Arquivo pessoal
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Como passei nas escolas top

Os segredos de cinco brasileiros aceitos em programas na elite universitária americana

Carlos Lordelo e Cristiane Nascimento, especial para Estadão.edu,

25 Junho 2012 | 22h47

André Danila passou pela Poli e pela École des Mines de Paris. Próximo destino: Harvard.

André embarca em agosto para os EUA, onde fará um MBA em Harvard. O consultor, de apenas 26 anos, foi aprovado em outras três escolas de negócios top: Stanford, Columbia e MIT. Ele atribui seu sucesso ao empenho que teve ao preencher os questionários das universidades. “Não é um trabalho simples”, afirma. “É preciso destacar as histórias certas para cada uma das proposições dadas pelas escolas.” Para essa etapa, André contou com o auxílio de um consultor de RH.

No caso específico de Harvard, André teve de contar histórias de sucesso, de fracasso, expor os motivos que o levaram a buscar um MBA e, por fim, responder a uma questão que não lhe fora feita. Em meio às cenas de sucesso, por exemplo, ele relatou sua participação em um programa de tutoria durante a faculdade, quando ajudou um adolescente com problemas de socialização. Passada a etapa das entrevistas, viu-se sob um dilema: tinha de escolher entre quatro das melhores universidades do mundo. A tradição de Harvard acabou pesando, bem como a tradição da universidade nos estudos de caso – técnica criada em Harvard que se espalhou pelo mundo. “O método é um treinamento prático para o mercado de trabalho e foi isso que me atraiu.”

 

Daniela Bouissou, médica formada pela Federal de Minas Gerais, fez MBA em Stanford

Daniela foi a Stanford pela primeira vez em 1998, para acompanhar a irmã que queria estudar lá. “Me senti muito conectada à escola”, diz. Mas foi só em 2005 que a mineira, angustiada com a profissão, resolveu pesquisar sobre MBAs – e Stanford surgiu como opção natural (e uma meta). Guiada por uma consultora, Daniela estudou para o Gmat e preparou o application. No essay, recorreu a um expediente que não sugere a outros candidatos: disse que amava a Medicina, mas não sabia que carreira seguir após o MBA e esperava encontrar no curso as ferramentas para dar novo rumo à sua paixão. Funcionou. Hoje ela é sócia de uma startup de marcação online de consultas médicas.

 

Lucas Sancassani é formado pela Poli e acaba de embarcar para NY, onde fará MBA em Columbia

Pelos próximos dois anos, o gerente de Produtos do Itaú vai residir em Nova York. Patrocinado pela empresa, Lucas fará um MBA na Columbia Business School.

O engenheiro acredita que o grande segredo para se sair bem nos processos de admissão está na avaliação prévia das escolas antes do início dos applications. Sites, alunos e ex-alunos costumam ser boas fontes. “Visitar as instituições e ter a oportunidade de assistir às aulas também é interessante”, diz. Na sua opinião, o método permite descobrir quais escolas têm o perfil almejado.

A seu ver, Columbia busca mais do que bons profissionais com forte histórico acadêmico. “É preciso também ser engajado e estar apto a aproveitar a experiência cultural que a cidade oferece”, diz. Com estas informações de antemão, Lucas sabia exatamente o que deveria destacar nos essays e na entrevista. Foi o que fez. “Em certo momento, senti que o entrevistador enxergou o brilho nos olhos de quem realmente queria estar ali.”

 

Jorge Manso, economista formado pela Federal do Rio de Janeiro, faz MBA no MIT, em Cambridge

Cursar um MBA no exterior fazia parte dos planos de Jorge antes mesmo de ele entrar na faculdade. A ansiedade era tanta que, menos de dois anos após a conclusão do curso de Economia, o jovem já tinha dado início aos processos de admissão nas escolas. “Tinha feito estágio durante a faculdade e julgava que já reunia um conhecimento profissional significativo”, diz.

Em meio ao processo de seleção Jorge teve uma atitude atípica: durante a entrevista com uma representante do próprio MIT, o candidato disparou uma série de perguntas sobre o programa para a entrevistadora.

“Minha intuição me dizia que tinha ido bem, justamente por estar levando adiante aquela conversa que se estendeu por um tempo acima da média”, diz.

Neury Freitas fez Engenharia de Computação na Poli e agora vai para Chicago

Com 750 pontos no Gmat, o engenheiro Neury Freitas foi aceito nos MBAs de Tuck, Columbia e Chicago. Ele fez questão de conhecer os câmpus para decidir onde estudar. “Adorei Tuck, me apaixonei por Columbia, mas vi que meu lugar era em Chicago”, diz. “O fit cultural fez a diferença, e minha esposa também gostou da cidade.”

Neury viaja em agosto para o curso, que será financiado por sua empresa, a consultoria Roland Berger. A expectativa é alta. “Na faculdade, fiz intercâmbio de 18 meses na Alemanha. Foi o melhor período de minha vida. Com certeza os próximos dois anos vão superar essa experiência da graduação.”

O engenheiro tinha curiosidade de fazer um MBA desde os tempos de Poli. A vontade tornou-se necessidade quando ele começou a trabalhar com consultoria de negócios. “Preciso fechar os gaps da minha formação com uma visão de negócios mais pragmática”, conta. A oportunidade de conhecer gente do mundo inteiro também o anima. “Quero ter esta vivência novamente, agora em outro ponto de minha vida pessoal e profissional.”

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