Começam as eleições na UFRJ

A comunidade acadêmica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a maior do País com 60 mil pessoas, começa a escolher nesta segunda-feira o nome de seu novo reitor. É a primeira vez, desde 1986, que a eleição é paritária ? que o voto de estudantes, servidores e professores têm o mesmo peso.A consulta foi antecipada em mais de três anos por causa da saída do economista Carlos Lessa. Empossado no ano passado, ele ficou seis meses no cargo e pediu licença para assumir a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).A disputa se concentra entre o vice-reitor Sérgio Fracalanzza, 52 anos, decano do Centro de Ciências da Saúde e Aloisio Teixeira, 58 anos, professor do Instituto de Economia. Há um terceiro candidato, Luis Eduardo Poscht, da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis.Os três têm pela frente o desafio de solucionar problemas crônicos da UFRJ, como a falta de funcionários e deficiências na infraestrutura, aliados à situação de insegurança que, nos últimos meses, causou a suspensão de aulas e levou pânico ao campus do Fundão, na Ilha do Governador, na zona oeste da cidade.A consulta à comunidade acadêmica é apenas o primeiro passo da escolha do novo reitor. Depois do resultado da eleição, que vai ser divulgado nesta sexta-feira, o colégio eleitoral da UFRJ - composto, em sua maioria, por representantes dos professores - decide se referenda ou não o resultado das urnas e faz uma lista tríplice a ser encaminhada ao ministério da Educação.A palavra final é do presidenteA palavra final cabe ao presidente da República, que determina quem vai ser nomeado. Teixeira concorre ao cargo pela segunda vez. Em 1998, foi o mais votado, mas foi preterido pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, que nomeou José Henrique Vilhena, o último da Lista Tríplice.A decisão do governo federal gerou uma crise na instituição: para impedir a posse, alunos e funcionários ocuparam o prédio da reitoria por 45 dias. "Acredito que, desta vez, o mais votado seja nomeado. Até porque o ministro (da Educação, Cristovam Buarque) já declarou isso. Em 98, ganhei e não levei. Agora espero ganhar e levar", diz o economista, que está na UFRJ há 24 anos e conta com o apoio declarado de Carlos Lessa.Fracalanzza também acredita que o candidato mais votado vai ser nomeado. "O Colégio Eleitoral está comprometido com isso e vai referendar o resultado das urnas", diz ele, que está na UFRJ há 29 anos. Diante das deficiências da instituição, promete dar prioridade à área de segurança. Durante os três meses em que ficou à frente da UFRJ como reitor, negociou a instalação de um núcleo da Polícia Federal no campus do Fundão, a ser inaugurado nas próximas semanas.

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