como se presume que público já tenha uma maturidade acadêmica, o protagonismo do aluno é ainda maior. “Não existe mais mão única.” 

MBA

“Em que outro formato eu estudaria, na mesma turma, com gente de todo o País?”, questiona Fernando Machado, aluno do MBA em Gestão da Comunicação e Mídias Digitais. A pergunta do empresário de 32 anos faz especial sentido por conta da própria característica dos MBAs, conhecidos por serem espaços de formação de executivos em que os relacionamentos são quase parte do currículo. Fazer MBA é conhecer gente que pode gerar negócios futuros. 

“Isso mostra que a EAD pode ser tão ou mais interativa e colaborativa do que o ensino presencial”, afirma Tatsuo Iwata Neto, pró-reitor de pós-graduação da ESPM, onde Machado estuda. “O curso é a distância, mas não precisa ser distante.” 

Esse é o segundo MBA de Machado. O primeiro, ele fez presencial. “Agora sinto que tenho mais autonomia para decidir o melhor momento para estudar. Mas, ao mesmo tempo, posso me programar para assistir à aula em tempo real e interagir ao vivo.” 

Na ESPM, as duas aulas semanais são veiculadas em data e horário estipulados. Quem estiver online pode interagir em tempo real com o professor. Aqueles que não puderem têm acesso ao conteúdo gravado. Talvez seja no MBA que fica mais visível a importância dessa flexibilidade. Boa parte do público nesses cursos de formação de executivos é gente que viaja muito a trabalho e, se não fosse a modalidade, não conseguiria conciliar os horários. 

Horas de estudo. Por outro lado, esse mesmo profissional em ascensão, até pela rotina corrida e cheia de metas, tende a subestimar o tempo necessário de estudo. Por acreditar que o curso com apelo mais prático seja mais facilmente assimilado ou por deixar acumular muito conteúdo a ser visto de uma só vez, alguns se perdem pelo caminho. Perdem tempo e dinheiro. Afinal, não é nada barato fazer MBA. 

CARACTERÍSTICAS DO CURSO A DISTÂNCIA

EQUILÍBRIO

EAD dá flexibilidade de tempo e espaço ao aluno, mas cobra organização e disciplina.

CUSTO MENOR

O curso a distância é mais barato. Na graduação, por exemplo, o custo chega a ser até 60% menor do que no formato presencial.

FORMAÇÃO

Tem o mesmo reconhecimento: no diploma não consta a modalidade do curso.

FAIXA ETÁRIA

Os alunos costumam ser mais velhos. A idade média na graduação é de 32 anos.

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