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Comissão da Assembleia rejeita projetos do Escola sem Partido

Para deputados, ideia é inconstitucional; Nalini diz que proposta é inócua e compromete espírito crítico de alunos

Isabela Palhares e Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

17 Agosto 2016 | 03h39
Atualizado 17 Agosto 2016 | 17h31

A Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de São Paulo rejeitou nesta terça-feira, 16, dois projetos de lei que tramitam na Casa para instituir no Estado o programa do grupo Escola sem Partido, que restringe a liberdade de cátedra e prevê a criação de canais de denúncia e a instalação de cartazes nas escolas para impedir que professores expressem opiniões políticas e religiosas em sala de aula. As propostas foram apresentadas por dois deputados, Luiz Fernando Machado (PSDB) e José Bittencourt (PSD), em projetos diferentes, mas com textos iguais. 

Os projetos ainda seguem para aprovação da Comissão de Finanças e depois para a votação em plenário. Mas entidades estudantis, como a União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), comemoraram nesta terça a decisão contrária ao que chamam de “Lei da Mordaça”. 

O relatório apresentado pela Comissão de Educação, de autoria do deputado Carlos Giannazi (PSOL),  foi aprovado por unanimidade. Para ele, a proposta é inconstitucional, “tendo, inclusive, motivado a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão a emitir nota técnica em que diz que o programa coloca o professor sob constante vigilância”.

“Os argumentos escusos, autoritários e ideologicamente comprometidos, uma verdadeira tolice intelectual sob a falsa pretensão de uma ‘escola sem partido’ vêm contaminando o universo da educação e desviando a discussão de seus reais problemas”, diz o relatório. 

Contrário ao Escola sem Partido, o secretário estadual da Educação, José Renato Nalini, criticou nesta terça o projeto. Segundo ele, a discussão é “inócua porque a Constituição assegura liberdade de expressão e de pensamento”. Nalini disse que a proposta vai “blindar e homogeneizar as escolas, comprometendo o espírito crítico dos alunos”. Para o secretário, em sala de aula, é “impossível não abordar algo que seja polêmico”. 

“Queremos, sim, que o aluno tenha espírito crítico, ouça todas as opiniões e escolha a que melhor convier com a sua preferência, seu talento, sua etnia e sua origem. Ninguém quer escola blindada, escola homogênea. Homogeneidade é característica de formigueiro e colmeia, não é de espécie humana.”

Projetos de lei do Escola sem Partido, idealizado para combater uma suposta doutrinação de esquerda que professores praticariam nas escolas, também tramitam no Congresso e em outras seis Assembleias Legislativas. Quase todos reproduzem o texto do programa que veda o ensino de “conteúdo que possa estar em conflito com as convicções religiosas ou morais dos pais e responsáveis”. 

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