Computer Clubhouses viram centros de ativismo juvenil

O garoto indiano que começou a convencer as famílias de seu bairro a ferver água antes de beber não é o único exemplo de mobilização social nascida no ambiente tecnológico de um Computer Clubhouse. O programa lançado em 1993 tem hoje pelo menos 80 ?portas abertas? em todo o mundo (13 países, além dos Estados Unidos), onde pessoas de 10 a 16 anos podem usar novas tecnologias para criar soluções a suas necessidades e problemas. ?Jovens sem perspectivas encontraram nos clubhouses um meio de criar e ser reconhecidos, o que melhora sua auto-estima?, conta Mitchel Resnick, co-fundador do programa. ?Só isso já é suficiente para provocar um impacto sócio-econômico benéfico, mas estamos evoluindo para criar uma rede de jovens ativistas.?Os Computer Clubhouses têm sua atuação focada em comunidades carentes. ?Trabalhamos em muitos lugares mas focamos a atuação especialmente onde as necessidades são maiores, porque é nestes lugares que podemos fazer diferença e esta diferença é o mais importante.? Nos primeiros dois anos do programa, mais de mil jovens americanos de comunidades carentes passaram a freqüentar os Clubhouses, onde não há qualquer restrição para entrar ? basta que a porta esteja aberta. Ali os usuários encontram materiais e ferramentas tecnológicas para produzir animações e simulações, compor músicas, projetar, programar e construir equipamentos simples, como pequenos robôs etc. O Brasil tem um Computer Clubhouse funcionando no Instituto Dom Bosco, em São Paulo, financiado pela Intel.Cada Clubhouse deve seguir quatro princípios fundamentais: apoiar o aprendizado através de projetos e experiências, ajudar os jovens a criar de acordo com seus próprios interesses e necessidades, apoiar o desenvolvimento de novas comunidades, oferecer um ambiente de respeito e confiança. Segundo Resnick, o trabalho nestes centros tem servido a pesquisadores que querem pensar não apenas em métodos de ensino, mas principalmente em potencialização do aprendizado, com a construção de conhecimento de modo significativo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.