Como subir ao pódio

Veja quem são e o que fazem os líderes das melhores empresas juniores do País

Cedê Silva, Especial para o Estadão.edu,

26 Março 2012 | 21h27

No começo de 2011, um calouro de Ciências Contábeis da Universidade Estadual de Maringá (UEM) recebeu do professor a tarefa de levar um palestrante para falar de empreendedorismo. Ele escolheu uma turma instalada bem pertinho: o pessoal da Adecon, que em agosto seria premiada pela confederação do setor como a melhor empresa júnior do Brasil.

 

Jamila Chaves, de 20 anos, era a presidente da Adecon na época e foi uma das palestrantes. “Fiquei bem feliz com o convite porque lutamos para estreitar as relações com os alunos.” Hoje no 4.º ano de Administração, Jamila preside o conselho consultivo da empresa, formado por ex-membros, e trabalha na área financeira de uma construtora. Ela faz parte da elite das juniores, foco de empreendedorismo nas universidades e a melhor oportunidade para alunos entenderem problemas do mundo real.

 

Esse grupo de elite do qual Jamila faz parte está sempre mudando. A rotatividade acelerada é uma característica das EJs, que têm de se adaptar ao ciclo de calouradas e formaturas. Matheus Doná, também de 20, entrou na Adecon em abril de 2010 e chegou a presidente em janeiro deste ano. A meta de sua gestão é faturar R$ 104 mil até dezembro. Como as juniores não têm fins lucrativos, o dinheiro será reinvestido em livros, computadores e cursos.

 

“Este ano teremos mais de dez treinamentos”, conta Matheus. Ele quer chamar consultores e executivos para ensinar negociação, oratória e liderança, e também assuntos mais técnicos, como finanças e marketing. Os cursos são dados nos fins de semana. “A gente aproveita o tempo ao máximo, daí vem a nossa capacitação”, diz. “Aceitamos trabalhar de graça porque buscamos contato com o mercado. Ninguém quer só se formar.”

 

Para Matheus, a liderança no ranking da Confederação Brasileira de Empresas Juniores (veja abaixo o perfil de 4 das 20 primeiras colocadas) se explica por dois fatores. “Estamos em um polo universitário muito forte do Paraná. Nosso vínculo com a universidade ajuda a fechar muitos projetos de consultoria”, diz. “E estudamos muito, somos críticos. Ninguém entra na Adecon achando que vai brincar. Levamos tudo a sério, como se fosse nosso primeiro emprego.”

 

Quem também subiu rápido na carreira foi Alexandre Bolina, de 20 anos. No 3.º semestre de Engenharia de Produção na UFMG, ele já preside a Produção Júnior, depois de ter sido trainee quando calouro e assistente da presidência no 2.º semestre. Isso mesmo, trainee. O processo seletivo da PJ, eleita a segunda melhor do País, lembra empresa de gente grande. Em um semestre, chegou a ter mais de 80 inscritos para cerca de 20 vagas. Outro orgulho da empresa é o certificado ISO 9001, igualzinho ao obtido pelas empresas “seniores”. Uma das metas de Alexandre para este ano, além de faturar R$ 70 mil, é revalidar o ISO.

 

Bruno Madureira, de 23, deixará a presidência da Esalq Jr. no meio do ano. Ele entrou na EJ no começo do curso de Engenharia Agronômica da USP Piracicaba, ainda como trainee. “Quis ter contato com o mercado logo que possível, porque às vezes a universidade tem dificuldade em mostrar o lado prático das coisas”, diz. “Aprendi a trabalhar em equipe e a lidar com softwares usados pelas empresas, além de ter tido contato mais estreito com professores.”

 

Entrar na EJ também foi a maneira que Matheus encontrou de se destacar no mercado. “Fiz consultorias, tive contato com empresários, representei a Adecon em eventos no Brasil todo e hoje sou responsável por uma empresa de renome. Amadureci muito. A sala de aula não é suficiente.” / COLABOROU CARLOS LORDELO

ADECON

Fundada em 1992 na Universidade Estadual de Maringá, a Adecon fez 18 consultorias em 2011. Foi também a responsável pelos mais de mil questionários aplicados em todos os bairros da cidade para a realização do prêmio Top of Mind de Maringá. A reputação já se reflete no preço: segundo o presidente da empresa, Matheus Doná, o faturamento ano passado subiu 45%, “com apenas duas ou três consultorias a mais”. Um dos projetos mais importantes foi o plano de negócios de uma exportadora. O aluno responsável acabou integrando a nova empresa. Com cerca de 40 membros, a Adecon aceita estudantes de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas da UEM. Cobra de R$ 3 a R$ 5 mil pelos projetos mais simples de consultoria, mas o preço sobe com demandas mais específicas.

PJ PRODUÇÃO JÚNIOR

O primeiro presidente da PJ, Rogério Coura, é hoje diretor financeiro da Braskem, gigante do setor petroquímico. Em outubro, ele contou ao Estadão.edu valorizar na empresa candidatos que, como ele, mostram iniciativa. Entre os 19 projetos realizados ou iniciados por essa EJ da UFMG em 2011 está uma nova máquina para produzir em larga escala espetinhos de churrasco. “Se der certo, poderemos até pedir patente”, diz o atual presidente, Alexandre Bolina. A CZM, fabricante de equipamentos de construção civil, já contratou a PJ para oito projetos. Três dos atuais estagiários e uma analista de controle de produção da empresa saíram de lá. Entre as preocupações da PJ está a de guardar as informações de cada projeto. “A cada semestre, de 15 a 20 alunos saem da EJ. Não podemos deixar o conhecimento ir embora também”, diz Alexandre.

MECATRON

Essa EJ de Campinas quer crescer quase 30% este ano - aumentar o faturamento de R$ 46 mil, de 2011, para R$ 60 mil. Os clientes vão desde o laboratório de química da própria Unicamp até uma empresa de sistemas de automação de Jundiaí. Um dos projetos que está dando trabalho é o vencedor da 2ª edição do Projeção M, concurso no qual a própria Mecatron pede às empresas que lhe mandem problemas - o vencedor paga só uma cesta básica pela consultoria. Danielle Batocchio, dona do restaurante Açaizeiro de Campinas, encomendou um serviço automatizado para despejar microorganismos na caixa de gordura do estabelecimento, reduzindo a necessidade de limpeza manual e o impacto ambiental de produtos químicos. ”Eles podem até patentear a nova tecnologia”, diz Danielle.

ESALQ JR.

Ancorada num dos mais importantes centros de pesquisa agronômica do Brasil, esta EJ faturou quase R$ 77 mil no ano passado. Em 2012 o objetivo é ganhar R$ 111 mil no desenvolvimento de projetos de adequação ambiental, viabilidade econômica e produção vegetal e animal, entre outros serviços. Para divulgar seus produtos, a Esalq Jr. participa de eventos do rico setor do agronegócio, onde também faz captação ativa de clientes. Segundo o presidente da EJ, Bruno Madureira, duas ações se destacaram nos últimos anos: a criação de um vinho de laranja em parceria com professores da faculdade e a realização de um plano de negócios para estudar a redução do volume da vinhaça que sobra da destilação da cana-de-açúcar. “Isso diminui os custos de transporte e torna a produção sustentável.”

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