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Com Teoria da Resposta ao Item, chute no Enem vale menos

Modelo que verifica acertos no Exame Nacional do Ensino Médio mede o grau de conhecimento e varia do nível fácil ao difícil

Tatiana Cavalcanti, Especial para o Estado

29 Setembro 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Conhecer os métodos de correção das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é fundamental para fazer um teste de modo mais objetivo e consciente, dizem especialistas. A correção das questões de múltipla escolha é feita por meio do sistema chamado Teoria de Resposta ao Item (TRI), em que o valor de cada questão varia conforme o porcentual de acertos e erros do candidato. 

“Funciona como uma espécie de régua, pois a TRI mede o grau de conhecimento do candidato sobre os assuntos da prova do nível mais fácil ao mais difícil. A ideia é quantificar o quanto o aluno sabe”, explica Thiago Dutra de Araújo, professor de Matemática do cursinho Anglo. “A TRI é capaz de analisar se um aluno está ou não chutando, pois avalia a coerência das respostas por meio de estatísticas matemáticas.”

Tom Junior, coordenador pedagógico e professor de Matemática do Cursinho Modelo Educafro, da Rede de Cursinho Comunitários, explica que há questões conectadas. Nesse caso, se o candidato erra um item que muitos acertaram e assinala corretamente a outra correlata, e que poucos acertaram, ele recebe pontuação menor pelo acerto do que receberia se tivesse acertado ambas. “Portanto, não adianta se matar com questões que envolvem conteúdos que não domina, pois, mesmo que o candidato acerte no chute, não terá uma pontuação satisfatória na questão. Esse é o objetivo principal do TRI: tentar identificar o candidato que ‘chuta’ e atribuir notas menores aos seus acertos.”

A dica dos professores é acertar os itens fáceis, pois o modelo da TRI espera uma resposta correta para esses itens e o erro pode afetar significativamente o desempenho.

Redação. O maior temor dos candidatos é zerar a redação, que tem peso grande na nota final do Enem. São poucos os motivos que levam um aluno a ter a dissertação anulada. A nota máxima possível é 1.000, sendo avaliados cinco critérios que valem até 200 pontos cada – saiba como fazer uma boa dissertação do Enem nas páginas 12 e 14.

Cada redação é corrigida por dois professores. A pontuação final é a média entre as notas dadas por eles, explica Ana Paula Dibbern, coordenadora do Cursinho Maximize.

Em caso de divergência maior que 100 pontos entre as notas finais dos dois corretores ou diferença de mais de 80 pontos em qualquer critério analisado, a redação é corrigida por um terceiro professor. “Se a nota dele se aproximar daquela dada por um dos dois primeiros, a média será tirada dessas duas que se aproximam”, diz Ana Paula. Caso ainda haja discrepância, a redação vai para uma banca de três professores para definir a pontuação.

Veja os sete erros que fazem com que o estudante receba zero na redação:

1. Fugir totalmente do tema proposto

2. Fizer inserções no texto que não estejam conectadas com o tema

3. Desobedecer à estrutura dissertativa-argumentativa

4. Desrespeitar os direitos humanos

5. Escrever um texto com até sete linhas

6. Incluir palavrão, xingamento, desenho ou outra forma proposital de anulação

7. Entregar a folha da redação em branco, ainda que tenha escrito no rascunho

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