Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Como continuar na faculdade sem dívidas e sem a ajuda do Fies

Estudantes que tiveram o benefício negado devem procurar auxílio na instituição de ensino superior; conheça financiamentos

Ana Carolina Neira, Especial para o Estado

26 Janeiro 2016 | 03h00

As mudanças realizadas pelo governo federal no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) pegaram muitos estudantes de surpresa. Com vagas limitadas e juros mais altos – de 3,4% para 6,5% –, quem contava com o benefício e ficou de fora do programa teve de buscar alternativas para não desistir da faculdade.

Foi o que aconteceu com a estudante Camila Brandão, de 26 anos, aluna do curso de Direito da Estácio de Sá. Formada em Turismo, ela deixou um emprego na área para fazer estágio em advocacia no início do ano passado, o que provocou uma queda em sua renda mensal. A saída foi buscar auxílio na própria faculdade após ter o Fies negado duas vezes.

“O limite de benefícios para a minha faculdade foi atingido e eu não tinha mais como pagar a mensalidade de R$ 900.” Camila chegou a cogitar fazer um empréstimo bancário. “Mas antes procurei a coordenação do curso e expliquei minha situação. Me sugeriram o Crédito Pra Valer e eu aceitei.”

O Crédito Pra Valer é oferecido em parceria com a universidade, permitindo que o estudante pague apenas 50% da mensalidade, sem juros. O restante da dívida é pago após a formatura. Um aluno de Publicidade, por exemplo, que contratar o crédito por toda a graduação, pagará metade do valor mensal do curso durante os quatro anos de duração. Após o término, ainda terá outros quatro anos para quitar o restante.

O técnico em Mecânica Anderson Carneiro, de 30 anos, também precisou de ajuda para continuar estudando. Ele iniciou o curso de Engenharia Mecânica na Faculdade Anhanguera há um ano, contando com o benefício do Fies. Com as vagas esgotadas, Carneiro pensou que teria de desistir do curso.

“Procurei a faculdade para saber se havia solução e fizeram a proposta de pagar 10% do valor da mensalidade todos os meses e quitar o restante só quando me formar.” 

Casado, pai de duas filhas e pagando aluguel, ele chegou a ficar quatro meses desempregado no ano passado. “Se não fosse a proposta da Anhanguera eu teria desistido e esperado outra oportunidade, não tinha mais o que fazer.”

Carneiro afirma que continuará tentando o Fies e planeja solicitar uma bolsa de estudos à faculdade, na tentativa de diminuir as despesas. “Foi um banho de água fria, mas não posso desanimar.”

No caminho certo. Camila e Carneiro fizeram boas escolhas para continuar estudando, de acordo com a professora de Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV) Myrian Lund. Para ela, o primeiro passo do aluno que não consegue arcar com as mensalidades é procurar a própria instituição em busca de auxílio.

“Tem de explicar a situação e ver se há alternativa. Existem faculdades que fazem acordo, reduzem a mensalidade, deixam o estudante ficar alguns meses sem pagar para acertar essa dívida depois.” 

Myrian diz que é preciso empenho na hora de buscar ajuda. “Não temos o hábito de negociar, mas é importante fazer isso. Caso não consiga nada na própria faculdade, aí sim deve procurar algo fora dela.” A professora cita oportunidades como bolsa de monitoria ou pesquisa entre as opções para o aluno que não consegue pagar as mensalidades.

Quem pensa em pedir empréstimo no banco deve ter cuidado. “Geralmente não vale a pena, a menos que seja com juros muito baixos e sem carência.” Myriam aponta as dificuldades típicas de quem acaba a faculdade para aqueles que cogitam acumular a dívida e fazer um empréstimo para pagá-las ao final do curso. “Quando o aluno se forma precisa de um tempo para conseguir emprego. A pessoa precisa lembrar que é um endividamento ao qual ficará presa.”

Trocar para uma faculdade mais barata também não é aconselhável. “Largar uma boa instituição por outra de pior qualidade porque a mensalidade custa menos não adianta. Depois esse aluno não vai conseguir um bom emprego e continuará com problemas financeiros.” 

SERVIÇO

Crédito Bradesco Universitário

Como funciona: É possível financiar até 100% de cada semestre em 12 parcelas. As taxas de juros variam conforme convênio entre o banco e a faculdade. Não é necessário fiador.

Quem pode utilizar: Correntistas Bradesco com idade mínima de 18 anos. O contrato pode ser em nome do responsável legal, caso o universitário seja menor de idade.

Requisitos: O responsável pelo contrato não pode estar com o nome na lista dos órgãos de restrição ao crédito.

Crédito Pra Valer

Como funciona: As mensalidades são financiadas e pagas em parcelas. É possível financiar débitos em atraso. Os interessados devem verificar se a faculdade em que estudam está entre as instituições parceiras e preencher o cadastro no site e, caso aprovado pela análise de crédito, continuar o processo de contratação. O financiamento pode ser pago em duas ou 2,5 vezes o tempo total da graduação.

Quem pode utilizar: Alunos matriculados em cursos de graduação de uma das instituições parceiras. 

Requisitos: Deve ser comprovado renda mínima de pelo menos 2,5 vezes o valor da mensalidade, que pode ser composta pelos rendimentos do estudante e do fiador. Ambos não podem estar com o nome na lista dos órgãos de restrição ao crédito. 

Programa de Parcelamento Privado (PEP)

Como funciona: Programa de 

parcelamento sem juros para os cursos de graduação das faculdades do grupo Kroton. No PEP 30, o aluno paga 30% do valor da mensalidade no início do curso. No PEP 50 o estudante paga metade do preço das mensalidades e tem a outra parte financiada.

Quem pode utilizar: Todos os alunos das instituições de ensino superior do grupo Kroton.

Requisitos: Sob consulta. 

Programa de Parcelamento Estudantil Senac

Como funciona: É possível conseguir parcelamento de 50% ou 80% das mensalidades. 

Quem pode utilizar: Alunos dos cursos presenciais com início no primeiro semestre de 2016.

Requisitos: Os candidatos aprovados no processo seletivo devem comprovar renda familiar de até quatro salários mínimos.

Universidade Presbiteriana Mackenzie

Como funciona: O instituto responsável pela faculdade realiza atendimentos individuais para auxiliar alunos que ficaram sem o Fies. A faculdade oferece financiamento próprio de 50% do valor das mensalidades sem juros. 

Quem pode utilizar: Todos os alunos dos cursos de graduação do Mackenzie.

Requisitos: É necessário um fiador com vínculo empregatício e renda 1,5 vezes maior que o valor da parcela financiada.

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