Comer pouco e evitar o jejum ajuda a errar menos

Trocar o almoço por um lanchinho rápido, sair para o cursinho sem tomar nem sequer um copo de leite e exagerar no chocolate. Atire a primeira bolacha quem nunca fez nenhuma dessas traquinagens por pura ansiedade ou para ganhar uma horinha a mais de estudo ? ou de sono. Esses maus hábitos alimentares podem provocar problemas de memória, dificuldade de concentração e um cansaço sem fim. E quem quer ter esse tipo de incômodo tão perto da tão esperada prova da Fuvest? ?O vestibulando é como um atleta. Não em termos de gasto calórico, é claro, mas na necessidade de se alimentar de forma qualitativa?, afirma a nutricionista Claudia Juzwiak, da Unifesp. ?É preciso fazer dos carboidratos a base da alimentação, ingerir pouca gordura, comer itens que garantam as vitaminas, os minerais e as proteínas de que o corpo necessita.? A importância dos carboidratos, por exemplo, é inegável para o bom funcionamento do cérebro. ?É o principal alimento cerebral?, explica a nutricionista, que analisou a dieta de três vestibulandos, a pedido do Estado. ?Tanto que o Instituto Nacional de Medicina dos Estados Unidos recomenda a ingestão diária de pelo menos 130 gramas de carboidratos.? Uma boa notícia é que alguns alimentos podem ajudar você a manter em dia a memória, a concentração e até o humor. Ovos, couve-flor e fígado bovino, por exemplo, são boas fontes de colina, fundamental para deixar a sua memória preparada para guardar as inúmeras fórmulas de matemática, química e física. O salmão e a sardinha, por sua vez, são ricos em ômega 3, cuja deficiência no organismo causa alteração cognitiva até depressão. Comer mal é ruim, assim como ficar em jejum prolongado. ?Pesquisa feita com estudantes de 9 a 11 anos, que pode ser aplicada para adolescentes, revelou que quem fica muito tempo sem comer tem menos memória e mais dificuldade de estabelecer diferenças?, diz Claudia. ?Também foi verificado aumento no número de erros cometidos pelos alunos.? A nutricionista recomenda que os vestibulandos façam vários lanchinhos no decorrer do dia. De acordo com ela, as barrinhas de cereal e as frutas são os alimentos mais adequados. Um pedacinho de chocolate ajuda, por ser uma fonte concentrada de energia. Só não vale exagerar. A guloseima foi uma das responsáveis pelos dez quilos adquiridos pela estudante Ana Paula Cavalini Ferreira, de 20 anos, que sonha com uma vaga no curso de Medicina. Neste ano de estudos redobrados, ela passou dos habituais 58 quilos para quase 70. ?Estou muito nervosa e como compulsivamente?, diz Ana, que devora praticamente um pacote de bolacha de chocolate por dia. No almoço e jantar, arroz, feijão e alguns inimigos da dieta saudável: carne de hambúrguer, ovo frito e nuggets. "Todo intervalo tem alguém que corre para a lanchonete e pega um salgadinho?, conta o chefe dos monitores do Cursinho Anglo, Odoro dos Anjos, conhecido como Pelé nos seus quase 40 anos de trabalho com vestibulandos. Ele já cansou de ver estudantes começarem o ano com um peso e acabarem com muitos quilinhos a mais ou a menos. O segredo para fugir dessas duas situações é, mais uma vez, tomar cuidado com a alimentação. Essa dica vale tanto para o dia-a-dia quanto para a hora das provas. Recomenda-se que o vestibulando entre em sala de aula bem alimentado e leve na mochila lanchinhos e água.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.