Fiap
Curso de Computação em Nuvem, da Fiap, foi criado na pandemia Fiap

Com uso de nuvens, cursos de tecnologia se fortalecem

Adoção do trabalho remoto na pandemia obrigou empresas a se adaptar ao funcionamento em nuvem

Ocimara Balmant e Alex Gomes, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2021 | 05h00

A necessidade de adoção do trabalho remoto na pandemia significou para muitas empresas uma espécie de ultimato: se adaptar ao funcionamento em nuvem ou fechar as portas. Tal tecnologia, relacionada ao armazenamento de dados em servidores que podem ser acessados em qualquer lugar do globo, é considerada uma das principais ferramentas no processo de digitalização das empresas e organizações. 

Entre as vantagens em geral está a redução de custos em infraestrutura, com a contratação da gestão e uso de servidores avançados. Também facilita escalar a utilização, ou seja, caso a demanda por infraestrutura e tecnologia da empresa aumente basta contratar mais serviços em vez de investir em nova infraestrutura interna.

Em relação aos colaboradores, obtém-se maior acessibilidade e mobilidade para as equipes de trabalho e mais facilidade para tarefas colaborativas que envolvam profissionais de outras cidades ou países. Para quem quer entrar ou se adaptar a esse cenário com mais rapidez, a Fiap oferece o curso tecnólogo em Computação em Nuvem, criado no ano passado exatamente a partir desse cenário de mercado.

A primeira turma começou no início de 2021 e tem aulas que abordam conceitos, técnicas e algoritmos da computação em nuvem; e questões de automação e os aspectos estratégicos dos provedores de nuvem. O conteúdo também trata de gerenciamento de estruturas de Inteligência Artificial como Machine Learning e avaliação das características de performance para serviços de armazenamento.

Com o intuito de aproximar os alunos da realidade do mercado, a Fiap tem parcerias com gigantes de tecnologia, como IBM, Amazon, Google e Microsoft. “Elaboramos desafios com base nas necessidades que as empresas trazem para nós. São projetos nos quais os alunos aplicam seus conhecimentos e entendem na prática as demandas do setor tecnológico”, diz Rafael da Silva Santos, coordenador do curso da Fiap.

Etapas. Para acelerar a entrada dos alunos no mercado, o curso fornece um certificado para cada semestre concluído. A primeira turma está prestes a obter o primeiro, em Cloud Computing Foundation, ou fundamentos em computação em nuvem. As certificações são dadas por meio de testes cujos resultados vêm acompanhados de um selo: bronze, prata ou ouro, que variam conforme o nível de aproveitamento no curso. 

“Hoje temos empresas que já nascem em nuvem e precisam de profissionais extremamente capacitados. Estamos preparados para atender tanto quem está iniciando na área de computação em nuvem como aos formados em outras áreas que lidam com essa nova tecnologia”, complementa Santos. 

Eixos que definem os cursos superiores

  • Ambiente e Saúde 
  • Controle e Processos Industriais
  • Desenvolvimento Educacional e Social
  • Gestão e Negócios
  • Informação e Comunicação
  • Infraestrutura
  • Militar
  • Produção Alimentícia
  • Produção Cultural e Design
  • Produção Industrial
  • Recursos Naturais
  • Segurança
  • Turismo, Hospitalidade e Lazer
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Cursos tecnológicos ligados ao agronegócio são aposta para suprir demanda por profissionais

Participação do setor correspondeu a 26,6% do PIB do Brasil em 2020

Ocimara Balmant e Alex Gomes, Especial para o Estadão

18 de julho de 2021 | 05h00

Um dos segmentos que há décadas impulsiona a economia do País, o agronegócio amplia sua força e demonstra não ter sido tão afetado pelos problemas relacionados à pandemia. Conforme dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o valor do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio cresceu 2,06% em dezembro de 2020 e concluiu o ano com uma expansão recorde de 24,31% em relação a 2019.

Com isso, a participação do setor no PIB do Brasil saltou de 20,5% em 2019 para 26,6% em 2020. Nesse contexto, cursos tecnológicos ligados ao agronegócio são apostas das instituições de ensino superior para suprir as demandas por profissionais alinhados aos avanços.

Na Universidade Paulista (Unip), o Curso Tecnológico de Gestão do Agronegócio, criado em 2014, propõe formar profissionais com domínio dos processos de gestão e das cadeias produtivas do setor, como definir investimentos, avaliar custos e controlar o uso de insumos. Esse tecnólogo pode atuar na prospecção de mercados, na identificação de alternativas de capacitação de recursos; em logística e comercialização dos produtos agrícolas. Outro campo promissor é o mercado futuro de ações, com negociações de contratos de commodities agrícolas (café, soja, milho etc) em bolsa de valores nacional e internacional.

“O Brasil precisa de profissionais familiarizados com o uso de tecnologias modernas na agricultura. Uma de nossas atividades é mostrar aos alunos como o uso de drones pode proporcionar uma agricultura de precisão”, diz Rogério Traballi, coordenador do Curso Tecnológico de Gestão do Agronegócio da Unip. “Temos uma pequena fazenda experimental e, nela, o drone auxilia em monitoramento e obtenção de dados exatos para plantar, colher e irrigar.”

Técnicas. Com a pauta da sustentabilidade ganhando cada vez mais relevância no universo agrícola, o curso da Unip também explora técnicas que buscam melhorar a produtividade com o mínimo impacto ambiental.

Uma delas é a aquaponia, um sistema que mescla o uso da água para o plantio com a criação de peixes. Os excrementos produzidos pelos animais, ricos em nutrientes, são utilizados para alimentar as plantas, ao mesmo tempo em que elas executam uma filtragem da água, que depois é devolvida aos peixes. 

“Viajo bastante a outros países como professor visitante e vejo um interesse grande pela agricultura do Brasil. Mas, infelizmente, temos muito desperdício de recursos naturais e administrações baseadas em achismo”, afirma Traballi. “Queremos mudar esse cenário, estimulando os alunos a terem um espírito empreendedor e inovador, dedicado a pesquisa e desenvolvimento de soluções sustentáveis criativas.”

A busca por um aprimoramento dos processos de gestão foi a principal razão que levou o empresário Edson Pacífico Lopes, de 58 anos, a procurar o curso tecnológico da Unip. Ele é proprietário de uma corretora de seguros de equinos e bovinos, criada em 2002. Com o curso, que fez entre 2016 e 2019, sente que ampliou seus horizontes. “A graduação me ajudou a obter conhecimentos para ir além da parte de produção no agro, e envolver os aspectos comerciais, abrir mais possibilidades de atuação.”

Lopes expandiu seus negócios no ramo agrícola, com produção de grãos e frutas. Resultado de um dos temas de aulas que mais chamaram a sua atenção: o estudo dos problemas de logística do País, uma deficiência histórica do agronegócio que contrasta com a excelência de outros fatores. 

“Impactou bastante ver as diferenças entre o Brasil de dentro e de fora da porteira da fazenda. Por um lado, temos exemplos de ponta em tecnologia e produtividade de grãos e plantações, mas, por outro, um cenário amador de gargalos de transporte e escoamento. Isso faz o agricultor perder muito dinheiro e tem de ser levado em conta em qualquer planejamento de gestão agrícola”, diz o empresário.

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Com duração de dois a três anos, curso tecnológico oferece currículo especializado

Modalidade cresceu 140% entre 2015 e 2019 com interesse de profissionais mais experientes, entre 30 e 44 anos

Ocimara Balmant e Alex Gomes, Especial para o Estadão

18 de julho de 2021 | 05h00

Menos é mais. O bordão usado por profissionais de artes visuais, que trata da redução do uso de recursos para obter resultados mais impactantes, tem eco no universo da educação na graduação tecnológica. A modalidade propõe uma formação mais curta, mas, ao mesmo tempo, currículo mais aprofundado em um tema específico. Normalmente são de dois a três anos de curso, especializado em um campo de trabalho. 

Uma receita que tem dado certo. Levantamento do Semesp, entidade que representa mantenedoras do ensino superior no País, o número de matrículas em graduações tecnológicas cresceu 140% entre 2015 e 2019: saiu de 227.434 para 546.785 alunos. “O crescimento acelerado foi motivado pelo formato a distância (EAD) e pelo interesse de profissionais mais experientes, com idade entre 30 e 44 anos. São pessoas que estão no mercado de trabalho e querem ascender nas carreiras, procurando cursos que são mais focados e rápidos”, afirma Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp. 

De fato, as pesquisas que mostram as tendências da economia servem de bússolas que orientam a oferta de graduações tecnológicas. O estudo Guia Salarial 2021, elaborado pela empresa de recrutamento Robert Half, aponta cinco áreas em alta no mercado de trabalho: tecnologia, saúde, agronegócio, infraestrutura e logística. O setor de tecnologia é considerado a bola da vez. 

Visto como cada vez mais estratégico, trata-se de um segmento nos quais os profissionais são disputados com ofertas salariais cada vez mais atraentes, independentemente da hierarquia profissional. Conforme o guia da Robert Half, profissionais iniciantes, como analistas de sistemas júnior, podem receber entre R$ 4 mil e R$ 7.850. Já quem está com a carreira mais avançada, como gerentes de dados, pode ter ganhos de R$ 18 mil a R$ 36 mil. 

Novos produtos

Três áreas de cursos tecnológicos aquecidas atualmente, segundo o estudo da Robert Half, são saúde, tecnologia e agronegócio. Com a pandemia, saúde ficou ainda mais em evidência. E, além das carreiras mais conhecidas, como a de médicos e enfermeiros, outras categorias profissionais despontam. Profissionais que lidam com desenvolvimento de medicamentos e elaboração de diagnósticos, por exemplo, estão muito requisitados. Têm uma atuação relacionada à biotecnologia, área ligada ao desenvolvimento de produtos com base na manipulação de organismos vivos, com um aproveitamento de recursos da natureza e da própria composição genética dos seres humanos em linhas de pesquisa.

Lançada neste ano, a graduação tecnológica em Biotecnologia da Universidade Metodista de São Paulo responde a essa demanda. Na grade curricular, há temas como biotecnologia aplicada à saúde humana e animal, biotecnologia dos alimentos e gestão em biotecnologia aplicada à saúde e às indústrias. “A formação também oferece projetos de extensão universitária, que possibilitam o desenvolvimento de trabalhos com a comunidade e aplicação prática do que aprende em sala de aula”, diz Valquíria Rossi, diretora do câmpus Planalto, onde o curso é oferecido.

As áreas de atuação são variadas. Além da indústria farmacêutica, o formado em Biotecnologia pode lidar em organizações ligadas ao meio ambiente e à agroindústria. Outra possibilidade promissora é atuar com produção de biocombustíveis, viabilizando inovações para os setores de energia.

Com o avanço tecnológico na saúde, os formados em biotecnologia ganham um campo de atuação como os imaginados em filmes de ficção científica: a bioinformática. O termo se refere a análise de dados biológicos no desenvolvimento de biossensores e demais dispositivos. Há uma interdisciplinaridade com áreas como ciência da computação, estatística e engenharias para analisar e processar dados orgânicos.

Não confunda com curso técnico

Os tecnólogos – também chamados de graduação tecnológica, ou cursos tecnológicos – fazem parte do ensino superior. Assim como bacharelado e licenciatura, os tecnólogos são reconhecidos como graduação e habilitam os concluintes a seguir para outras etapas da educação, entre elas mestrado e doutorado.

Já os cursos técnicos são uma modalidade da educação profissional destinada aos estudantes de ensino médio ou às pessoas que já concluíram essa etapa da educação básica. Possuem legislação própria e diretrizes curriculares específicas e podem ser desenvolvidos de forma articulada com o ensino médio regular, com um currículo integrado e concomitante ou subsequente à conclusão do curso.

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Cada vez mais brasileiros buscam cursos de pós-graduação fora do país

Em muitos casos, o objetivo é continuar a viver fora do Brasil depois da conclusão

Alex Gomes, Especial para o Estadão

18 de julho de 2021 | 05h00

Quando se pensa em estudantes brasileiros indo para o exterior, as imagens mais típicas são do jovem que se desloca por um tempo para aprender um idioma ou do universitário que faz intercâmbio em uma instituição fora do País. Porém, tem um tipo de aluno cada vez mais presente nas salas de embarque internacional nos aeroportos: os matriculados em cursos de pós-graduação no exterior.

Muitos deles com passagens só de ida. É gente que, apesar ou por causa da pandemia, busca oportunidades de trabalho fora do País, utilizando os cursos de pós-graduação como trampolim para a conquista. Para a maioria dos candidatos que sonham em ingressar em pós-graduações de instituições no exterior o primeiro passo é buscar orientação em agências de intercâmbio – uma procura em alta ao longo dos últimos anos.

A Student Travel Bureau (STB) vem registrando um aumento de 25% a 30% por ano desde 2018. Uma tendência de crescimento que se manteve durante a pandemia. “Estudantes que se programavam para começar a estudar em maio de 2020 decidiram no máximo dar início em setembro de 2020 ou janeiro de 2021”, explica Carlos Eduardo Madeira, gerente de Higher Education da agência. “Muitos, inclusive, decidiram iniciar o curso, mesmo que de forma remota, para já se estabelecer nas instituições de ensino”, conta. Com o avanço da vacinação no Brasil. a expectativa é de que restrições à entrada de brasileiros em países estrangeiros diminuam entre o fim deste ano e o próximo. 

A lista de qualificações varia entre as instituições de diferentes países, mas costuma ser bem exigente. Uma forma de se preparar para a seleção, afirma Madeira, é buscar por instituições de ensino estrangeiras que oferecem o pre-master’s programme, que é uma espécie de programa preparatório.

As atividades funcionam como uma ambientação, para que o estudante consiga estar apto a iniciar o curso pretendido. Esses programas abordam temas como escrita acadêmica, escuta ativa, terminologias e o próprio funcionamento do sistema de ensino estrangeiro.

“Quem faz uma graduação no Brasil muitas vezes tem uma grande lacuna de conhecimentos em relação ao que se espera nas pós-graduações estrangeiras. Por isso, as instituições abrem os programas de pre-master com antecedência de nove meses, por exemplo, para o aluno adquirir o inglês acadêmico e suprir as exigências com as quais terá de lidar para tirar o melhor proveito possível da pós.” 

Mudança de vida

O perfil de quem busca uma pós no exterior é variado e, de certa forma, isso influencia na escolha do destino. A maior parte dos brasileiros deseja residir em outro país e mostra predileção por estudar em países como o Canadá e a Austrália, que se mostram mais abertos a conceder vistos de residência permanente. 

Já quem considera voltar ao Brasil depois da conclusão opta por renomadas instituições nos Estados Unidos e no Reino Unido, nas quais o visto estudantil permite que o aluno trabalhe durante o curso e possa arcar com os seus custos.

A compliance officer Priscila Handa Sano, de 42 anos, é um exemplo de quem foi de mala e cuia para o exterior. Em 2018, a brasileira se mudou com o marido e as duas filhas para Toronto e iniciou o curso de pós-graduação Global Business Management no Humber College. 

Formada em Administração de Empresas na Universidade Presbiteriana Mackenzie, com pós-graduação em Gestão: Estratégia de Mercado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Priscila atuou no mercado financeiro e na construção civil. Porém, as oportunidades vislumbradas com a pós realizada no Canadá foram suficientes para convencê-la a investir em uma carreira no exterior. 

“O curso fez parte do meu projeto de vida. Sempre tive a ideia de morar fora e vi uma boa oportunidade de dar um salto em minha carreira com um curso na área de negócios. Além da experiência e dos contatos que fiz, a pós me abriu as portas para eu trabalhar na empresa que estou atualmente”, conta a brasileira.

Priscila agora trabalha em uma empresa que lida com refinaria de ouro e compra e venda de metais preciosos. Além das novas perspectivas profissionais, ela considera os benefícios que obteve para a família, como educação gratuita para as filhas, segurança e boa infraestrutura das cidades. “Sempre botamos na balança a ideia de voltar ao Brasil. A saudade dói um pouco, mas a qualidade de vida e o enriquecimento da carreira são muito fortes”, afirma Priscila.

Lugar dos sonhos

Às vezes a mudança já faz parte de um plano de carreira. A cineasta Amanda Mergulhão Ferrari, de 24 anos, começou a se preparar para partir. Formada em cinema pela Faap em 2019, ela sonha em cursar uma pós em direção cinematográfica nos Estados Unidos. 

A meta é iniciar o curso no segundo semestre de 2022 e, por enquanto, ela tem três instituições em mente: a California Institute of the Arts, em Los Angeles; o College of Motion Picture Arts, ligado à Florida State University; e a New York Film Academy. 

Se tudo ocorrer como planejado, Amanda pretende seguir carreira no gigantesco mercado cinematográfico dos Estados Unidos. Uma das razões, conta ela, é a afinidade que tem com os blockbusters produzidos pelos grandes estúdios norte-americanos. Isso envolve trabalhar em filmes de ação e fantasia, gêneros que Amanda não vê como bastante difundidos no mercado audiovisual brasileiro.

“O tipo de filme que mais gosto é o hollywoodiano. Até sofria bullying na faculdade por não gostar tanto dos filmes de arte europeus. Eu sempre quis ser roteirista e diretora de produções grandiosas e voltadas ao grande público, como os blockbusters”, afirma a cineasta.

Amanda exercita sua veia criativa em filmes que a profissional realiza por conta própria e que já participaram de premiações nacionais e estrangeiras. Um deles foi o média-metragem O Canto do Sabiá, sobre o folclore brasileiro, semifinalista em festivais nos Estados Unidos, na Inglaterra, no Marrocos, na Romênia e na Rússia.

A falta de perspectivas para a área no Brasil, porém, pesou na decisão de fazer a pós-graduação e deixar o País. “Aqui, cinema é um mercado para poucos. E, além disso, vejo essa evasão ocorrer também nas áreas de Saúde e Exatas”, diz Amanda.

Revalidação do diploma

Quem faz um curso de mestrado e doutorado no exterior com a intenção de voltar ao Brasil precisa considerar o processo de reconhecimento do diploma. Isso porque nenhum diploma emitido por universidade estrangeira é automaticamente reconhecido no Brasil. 

Isso se dá em universidades brasileiras, públicas ou privadas, regularmente credenciadas que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos pelo Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG) na mesma área de conhecimento, em nível equivalente ou superior.

Dessa forma, é recomendável que o candidato a uma pós estrangeira pesquise antes em uma instituição nacional com curso semelhante se há ou não a possibilidade de reconhecimento do diploma internacional. 

Outro fator que deve ser considerado é se o curso escolhido resultará na produção de um trabalho de conclusão. Conforme orientações do Portal Carolina Bori (carolinabori.mec.gov.br), seção do site do Ministério da Educação (MEC) que reúne informações para orientar e coordenar o processo de revalidação e reconhecimento de diplomas estrangeiros, a produção de uma tese, uma dissertação ou outro projeto de conclusão é essencial para o reconhecimento do diploma depois no Brasil. Pós estrangeiras que não tenham projetos de conclusão dificilmente terão seus diplomas reconhecidos por aqui.

Preparativos

Bolsa: Considerar se vai precisar de uma bolsa de estudos. Quando a bolsa de estudos é necessária, normalmente se faz duas candidaturas, uma para a universidade e outra para a bolsa

Provas: Estude para os exames de idioma e se prepare para provas como Graduate Management Admission Test (GMAT) ou Graduate Records Examinations (GRE). GMAT é o teste mais popular para admissão em escolas de negócios (MBA). Já o GRE é o mais exigido em programas de pós-graduação acadêmicos.

Seleção: Tenha o histórico acadêmico e o diploma em mãos, com tradução juramentada. Providencie boas cartas de recomendação, um currículo bem organizado e um portfólio – para os cursos criativos. Escreva uma carta de motivação cativante, contando sua trajetória e por que quer fazer o curso neste momento. 

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Canadá está entre os destinos mais buscados por brasileiros para pós-graduação

A demanda é tão expressiva que surgiram agências de intercâmbio exclusivas aos interessados pelo país

Alex Gomes, Especial para o Estadão

18 de julho de 2021 | 05h00

Entre os destinos procurados por estudantes brasileiros para cursar uma pós no exterior, o Canadá sempre figura como um dos países mais desejados. A demanda é tão expressiva que surgiram agências de intercâmbio exclusivas aos interessados pelo país. É o caso da Canadá Intercâmbio, com 12 unidades no Brasil, uma em Toronto e outra em Vancouver. 

“Em nossos atendimentos relacionados ao ensino superior, 60% são para cursos de pós-graduação”, diz Rosa Maria Troes, presidente da Canadá Intercâmbio. “No Canadá, há uma sintonia entre o mercado e as instituições de ensino, de modo que os cursos formam pessoas que provavelmente serão absorvidas para vagas que estão disponíveis.”

De acordo com a especialista, a taxa de empregabilidade para os profissionais pós-graduados no Canadá chega a 80%. “Temos grandes demandas em cursos ligados a negócios – como Marketing, Supply Chain e Recursos Humanos – e a tecnologias, como Cyber Security e Data Analysis. A área financeira é outra que vem se mostrando com altíssima empregabilidade.”

Para quem sonha em fazer as malas e realizar sua pós na terra natal de Celine Dion e Jim Carrey, Rosa Maria deixa dois conselhos fundamentais. O primeiro é estar seguro do inglês. “É preciso ter um inglês bem avançado. Os cursos têm pelo menos 70% de atividades que podem envolver grupos. É preciso saber dissertar e se comunicar de um modo extremamente fluente”, explica a presidente da Canadá Intercâmbio.

E a segunda dica – a mais importante, segundo Rosa Maria – é fazer o que de fato sonha em fazer. “Você estará longe dos amigos, da família e de outros apoios. É essencial estar se dedicando a algo que tenha um significado verdadeiro para a vida”, recomenda. 

A agência de intercâmbio CI viu crescer a busca por pós-graduações no exterior, com aumento de demanda anual de 20% entre os anos de 2018 e 2020. “O perfil dos estudantes passou de um foco inicial em candidatos de graduação para um interesse de jovens profissionais do mercado brasileiro almejando uma carreira internacional”, diz Humberto Costa, diretor da área de admissão internacional no CI. “Os alunos querem morar fora e seguir carreira. São talentos que não pensam em retornar ao Brasil.”

A idade média dos interessados é entre 25 e 35 anos e entre os destinos mais buscados estão Canadá, Irlanda e Alemanha, onde parece haver mais facilidade de posicionamento no mercado de trabalho após a formatura.

A instituição oferece um serviço de mentoria para auxiliar todas as etapas do processo de candidatura. Além de orientação para a escolha da universidade, a agência elabora um cronograma para etapas de seleção, análise das respostas de admissão e bolsas, materiais de apoio como e-books e simulados, raio X acadêmico e financeiro e dá suporte nos primeiros meses de estudo.

Os cursos de pós mais procurados na CI são os de negócios e tecnologia, com destaque para cursos de pós em Ciência em Gestão, na canadense Ryerson University; Transformação Digital, na alemã Cologne Business School; e Engenharia Mecânica, na University of Alabama, nos Estados Unidos.

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'Existe uma diferença imensa entre estudar no exterior e imigrar', diz Andrea Tissenbaum

Para especialista, pós no exterior deve ser vista como uma chance de aliar maturidade profissional a qualificação e mindset internacional

Alex Gomes, Especial para o Estadão

18 de julho de 2021 | 05h00

Por muito tempo, eles foram a geração da moda, vistos como crianças conectadas desde o berço e que priorizavam o bem-estar em vez da corrida por dinheiro, que marcou as gerações dos seus pais e avós. O tempo passou para os millennials, porém, que agora são jovens adultos, com idade entre 27 e 38 anos, e estão angustiados com o futuro.

De acordo com um estudo feito em 2020 pela Deloitte, empresa global de serviços de auditoria, consultoria e assessoria financeira, a principal preocupação de 41% dos millennials brasileiros é não conseguir um trabalho. A pesquisa ouviu 22.928 pessoas em 45 países, abordando os millennials, nascidos entre 1983 e 1994, e a geração Z, que veio ao mundo entre 1995 e 2003.

O estudo mostra um contraste entre as preocupações dos millennials brasileiros e os estrangeiros, que têm como principal motivo de inquietação questões ambientais e relacionadas à sustentabilidade. A apreensão dos millennials brasileiros com o futuro pode ser uma das razões que levam ao aumento da busca por cursos de pós no exterior. Agências de intercâmbio registraram um aumento de 25% a 30% nessa procura por ano desde 2018. 

“Quando parte para a pós fora, o aluno está mais maduro, já tem alguma experiência profissional. Essa qualificação se torna um diferencial. Além disso, tem a possibilidade de fazer um estágio em uma empresa ou organização local, ampliar sua rede e ganhar um mindset internacional tão valorizado no mercado de trabalho”, diz Andrea Tissenbaum, consultora especialista em educação internacional e autora do Blog da Tissen, do Estadão, sobre estudar no exterior.

Ela faz uma ressalva e um alerta. “Existe uma diferença imensa entre estudar no exterior e imigrar. Infelizmente, muita gente começa seu projeto com a ideia de nunca mais voltar para o Brasil. É importante dizer que o cotidiano em outro país muda muito quando o status de estudante internacional termina. A vida perde o glamour e nem sempre é tão fácil quanto se planejou”.

Confira a seguir a entrevista completa com a especialista.

O que é preciso levar em conta ao decidir fazer uma pós fora? 

Ter uma graduação bem-feita aqui no Brasil e alguma experiência profissional, pode ser um estágio, se estiver recém-formado, são quesitos importantes. Além disso, a candidatura deve ser feita conforme as possibilidades e levar em conta o custo de vida e a chance de trabalhar durante o curso para ajudar com as despesas. 

Quais os erros mais comuns ao escolher uma pós no exterior?

O erro mais recorrente é achar que só as instituições mais famosas agregarão valor à formação. Outro erro é não explorar temas paralelos à área de interesse inicial e, por conseguinte, os currículos dos cursos. Há um número imenso de oportunidades fora do Brasil que precisam ser avaliadas, porque podem oferecer uma capacitação profissional que preencherá exatamente o que ele ou ela precisa para se qualificar bem profissionalmente. Dá trabalho, mas vale a pena fazer uma pesquisa exaustiva.

Como escolher a agência de intercâmbio ideal para auxiliar na inserção em uma pós graduação no exterior? E em que situações elas não são necessárias?

Se o aluno vai trabalhar com uma agência em seu processo, o ideal é que possa orientá-lo academicamente e profissionalmente. Falo de ajudar a analisar o currículo do curso, a conhecer o corpo docente e explorar as possibilidades que o programa escolhido abre para desenvolvimento de carreira.Algumas agências representam grupos de universidades de certos países, como Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia. Elas se tornam interessantes porque podem facilitar a conversa do aluno com as instituições de ensino. Outras, especializadas em MBAs e no aprimoramento oferecido pelos programas, especificamente a pessoas com experiência profissional, podem ser excelentes apoios na candidatura. No entanto, os estudantes que desejam seguir carreira acadêmica, como mestrados stricto sensu e doutorados, devem manter um diálogo próximo com professores que os conhecem e já os orientaram. É que nesses casos a escolha do programa estará ligada ao tema da pesquisa que o aluno quer fazer e, por isso, relacionada aos docentes das instituições de ensino internacionais que poderão orientá-lo. 

Existem áreas nas quais uma pós no exterior não tem equivalência no Brasil? Ou seja, áreas nas quais a excelência só pode ser obtida no exterior? 

Nas que envolvem tecnologia, a pós-graduação no exterior tem uma importância indiscutível, não só pelo vasto conhecimento dos pesquisadores, como também pelos equipamentos que o aluno poderá usar. Penso que os mestrados em Biomédicas, Ciências da Computação, Ciências de Dados, Engenharia e Tecnologia da Informação, têm uma excelência incomparável. Nessas áreas, Estados Unidos, Canadá e Reino Unido são as melhores escolhas de destino por concentrarem uma incrível quantidade de profissionais altamente qualificados nas universidades. Ao mesmo tempo, mestrados internacionais em Economia, Negócios, Animação, Games, Cinema e Produção Cultural também oferecem um diferencial imenso aos alunos brasileiros. Novamente nesses casos a riqueza de conhecimento ou produção acadêmica internacional é imbatível. Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Nova Zelândia continuam sendo excelentes destinos e diversas universidades oferecem cursos fabulosos. Nomear os melhores cursos pode levar o aluno a se prender a determinados programas e perder a oportunidade de encontrar qual é o mais adequado a suas necessidades e a seu perfil. Por exemplo, alguns cursos na Europa, como o Master Kinoeyes em Cinema, e alguns mestrados oferecidos pela ESCP Business School levam o aluno a estudar em três ou quatro países. Nessas áreas, a exposição a outras culturas é fundamental para o desenvolvimento profissional. 

Quais são as principais vantagens em buscar uma pós Master’s Degrees no exterior?

O aluno está mais maduro, já tem alguma experiência profissional e nesse momento vai atrás de se especializar em uma determinada área. Essa qualificação, que já é mais avançada, se torna um diferencial que abre portas profissionalmente. Além disso, tem a possibilidade de fazer um estágio em uma empresa ou organização local (oferecido por vários programas), ampliar sua rede e ganhar um mindset internacional tão valorizado no mercado de trabalho.

Que países vêm despontando como destinos mais procurados para fazer uma pós? A China tem atraído esses estudantes, pela expansão de sua influência?

De um modo geral, Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França, Alemanha e Holanda são os países mais procurados. Vale ressaltar que os custos na Europa para um mestrado são bem mais baixos que no restante do mundo e isso é bem atraente para os alunos. A procura pela China e outros países da Ásia ainda é pequena pelos brasileiros, apesar dos programas serem excelentes e haver uma oferta interessante de bolsas. De um modo geral, quando partem para países mais distantes, a Nova Zelândia e a Austrália seguem sendo as preferências.

Apesar de vários alunos de pós desejarem morar no exterior, você vê situações em que o retorno ao Brasil é recomendado?

Existe uma diferença imensa entre estudar no exterior e imigrar. Infelizmente, muita gente começa seu projeto de estudar fora com a ideia de nunca mais voltar para o Brasil. É importante dizer que o cotidiano em outro país muda muito quando o status de estudante internacional termina. Nesse momento, quando a realidade de ser um estrangeiro realmente assenta, a vida perde o glamour e nem sempre é tão fácil quanto se planejou. Penso que na decisão de permanecer no exterior o estudante deve pesar se as condições oferecidas são boas o suficiente ou melhores do que seriam caso decidisse retornar ao Brasil. Ficar em subcondições, sentindo-se isolado ou mesmo excluído da possibilidade de realmente criar uma vida onde possa prosperar como indivíduo e profissionalmente, não é uma boa ideia. Nessas situações, em que a integridade de alguma forma é ameaçada, voltar para o Brasil é recomendável, especialmente porque essa pessoa terá uma rede de contatos internacional e uma formação diferenciada, que poderá abrir portas e alavancar a carreira.

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