Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Como escolher a modalidade ideal de curso de MBA

Conhecer as diversas possibilidades ajuda a decidir qual combina com sua carreira e seu momento de vida

Luiza Pollo, O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2016 | 07h00

A decisão de se dedicar a um curso depois da faculdade não é simples. Quando ele toma tempo, exige estudo e investimento pesado de empenho e dinheiro, então, bater o martelo pode ser ainda mais difícil. Para fazer um MBA bem feito, o profissional precisa dedicar, normalmente, dois dias na semana durante dois anos, além do tempo para estudar em casa e viajar, em alguns casos.

“É preciso analisar o momento pessoal e profissional em que você está”, diz a coach pessoal e profissional Paula Braga, que faz o blog MBA de A a Z no Estado. Por isso, escolher a modalidade que mais se encaixa na vida do aluno em casa e no trabalho é essencial.

Fazer um MBA em Harvard, por exemplo, pode ser o sonho de muita gente, mas não necessariamente a melhor opção para quem tem filhos pequenos ou não pode investir dois anos de tempo e dinheiro. “No exterior, é preciso largar tudo, ‘fechar a lojinha’ e se dedicar full-time”, diz Paula.

Nesses casos, uma alternativa é o MBA sanduíche, em que o aluno faz uma parte do curso em outro país, como ocorre no OneMBA da Fundação Getulio Vargas (FGV). Outra opção para seguir no Brasil mas com acesso a conteúdo e discussões de outros países são as instituições estrangeiras com braço aqui. Um exemplo é a University of Pittsburgh, cuja faculdade de Administração, a Katz, está em São Paulo.

No MBA presencial, é cada vez maior a exigência pela internacionalização, com módulos feitos no exterior. A Saint Paul mantém parceria com universidades estrangeiras e tem professores dessas instituições em um terço das aulas.

Mas, para alguns, os cursos presenciais podem não se encaixar com a rotina. Quem tem horários de trabalho pouco flexíveis ou trabalha no fim de semana, por exemplo, normalmente não consegue conciliar os estudos. Eles também dificilmente são uma possibilidade para quem mora em cidades menores e não pode se deslocar várias vezes no mês. Nesses casos, pode ser mais indicado um curso a distância ou um intensivo, se existir a chance de tirar alguns dias de folga ou licença do trabalho.

Com tanta opção, difícil é não achar um MBA. A Universidade Paulista (Unip), por exemplo, tem cursos de vários perfis. Entre os mais de 40 MBAs, há presenciais (com opção de módulo internacional), a distância e intensivo. “Temos atendimento 100% presencial com o candidato para ajudar na escolha, se necessário. Em todos os câmpus, há palestras com os inscritos em cada MBA, quando os candidatos podem tirar dúvidas”, explica Jesuno Júnior, diretor do Programa de Pós-Graduação Lato Sensu da Unip.

Confira a seguir opções de MBA:


Coppead/UFRJ - MBA Executivo com semana internacional

Inscrição: até 10/02/2017

Início das aulas: Segunda semana de março/2017

Valor: R$ 75.400,00 (preço à vista)

Site: http://www.coppead.ufrj.br


Dom Cabral - Executive MBA aberto

Inscrição: As inscrições ficam abertas enquanto houver vagas. A instituição indica que os alunos se inscrevam com antecedência, pois há um processo seletivo.

Início das aulas: 02/04/2017

Valor: R$ 94.800,00 (previsto para 2017)

Site: https://www.fdc.org.br/


ESPM

Inscrição: até 01/02/2017

Início das aulas: Entre fevereiro e março/2017, dependendo do curso

Valor: De R$ 46.440,00 a R$ 59.220,00

Site: http://www2.espm.br/cursos/pos-graduacao/mba


Fecap

Inscrição: de 10/10/2016 a 18/03/2017

Início das aulas: 18/03/2017 (Os candidatos passam previamente por entrevista com coordenador do curso antes da matrícula)

Valor: R$ 29.000,00 (valor médio dos cursos)

Site: http://www.fecap.br/pos-graduacao/


FGV - OneMBA

Inscrição + Processo seletivo: a partir de 15 de janeiro até final de julho/2017

Início das aulas: Setembro/2017

Valor: Aprovados matriculados até abril: R$ 146.856,00 / Depois de abril: ‎R$ 161.835,00

Site: http://onemba.fgv.br/


FGV - Outros MBAs

Inscrição: novembro/2016 a abril/2017

Início das aulas: março e abril de 2017

Valor: a partir de R$ 26.654,20

Site: http://www.fgv.br/mba/


Insper - MBA Modular Intensivo

Inscrição: Até 15/07/2017 (data de encerramento das matrículas)

Início das aulas: 17/07/2017

Valor: R$58.147,70 à vista

Site: http://www.insper.edu.br/pos-graduacao/mba/


Insper - Outros MBAs

Inscrição: Até 26 ou 26/01/2017 (depende da modalidade)

Início das aulas: 24 ou 27/01/2017  (depende da modalidade)

Valor: R$58.147,70 à vista

Site: http://www.insper.edu.br/pos-graduacao/mba/


Saint Paul

Inscrição: até 05/05/2017

Início das aulas: 15/05/2017

Valor: De R$ 42.999,14 a R$ 55.039,14, dependendo da modalidade do curso. (Valores à vista)

Site: https://www.saintpaul.com.br/mba/


University of Pittsburgh - Katz

Inscrição: até março/2017

Início das aulas: maio/2017

Valor: USD 56.500,00 (aproximadamente R$ 191.000,00)

Site: http://www.business.pitt.edu/katz/emba/locations/saopaulo/

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Luiza Pollo, O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2016 | 07h00

O tipo mais comum de MBA oferecido pelas instituições é o presencial. Aulas em sala, interação com colegas de diferentes backgrounds e discussões cara a cara são alguns dos pontos positivos dessa modalidade. “O fator presencial é um grande laço do contato com a troca de experiências com professores e alunos da turma”, afirma Alexandre Garcia, coordenador do MBA na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap).

Quem quer fazer carreira no Brasil pode se beneficiar também da rede de contatos - o networking, como é chamado na área - com colegas do País. Além disso, o conteúdo com base no mercado brasileiro também é importante. “Os MBAs da FGV (Fundação Getulio Vargas) não ficam nada a dever dos cursos lá de fora. Você tem uma integração com a economia, com a política brasileira e a maneira de gerenciar. Esse conteúdo sobre o Brasil você não vai ter lá, do ponto de vista acadêmico”, explica Paulo Lemos, diretor da FGV Management e responsável por todo o braço de MBAs da instituição no Brasil.

Módulo internacional. Para os alunos que fazem questão de ter uma experiência no exterior, mesmo cursando um MBA no Brasil, há instituições que fazem parcerias com as de outros países ou oferecem opções de cursos extracurriculares no exterior.

Reflexo disso é a Fundação Dom Cabral (FDC), por exemplo. Atualmente, a instituição oferece um módulo opcional na China, mas quer se internacionalizar ainda mais. São seis módulos presenciais no Brasil, com duração de uma semana cada, mas, a partir de 2017, devem ser sete - um deles em inglês, para atrair alunos de outros países e facilitar a ida ao exterior dos participantes brasileiros, explica Carla Arruda, gerente do MBA da Dom Cabral.

Os professores do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppead/UFRJ) fazem treinamento em Harvard. Além disso, a instituição já oferece parcerias internacionais. “Sentimos que a demanda pela internacionalização é cada vez maior. Passamos a fazer uma semana de curso em período integral em universidades parceiras no exterior. Ou o aluno viaja com grande parte da turma ou pode escolher algum lugar mais específico para ir sozinho”, explica Paula Chimenti, vice-diretora de Mestrado do Coppead/UFRJ.

A instituição também oferece a modalidade MBA full-time, que fica mais próxima do que chamamos no Brasil de mestrado, já que exige dedicação em tempo integral e foca em conhecimento científico da área executiva, com base em estudos de caso de Harvard. O curso é ministrado 100% em inglês e tem as exigências de universidades do exterior na candidatura. Os interessados precisam ser graduados em uma universidade reconhecida, apresentar pontuação satisfatória nos testes de proficiência da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Anpad), no Graduate Management Admission Test (Gmat) ou no Test of English as a Foreign Language (Toefl).

Já a Saint Paul tem parceria com a Moody’s Analytics, o New York Institute of Finance e a European School of Management and Technology (ESMT) no programa MBA Executivo Internacional. Um terço das disciplinas é ministrado por professores das instituições parceiras. Essas aulas são em inglês e têm a opção de tradução simultânea.

Nos cursos regulares de MBA da FGV, há a oportunidade de cursar um módulo final no exterior. “Depois de terminar nosso curso, o aluno pode optar pelo período internacional e conhecer como se faz negócios lá fora. A vantagem de estudar aqui é o networking, para quem quer fazer carreira no Brasil”, afirma o diretor da FGV Management.

E, para um networking bem sucedido, é preciso que o aluno participe das aulas, ressalta a coach Paula Braga. Na maior parte das instituições, um dia comum é composto por exposição, estudo e debate de casos reais, vividos pelos executivos que os apresentam. “O professor é mais um mediador do que alguém que fica apenas mostrando slides. Se você vai para a sala de aula, tem de valer a pena para desenvolver uma série de competências que fazem diferença na vida de um gestor”, afirma a vice-diretora de Mestrado do Coopead/UFRJ.

Mas não é porque o executivo optou por um curso presencial que não vai precisar estudar em casa. A carga de leitura e preparação para as aulas costuma ser alta, então é ideal levar isso em conta antes da matrícula. “Entendemos que o aluno tem vida pessoal e profissional. Não adianta entregar oito livros e falar que tem de ler em duas semanas”, pondera Renan Riedel, coordenador acadêmico executivo de Pós-Graduação e MBA da Saint Paul. Uma dica é perguntar na instituição a carga de trabalho que fica por responsabilidade do aluno. 

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Luiza Pollo, O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2016 | 07h00

Para os executivos que ainda não decidiram se querem morar fora, uma boa opção é o MBA sanduíche, na qual parte do curso é feita no exterior. É quase regra entre as instituições de renome no Brasil oferecer uma semana ou mês fora do País. Entretanto, essa opção é normalmente extra, ou seja, o investimento financeiro é maior.

Na Fundação Getulio Vargas (FGV), destaca-se o OneMBA, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (Eaesp). Os alunos que optam por essa formação recebem diploma de quatro instituições estrangeiras, além da instituição brasileira: a Universidade de Xiamen (China), a Rotterdam School of Management (Holanda), a Tecnológico de Monterrey - Egade (México) e a North Carolina at Chapel Hill Kenan-Flager Business School (Estados Unidos).

“São alunos que, se a vida permitisse, fariam carreira nos Estados Unidos ou na Europa. Muitos já passaram da idade de fazer um MBA fora ou têm limitações por causa da família ou trabalho”, explica Marina Heck, coordenadora do OneMBA da FGV-Eaesp.

Pablo Billard, aluno do OneMBA, é brasileiro, mas se mudou para o Panamá quando tinha 10 anos. Cursou Administração de Empresas com ênfase em Marketing e trabalhava na empresa Cinépolis no país da América Central. Quando a empresa decidiu abrir cinemas no Brasil, o profissional foi convidado a se mudar para cá e ser gerente de operações, já que era o único brasileiro na companhia.

Ele queria fazer MBA fora e pesquisou os de Harvard, Stanford, MIT e Kellogs. “Mas comecei a conversar internamente e percebi que não era o momento de me ausentar por dois anos do trabalho.” É exatamente esse o perfil de aluno que faz um MBA sanduíche, explica a coach pessoal e profissional Paula Braga. “É uma boa para quem não pode ou não quer largar a vida no Brasil, mas quer ter acesso à oportunidade internacional. Mesmo que seja mais restrito, o contato com outra cultura e com outros professores, empresas e instituições traz uma perspectiva nova.”

E Billard não se decepcionou. O profissional destaca que os pontos positivos do MBA com experiência internacional são, além da aquisição de conhecimentos e uma reciclagem de conceitos antigos, o networking e o contato com outras culturas. “Nós nos reunimos com empresários, funcionários do governo e com um ex-ministro da Holanda, por exemplo. Isso te faz virar uma pessoa global e te abre a cabeça para o mundo.”

Esse tipo de MBA reúne diversas qualidades das outras modalidades. Experiência fora do País, possibilidade de networking dentro e fora do Brasil, conhecimento do mercado interno e externo, além da troca com alunos diversificados. “Fiz um trabalho com um argentino que mora nos Estados Unidos, uma mexicana, um italiano, um americano e uma chinesa. A gente tem de se reunir por Skype para fazer os trabalhos”, conta Billard.

A diversidade de MBAs no Brasil permite o aluno escolher o que melhor se encaixa com seu perfil, ou até mesmo encontrar um curso que misture elementos de todas as outras modalidades. A coach Paula deixa o recado: “É preciso ver que diferenciais são exigidos na carreira que você busca.” Se o MBA estiver entre eles, analise seu momento de vida, estude as instituições e se prepare com antecedência. 

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Luiza Pollo, O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2016 | 07h00

Para os estudantes que não têm tempo de se dedicar às aulas, algumas instituições têm MBAs intensivos. Normalmente com a mesma carga horária de um curso regular, mas concentrada em curtos períodos, essa modalidade exige dedicação total, além de disciplina para estudar em casa.

Os intensivos podem ser uma boa opção para quem dificilmente consegue conciliar o dia a dia com as aulas, mas pode tirar um período de férias ou licença do trabalho, por exemplo. Como o executivo que faz MBA normalmente está em uma posição de destaque na empresa, muitas vezes tem a autonomia de pedir algumas semanas para se dedicar exclusivamente às aulas.

“Se é difícil se comprometer ou se a pessoa tem muitas responsabilidades familiares ou de trabalho, pode ser uma boa opção. Também quando é difícil focar em um ano compartilhando todas as responsabilidades”, diz Paula Braga, coach pessoal e profissional.

Há ainda a opção de fazer um curso semipresencial, como o intensivo oferecido na Universidade Paulista (Unip). Ao todo, tem duração de seis meses. “A carga horária e a qualidade são as mesmas de todos os nossos cursos. Mas o aluno precisa se dedicar bastante”, afirma Jesuino Júnior, diretor do Programa de Pós-Graduação Lato Sensu da Unip.

Já o Insper tem o MBA modular intensivo. São 21 módulos de uma semana cada, com aulas em período integral, a cada 45 dias. Mais jovem do que a maioria dos colegas, Alice Beck da Silva Marcondes, de 25 anos, explica que decidiu fazer um MBA cedo pois trabalha em uma empresa familiar e se prepara para a sucessão.

Alice mora em Curitiba e procurava uma instituição de renome com um bom curso. “Eu tinha referências muito boas do Insper e queria algo diferenciado. Com esse MBA, consigo programar a logística e o traslado.” A aluna, com formação em Administração e pós-graduação em Marketing, tem flexibilidade na empresa para se ausentar por períodos de uma semana e também se dedica a estudar em casa.

Silvio Laban, coordenador do MBA do Insper, afirma que a instituição destaca esse ponto para todos os estudantes. “Enfatizamos a importância do planejamento. Se o aluno acha que vai dar conta de preparar o conteúdo de um dia para o outro, vai ser difícil. É uma questão de encontrar a melhor forma de distribuir seu planejamento no tempo.”

Público diverso. Outro ponto que merece atenção é o networking. A coach pessoal Paula alerta que, assim como nos cursos a distância, o MBA intensivo exige dedicação extra na hora de fazer bons contatos profissionais. “É difícil criar laços longos em um período tão curto, mas em termos de aprendizado todos têm a possibilidade.”

Os alunos dessa modalidade no Insper, segundo Laban, têm perfis bastante variados. Além dos moradores de São Paulo que optam pelo intensivo por causa da logística, há estudantes de diferentes partes do País. Alice destaca a diversidade como vantagem. “A gente faz trabalhos em grupo por Skype e WhatsApp. A comunicação é bem viável. Acho que o fato de a maioria da turma não ser de São Paulo é um ponto positivo. Há uma troca muito grande.” 

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Luiza Pollo, O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2016 | 03h00

Se o objetivo do estudante é networking, é melhor optar por um curso presencial. Portanto, para quem pretende fazer carreira no exterior, nada melhor do que escolher um MBA no país de interesse.

Nesses casos, no entanto, a coach pessoal e profissional Paula Braga alerta que o planejamento deve começar mais cedo. “A idade média dos alunos que optam pelo MBA no Brasil é de 34 anos. Nos Estados Unidos é de 27. É preciso pensar no seu momento de carreira comparado ao dos colegas da sala, já que um dos principais ganhos do MBA é o networking.”

De acordo com a especialista, é preciso ter esse plano em mente ao sair da faculdade. Assim, o aluno tem tempo suficiente para encontrar a instituição ideal e se preparar para a seleção no exterior, que costuma ser mais trabalhosa.

O Graduate Management Admission Test (Gmat) é um passo a mais na hora de aplicar para um curso fora. O exame avalia competências para selecionar executivos com perfil de liderança. Segundo Paula, o ideal é começar a estudar um ano antes para garantir uma boa nota na prova.

Mais cobiçadas. Instituições como a Harvard University, o Massachusetts Institute of Technology (MIT), a Princeton University e a Kellogg School of Management (da Northwestern University) são algumas das mais procuradas. Elas exigem, no processo de candidatura, que o aluno escreva redações que justifiquem a escolha por um MBA especificamente naquela universidade.

Por isso, Paula orienta que o executivo entenda a proposta da instituição e saiba com segurança o que pretende atingir no curso. Uma única redação para todas as instituições não será suficiente. É preciso explicar por que seus objetivos combinam com a proposta daquela universidade específica.

Além do longo processo de candidatura e do planejamento para passar dois anos fora, outra questão que pode pesar em um curso no exterior é o custo. Alguns MBAs podem chegar a US$ 200 mil. As universidades costumam oferecer financiamento, opções diferentes de pagamento ou mesmo bolsas de estudo. Mas, antes de se candidatar, vale a pena estudar as possibilidades de cada instituição para não desperdiçar tempo e dinheiro.

O retorno financeiro também não é garantido. Segundo Paula, para garantir um bom aproveitamento, é preciso focar na oportunidade de fazer contato com executivos de grandes empresas no mundo todo. “Não é super fácil. É importante fazer uma reflexão anterior. Mas, se o aluno sabe o que quer, desde o primeiro dia vai fazer networking, vai muito além do estudo de conteúdo.”

Uma opção pode ser os cursos de universidades estrangeiras no Brasil. A Katz, faculdade de Administração da University of Pittsburgh, tem MBA em São Paulo. Os professores são da instituição, as aulas, todas em inglês. Em quatro momentos, todos os alunos têm aulas em conjunto em algum lugar do mundo. Além de Estados Unidos e do Brasil, países como a China estão no roteiro.

“Na última turma, 20% dos alunos se mudaram para fora do País. Acaba sendo uma preparação para os executivos terem uma visão internacional e assumirem responsabilidades em qualquer lugar do mundo”, diz Karla Alcides, diretora do EMBA (MBA Executivo) da University of Pittsburgh na América do Sul.

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Luiza Pollo, O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2016 | 03h00

Nesta modalidade, o protagonismo é totalmente do aluno. O MBA a distância (EAD) exige disciplina e dedicação, já que a obrigação do estudo não tem hora marcada. Enquanto algumas instituições oferecem aulas em horários específicos, outras mantêm o conteúdo gravado pelos professores para que o estudante assista quando puder.

“Em termos de conteúdo, um MBA online faz sentido. Às vezes mesmo o presencial na sua própria cidade é corrido”, explica a coach Paula Braga. Foi o que aconteceu com Camélia Rossi, aluna do MBA em Marketing de Negócios na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Ela optou pela modalidade EAD porque queria estudar em uma instituição de renome, mas não conseguiria encaixar aulas presenciais. “Por conta da minha carga horária seria difícil me deslocar, mesmo em cursos só às quintas e sextas-feiras. Mais de uma vez, já assisti aulas no aeroporto, esperando voo.”

O online, no entanto, não é indicado para todos. “A orientação para escolher um curso a distância vai além da possibilidade de se deslocar até o lugar das aulas. É uma questão de perfil. O aluno precisa ter uma disciplina muito grande porque é gestor de seu próprio estudo”, explica Tatsuo Iwata, pró-reitor de Pós-Graduação Lato Sensu, Extensão e Educação Executiva da ESPM.

Além disso, a coach Paula alerta que é importante ficar atento em como fazer contatos. “O que se perde, muitas vezes, é a questão da troca. Tanto de ser uma discussão menos natural, quanto fazer trabalhos em grupo a distância. Você perde no networking.”

As instituições, no entanto, ponderam que as plataformas de estudo online possibilitam discussões em tempo real ou a qualquer momento. Quem oferece cursos a distância defende que isso pode até ser um fator positivo, já que as conversas não ficam restritas ao tempo presencial de aula.

A diversidade de alunos também costuma ser maior, já que não há limitação geográfica. “Os projetos em grupo, por exemplo, são desenvolvidos por pessoas que estão em pontos diferentes do País”, explica Iwata, da ESPM.

Mary Kimiko Guimarães Murashima, diretora de soluções online da Fundação Getulio Vargas (FGV), concorda. “Justamente por ser online, favorece o desenvolvimento de competências fundamentais para o mercado de trabalho. Resiliência, pensamento crítico, liderança e trabalho em equipe são favorecidos, pois podemos formar equipes independente da área ou localidade.”

Segundo Mary, a metodologia do EAD na FGV é um fator importante na formação dessas competências. A fundação não oferece um curso convencional, só com aulas, debates e avaliações. A plataforma online foi customizada e transformada no jogo Alternate Reality Goals - ARGo, ou metas de realidade alternativa, em uma tradução livre.

Nele, os alunos trabalham em uma empresa fictícia, que tem até elementos pelas redes sociais. Há uma competição entre grupos para criar um plano e soluções para que a multinacional entre no Brasil. Durante o jogo, a empresa encontra problemas e desafios. “Não trabalhamos apenas as competências técnicas, mas também a interação, uma ‘liga’ entre os participantes”, afirma Mary. 

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