Concurso na Bahia é cancelado após analfabeto ser aprovado

Empresa responsável pelo concurso estaria fraudando as provas a pedido do Executivo da cidade de Itabela

Alessandra Aquino, especial para O Estado de S.Paulo,

20 de março de 2008 | 17h52

A prefeitura de Itabela, a 671 quilômetros de Salvador, realizou um concurso em setembro de 2007 para admissão de funcionários, que foi cancelado devido à fraudes, através das quais, até um analfabeto foi aprovado. "Foi Deus que quis assim", afirmou o rapaz, orgulhando-se da suposta sorte.   De acordo com o promotor, a fraude era realizada da seguinte forma: o candidato, após fazer a prova, entregava a folha de resposta oficial à Méritum Consultoria e Assessoria Ltda., responsável pela organização do concurso. Na sede da empresa, na cidade de Itabuna, numa folha de respostas em branco, os funcionários marcavam as alternativas corretas e falsificavam a assinatura da pessoa beneficiada, a pedido de pessoas ligadas ao Executivo de Itabela, fazendo com que o candidato reprovado fosse aprovado ou que o aprovado tivesse um aumento de nota final.   O analfabeto assinou com o polegar, mas no gabarito enviado pela empresa há uma assinatura dele por extenso. O Ministério Público está tomando as providências necessárias e pretende processar criminalmente por falsidade material, estelionato e formação de quadrilha os responsáveis pela falsificação, tanto na Méritum como no Executivo.   Um termo de ajustamento de conduta (TAC) foi firmado na última quinta-feira, 13, entre o promotor de justiça Bruno Gontijo e o prefeito de Itabela, Júnior Dapé, assumindo a obrigação de rescisão do contrato com empresa e da criação de um novo concurso.    O edital de seleção do novo concurso será publicado até o dia 15 de maio.

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