Werther Santana/Estadão - 28/03/22
Werther Santana/Estadão - 28/03/22
Imagem Rosely Sayão
Colunista
Rosely Sayão
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Como a pandemia afetou os mais jovens

Eles estão ansiosos, angustiados, alguns agitados e outros apáticos; a pandemia, com todas as suas consequências pessoais, familiares e sociais, provocou um grande impacto psicológico especialmente em crianças e adolescentes

Rosely Sayão, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2022 | 05h00

Temos tido notícias recentes de situações violentas em escolas. Além desses fatos, professores têm relatado que, diariamente, enfrentam comportamentos agressivos de alunos, apatia em relação ao aprendizado, “preguiça” de realizar as tarefas propostas, situações de chacotas entre alunos, transgressões de regras da sala de aula e da escola, pedidos constantes para sair da sala etc.

Como exemplos, cito um aluno que se desesperou por ter chegado atrasado em uma aula e de outro que se recusou a realizar qualquer atividade proposta em sala de aula. As idades variam muito: desde alunos da educação infantil até os do ensino médio.

Muitas famílias também têm enfrentado situações difíceis com filhos de todas as idades. Sono agitado, irritação intensa, dor de barriga constante, conflitos agressivos entre os irmãos, discussões com os pais e recusa em atendê-los são só alguns exemplos.

Precisamos reconhecer que a pandemia e o longo período em que crianças e adolescentes ficaram afastados da escola e de parte da família e convivendo 24 horas por dia com todos em casa afetou-os profundamente. Eles estão ansiosos, angustiados, alguns agitados e outros apáticos. Enfim: a pandemia, com todas as suas consequências pessoais, familiares e sociais, provocou um grande impacto psicológico em todos, especialmente em crianças e adolescentes, já que eles têm menos recursos pessoais para lidar com toda a complexidade enfrentada. E a pandemia ainda está em curso, é bom lembrar.

Um grande número deles sofre com estresse pós-traumático, uma expressão que tem frequentado a vida social. Mas o que ela significa? Quando alguém enfrenta uma situação de muita pressão, risco para a vida dela, de familiares e de pessoas próximas e não tem nenhuma resposta a oferecer, ela pode desenvolver ansiedade intensa, distúrbio que recebeu o nome de estresse pós-traumático.

Os sintomas podem ser físicos, sociais e emocionais, o que tem sido observado em jovens e também em adultos. O contato com a natureza, o cuidado com bichos de estimação para quem os tiver, as artes em geral, atividades interessantes que gostem são alguns exemplos que podem ajudar. O fundamental é a amorosidade no trato com os filhos, o que não significa aceitar tudo o que dizem e fazem. Firmeza e autoridade podem vir com doçura e amorosidade.

Alguns casos precisarão de auxílio profissional. Conhecer bem o filho ajuda bastante a saber se está na hora de buscar essa ajuda.

*É PSICÓLOGA, CONSULTORA EDUCACIONAL E AUTORA DO LIVRO EDUCAÇÃO SEM BLÁ-BLÁ-BLÁ

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.