JF DIORIO/ESTADÃO
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Gustavo Zucchi, Especial para O Estado

12 Dezembro 2017 | 05h00

Muito se fala da difícil decisão que os jovens têm ao escolher que curso de graduação fazer. O leque de opções é enorme diante da responsabilidade de definir o que será sua principal atividade em boa parte do tempo no futuro. Essa escolha complicada não fica mais fácil quando a graduação termina: no momento de escolher uma pós-graduação, não apenas a temática do curso está em jogo, mas um direcionamento de carreira. Isso somado ao fato de que, provavelmente, a rotina de estudos terá de ser aliada à jornada de trabalho.

Assim, o profissional se vê diante de três escolhas: de um lado, a carreira acadêmica, que é chamada stricto sensu - expressão latina para “em sentido específico”, que engloba os cursos de mestrado e mestrado profissional (além de doutorado). Do outro, o lato sensu (do latim, “em sentido amplo”), no qual se encaixam os cursos de especialização (conhecidos apenas como pós-graduação) e os MBAs (sigla em inglês para Master Business Administration).

As diferenças entre essas três vertentes são muitas. E a principal delas, segundo especialistas, é o foco. Enquanto o mestrado visa à formação de profissionais comprometidos com a academia e preparados para fazer pesquisa, os cursos lato sensu preparam para o mercado de trabalho, dando uma visão mais prática e menos teórica do tema estudado.

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“Na verdade estamos falando de níveis educacionais diferentes”, explica a pró-reitora de Pesquisa e Inovação da Universidade Federal de Goiás (UFG), Maria Clorinda Soares Fioravanti. “A pós-graduação lato sensu é uma forma bacana de a pessoa ter uma formação continuada e atender às demandas do mercado de trabalho”, afirma. “Já quando a gente fala de stricto sensu é outro nível. São cursos visando a academia ou a inovação, de, no mínimo, 24 meses. Quando você termina um curso stricto sensu você está preparado para fazer pesquisa.”

O mestrado foi a escolha feita por Adriana Lima, hoje professora na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Formada em Publicidade e Propaganda, ela trabalhava em agência e já tinha feito uma pós-graduação quando decidiu mudar o rumo da carreira. “Foram dez anos de trabalho com publicidade, mas para fazer o mestrado precisava de uma dedicação maior”, conta. Ela precisou sair do mercado formal e passou a prestar consultoria. Assim tinha mais tempo para se dedicar aos estudos com uma rotina de trabalho compatível com seus planos futuros.

Adriana terminou o mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo em 2016 e hoje é doutoranda na ESPM. “O que busquei, basicamente, o que me fez tomar essa decisão de voltar a ser aluna, foi que eu queria ter mais argumentos científicos para dar base funcional à aula. Eu dava aulas à noite como especialista e o funcionalismo do mestrado, mais científico, mais teórico, me ajudou a melhorar esse desempenho”, realçou. “Mas esse visão crítica também é útil para o mercado”, completa.

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Profissional. Essa opinião de que o mestrado não exclui o profissional do mercado de trabalho também é compartilhada por Rita Barata, diretora de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC). “A maioria dos egressos do mestrado vai para o mercado de trabalho. Só uma parcela vai para o doutorado”, conta. Essa realidade ainda aumentou com o surgimento dos programas de mestrado profissional. Essa modalidade forma estudantes que terão os conhecimentos científicos, mas com um pé no mercado.

“Há um tempo, eu concordaria com a afirmação de que o mestrado forma pesquisadores para o mundo acadêmico, sem dúvida. Hoje eu diria que estou mais flexível”, brinca Maria Clorinda, da UFG. “Diria que a própria sociedade entendeu que o profissional que tenha um mestrado é mais qualificado e que isso vai significar uma melhora até no atendimento dele.” Para ela, a principal diferença entre o mestrado e as outras modalidades de pós-graduação é que você estará tirando parte do tempo para aprender o método científico e, portanto, aprendendo a fazer ciência. 

“O mestrado sim é cientifico e te direciona para academia. O que diferencia a academia do mercado são algumas regras: a academia é a produção de conhecimento e o mercado é resolução de problemas, mas um não invalida o outro”, resume Adriana, professora da ESPM, sobre o dilema.

Isso é diferente do que ocorre nas pós-graduações de especialização. Ali o foco pode ser um tema específico, da mesma forma que o mestrado, mas tem a intenção de preparar o aluno para a resolução de problemas. Segundo a professora Maria Clorinda, é um bom caminho mesmo para quem saiu da graduação, quer enveredar para o ramo acadêmico, mas ainda não tem plena certeza do tema de estudo. “Eu vejo com muita frequência o estudante que se formou na graduação, mas se sente inseguro na profissão. Ele vê na especialização a possibilidade de amadurecer e ter a segurança que ele não obteve na graduação. Serve muito bem até para aqueles que não fizeram estágio”, diz. 

Os cursos de especialização têm outras vantagens em relação ao mestrado. Mais simples, eles não apenas têm uma duração menor, mas também permitem ao estudante levar com maior facilidade sua rotina profissional junto com os estudos. Afinal, a ideia é que o aluno aprenda conceitos práticos que possam ser utilizados no seu dia a dia.

Segundo Maria Clorinda, da UFG, “no momento em que o estudante deixa a graduação e entra em uma especialização, ele começa a aprofundar o senso crítico dele”. E essa é uma característica cada vez mais exigida pelo mercado de trabalho. Segundo a master coach da Sociedade Brasileira de Coaching, Renata Fernandes Arrepia, é normal que jovens de 23, 24 anos já estejam buscando cursos de pós-graduação, mestrado e MBA, uma realidade que tempos atrás não existia. “Antigamente a gente esperava para se especializar. Hoje não vejo isso. Você consegue fazer uma especialização em um ano, tendo aula duas vezes por semana”, ressalta. 

A dica, especialmente para os jovens recém-saídos da faculdade, é procurar um tema atrativo e não se preocupar tanto com as exigências do mercado de trabalho. “Você tem de sair da graduação falando: ‘O que mais me chama a atenção? De que área eu gostei mais?’ E a partir dai buscar a especialização”, recomenda Renata. “Uma pessoa nessa idade não tem experiência, ela não sabe o que vai agregar porque fazer uma pós-graduação não é só um aumento de salário. Isso vem depois. Antes disso tem um bom trabalho para executar”, aponta.

Importante ressaltar que, ao se formar em uma especialização, o estudante não ganha um diploma. “Ele vai ter esse certificado dizendo que se especializou naquele campo. E isso no mercado de trabalho vai ser valorizado com uma formação que vai além da graduação. Já o mestrado confere um título acadêmico”, explica Rita, da Capes. 

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Foco na gestão. Uma das modalidades mais populares das pós-graduações lato sensu é o MBA. A sigla em inglês (equivalente a Mestrado em Administração de Empresas) atrai alunos de diversas modalidades, interessados em progredir na carreira, em especial em cargos de gestão. Originalmente, os MBAs são uma especialização na área administrativa. Os cursos se concentram, especialmente, em fornecer aos alunos uma visão estratégica do funcionamento das empresas e do mercado de negócios. Isso é um grande atrativo, em especial para quem já está de alguma forma ligado ao mundo corporativo.

“Ele te dá mais uma visão prática. Um MBA demora um ano ou dois anos, mas traz para você uma coisa muito prática. Mostra de forma muito clara como você aplica os conhecimentos no mundo corporativo”, explica a coach Renata.

Esse tipo de curso, com a possibilidade de ser um grande impulso na carreira, atrai perfis diversos para o MBA. Monica dos Santos, de 29 anos, por exemplo, foi uma das que avaliaram o caminho como o ideal para crescer na carreira. Trabalhando na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), ela optou por cursar o MBA em Finanças no Ibmec.

“Na forma como é dado, o MBA é mais estratégico, não operacional. Isso vai fazer a diferença quando você assumir um cargo de gestão porque já vai estar preparado para olhar para diversas frentes”, afirma Monica. “Ao meu ver, isso não ocorreria em um mestrado, em que se tem um conteúdo mais teórico, que não é o que eu estou buscando neste momento”, diz. “Já uma especialização vejo como uma extensão da graduação, mas de forma mais sucinta.”

A coach Renata aprofunda o assunto, explicando como um MBA é diferente de um curso de pós. “Você vai fazer um trabalho específico no MBA. Para quem quer liderar, o melhor caminho é esse”, afirma.

“Eu vejo o curso como um projeto de médio prazo”, diz Monica, que estuda no Ibmec. “Em termos de carreira, penso em fazer um upgrade e busquei um meio que me desse as ferramentas para fazer essa alavancagem, para me preparar para atuar como gestora.”

Conhecimento. Mas o MBA pode ser mais do que isso. Assim como o mestrado, que parece puramente acadêmico, mas acaba servindo também para quem está no mercado de trabalho, o MBA não é exclusivo de quem atua na área corporativa. Profissionais das mais diversas áreas podem se beneficiar com os conhecimentos de Administração e Gestão de Pessoas que fazem parte da grade curricular da maioria dos cursos da modalidade. Basicamente, qualquer um que precise gerir algo, seja ele um pequeno negócio ou a própria carreira, pode cursar um MBA que sairá com conhecimentos necessários para crescer no caminho escolhido, de acordo com os especialistas ouvidos.

“Essa visão prática do MBA pode ser aplicada em quase todas as carreiras. De médico, de psicólogo”, afirma a coach Renata. “Se eu sou médico e quero assumir uma função de gestão, gostaria de ser um dirigente de hospital, a faculdade de Medicina não me prepara, ou me prepara muito superficialmente para isso. Com o MBA eu vou adquirir as habilidades de administrador necessárias para seguir essa vertente da minha carreira”, exemplifica Rita, da Capes.

De acordo com Maria Clorinda, da UFG, esse tipo de curso vai além da gestão. “Ele te permite desenvolver habilidades interpessoais de modo a garantir uma eficiência maiorde seu trabalho em qualquer área que você vá”, resume.

Cartas na mesa. Conhecendo as três principais modalidades de pós-graduação do Brasil pode ficar mais fácil, mas ainda não traz uma resposta definitiva de como o futuro aluno pode decidir o melhor caminho a trilhar. Tanto uma especialização quanto o MBA e o mestrado têm dificuldades que o interessado deve estar consciente antes de se matricular.

A primeira é que, mesmo no lato sensu, onde é mais fácil conciliar as tarefas escolares com a carreira profissional, o comprometimento é fundamental. “É puxado, tenho aula três vezes por semana e tem de ser produtivo, apesar do cansaço”, conta Monica, aluna do Ibmec. “É como se você voltasse para a graduação, tem de se dedicar”, completa.

“O mestrado é, sem dúvida, o mais exigente nesse sentido. É necessária uma dedicação quase que integral”, diz a professora Rita. “A pessoa vai dedicar o tempo todo dela a estudar, a aprender o que na graduação não aprendeu. Nossos programas de graduação não são fortes na formação da base metodológica, científica. Você vai precisar ter uma dedicação muito grande para se apropriar daquilo que sua graduação não deu”, afirma.

Escolha consciente. A coach Regina, especialista em ajudar as pessoas a encontrar um rumo na carreira, recomenda a quem estiver perdido procurar um programa de coaching. Para os que não podem pagar pelo auxílio profissional, existe uma avaliação a ser feita por conta própria. “Quais são as coisas que te fazem feliz e onde você gostaria de estar em um, dois, três ou cinco anos? Se você não sabe onde quer estar, como vai tomar uma decisão de caminho?”, indaga. “Você precisa saber para onde está indo, se não sabe o caminho que precisa pegar. Esse é o ponto: O que você quer viver daqui a um ano?”

Conselho parecido dá Maria Clorinda, da UFG. Ela recomenda que o aluno se questione antes de decidir. “Acho basicamente que o estudante deve pensar aonde quer chegar. Ele está atrás de uma ferramenta de qualificação. Que uso quer dar para essa ferramenta?”

Já as alunas de mestrado e MBA Adriana e Monica, respectivamente, têm um olhar mais prático sobre a situação. A mestranda sugere que o indeciso frequente as aulas do mestrado como aluno ouvinte. “Assim consegue decidir a linha de pesquisa e entra em um território que não está acostumado”, diz Adriana.

Já Monica conta que um dos acertos dela ao escolher o MBA foi ter olhado com cautela para a grade curricular do curso desejado em primeiro lugar. “Minha dica é avaliar o que a pessoa quer para ela a curto e médio prazo. Avaliar a grade do curso é muito importante, assim como os professores. Não digo nem o preço, que foi a ultima coisa que olhei.”

NO MESTRADO

1. O mestrado, na maioria das vezes, é um curso mais longo. O mínimo é de dois anos. É importante se planejar para ter tempo.

2. O mestrado, em especial o acadêmico, exige muito tempo do aluno. Conciliar com um emprego pode ser complicado.

3. Definir o tema a ser estudado ao longo do curso é fundamental. Depois, é importante ler sobre o assunto para ter uma base.

4. Um passo recomendado para quem está na graduação e deseja fazer mestrado é aproveitar a iniciação científica de seu curso.

5. Se você já se formou, quer fazer um mestrado, mas ainda não decidiu o tema, pode participar

de aulas como aluno ouvinte

NO MBA

1. Importante é se informar bem.Os preços variam muito de uma instituição para outra, e o público atendido pode ser diferente.

2. Conversar com o gestor da sua empresa é uma boa ideia. Além de dicas, ele pode apontar que curso é mais útil para a companhia.

3. O MBA é o melhor caminho para quem busca um cargo de gestão. Ele pode fazer diferença na hora em que uma vaga for aberta.

4. Mesmo que não trabalhe no mundo corporativo, o MBA serve se você precisa saber conceitos de Administração.

5. Os cursos de MBA costumam ter aulas mais fáceis de serem conciliadas com uma rotina ativa no mercado de trabalho.

NA PÓS-GRADUAÇÃO

1. A pós-graduação é um bom caminho para jovens que acabaram de se formar na graduação e querem mais bagagem para trabalhar.

2. O tempo mínimo exigido pelo MEC é de 360 horas para a pós. Isso dá, em média, um ano e meio de curso até o certificado

3. Como os cursos de pós não têm nota, é importante procurar instituições conceituadas em sua área de atuação.

4. Aproveite o tema que você mais gostou na graduação para buscar uma especialização. Planeje sua carreira a médio prazo.

5. Durante o curso, separe um tempo nos fins de semana para aprofundar os temas trabalhados nas aulas da pós-graduação.

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O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2017 | 05h00

“Sempre gostei de ensinar e a possibilidade de fazer isso no futuro, após um mestrado, atraiu meu interesse. Comecei o curso faz seis meses e agora iniciei em um novo emprego, em uma multinacional de energia solar renovável. Como gerente de regulação, estou trabalhando em uma área mais estratégica da empresa. Assim o mestrado me proporcionou, além da possibilidade de dar aulas no futuro e ter uma renda extra, ter um foco mais estratégico e ver de forma mais ampla como funciona o mercado de energia elétrica e como a economia influencia o setor.

Isso era exatamente o que eu queria, algo mais específico para trabalhar com o mercado de energia elétrica. Escolher esse curso e não o MBA foi uma decisão porque o MBA é lato sensu, (uma formação) mais amplo, e o mestrado é mais stricto, mais aprofundado. Você aprofunda em um tema, uma questão. E acredito que na minha área de trabalho, da energia elétrica, a melhor forma de desenvolver era aprofundando mesmo no mercado e estudando a fundo esse tema.

Então hoje eu consigo ver os benefícios que o mestrado me traz diariamente. Eu já tinha feito uma pós-graduação antes, em Gestão de Negócios. E posso dizer que a pós e o mestrado são completamente diferentes. Eu vejo que na pós tem muito estudo de caso e você acaba fazendo matérias que são completamente separadas.

No mestrado, você estuda pontos com conexão. Uma disciplina é conectada a outra e atividades finais são sempre trabalhos em que você tem de colocar à prova todo o conhecimento que adquiriu ao longo das aulas. É muito mais focado em produção de textos, leitura, relatórios técnicos. Você acaba estudando mais e integrado mais ao que aprende nas matérias.

O mestrado que faço é o chamado “profissional”. E ele atende à carga horária de que eu preciso. Claro que exige uma dedicação. Tenho estudado nos fins de semana. Você acaba tendo de desmarcar uns compromissos com a família e com os amigos. Mas é questão de prioridade” 

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O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2017 | 05h00

“Atualmente sou analista de Marketing pleno e já atuo no segmento faz nove anos. Eu já tinha a graduação e vinha estudando línguas como o inglês e o espanhol, mas sentia a necessidade de transformar minha carreira em algo mais generalista. Como estava sentindo falta de uma bagagem, escolhi o MBA em Gestão Estratégica de Negócios.

Minha rotina acaba sendo bastante cansativa, mas vale a pena porque saio da minha zona de conforto. E sair da zona de conforto, para mim, é fundamental. No meu caso, sendo formado em Publicidade e Propaganda, eu nunca tive um foco tão específico em gestão de pessoas. Esse tipo de coisa me atraiu para o curso, pois está diretamente ligado ao meu objetivo a médio prazo. Outros temas que consigo trabalhar diariamente são relevantes para o momento atual, como inovação, tecnologia e outras áreas relacionadas a essa revolução pela qual estamos passando.

Diria também que um ganho é a possibilidade de trabalhar e conhecer pessoas de áreas totalmente diferentes da minha. Na minha sala existem pessoas que trabalham com mercado financeiro, meios de pagamento.

Acho que fundamental para aproveitar tudo isso é já ter uma certa maturidade. Se eu tivesse emendado o MBA com a faculdade, lá pelos meus 21, 22 anos, eu não estaria aproveitando como estou hoje.

Quem quiser trilhar esse caminho e aproveitar, a dica que eu deixo é planejamento. Não apenas financeiro, mas de saber aonde se quer chegar. O curso consegue me colocar em uma rota avançada no ambiente corporativo. Começa a me dar base, até mesmo para eu realizar um sonho futuro que é entre oito a dez anos empreender. E fazer isso com conhecimento, sem ser um aventureiro. 

Hoje, então, eu já estou me preparando para no futuro assumir um cargo de gestão onde eu estiver. Meu objetivo é ser lembrado quando surgirem as próximas oportunidades. A minha linha de raciocínio é me preparar para subir, e não, quando subir, me preparar.” 

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O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2017 | 05h00

"Fazer uma pós-graduação não me trouxe só conhecimento, me arrumou um novo emprego. Sou formado em Publicidade e Propaganda pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e comecei a pós em 2016. Eu tinha 23 anos e estava em uma fase de maturação da minha carreira.

Era analista júnior em uma empresa. A crise fez com que os funcionários tivessem que desempenhar mais funções do que normalmente fariam, e eu comecei a ter uma demanda mais da área de Negócios. Eu precisava de uma especialização. Quando abriu essa pós-graduação que misturava Finanças com um pouco da área de Humanas, achei que se encaixava nas minhas necessidades.

Hoje, formado, eu não trabalho mais como publicitário. Gostei tanto que hoje estou no campo de Finanças. O foco maior no tema que a pós-graduação me proporcionou me fez mudar de área. Talvez essa experiência só pôde ser proporcionada pela pós. Eu até cheguei a pensar em fazer um MBA, mas pesquisando vi que tem um foco diferente. Eles buscam mais pessoas com experiência na carreira.

Ou pelo menos mais experiência do que eu tinha na época. O mestrado também era uma opção, só que percebi que queria e precisava de um foco maior nos negócios, enquanto o mestrado, mesmo o profissional, tem uma olhar mais direcionada para pesquisa e academia, o que não era o que eu queria para meu futuro.

Então essa diversificação maior foi minha principal conquista ao optar pela pós-graduação. Eu também tive um aumento de networking importante. Ganhei principalmente uma visão mais holística do negócio, contatos com várias áreas, advogados, economistas. Você acaba não pensando mais só na sua área, o que é bom do ponto de vista de empresa.

Minha única reclamação é em relação ao preço. São aulas duas, no máximo três vezes por semana, o que é bom porque dá para conciliar com o trabalho. Mas achei caro o preço, cerca de R$ 1.300. Apesar dos profissionais excelentes que dão aula, acho que poderia ser mais barato pelo período de aulas, que é de no máximo dois anos.” 

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