Werther Santana/AE-15/1/2012
Werther Santana/AE-15/1/2012

Com perguntas diretas, 2.ª prova da Unicamp deu menos trabalho

Professores elogiam exame de ciências humanas, artes e inglês; vestibular termina nesta 3.ª

Carlos Lordelo, do Estadão.edu,

16 Janeiro 2012 | 21h47

SÃO PAULO - Com enunciados curtos e perguntas diretas, as provas do vestibular da Unicamp aplicadas nesta segunda-feira, 16, deram menos trabalho aos estudantes classificados para a etapa final do processo seletivo. Se ontem - quando caíram questões de português, literatura e matemática -  os professores disseram que o tempo foi o maior adversário dos candidatos, hoje a conversa mudou de tom, já que o exame de ciências humanas, artes e inglês exigiu respostas mais objetivas.

 

O diretor pedagógico do cursinho Oficina do Estudante, Célio Tasinafo, diz que ficou aliviado após analisar as provas de hoje. "Pensei que os textos seriam do mesmo tamanho dos de ontem, mas foram menores", afirma. Segundo ele, a única questão do exame de ciências humanas que pode ter surpreendido os alunos foi a 10.ª, sobre noção de cidadania. "Ali ficou difícil porque o texto não ajudava em nada. Ou o aluno sabia ou não conseguiria fazer."

 

Para o coordenador do Anglo, Luis Ricardo Arruda, o exame de hoje estava adequado ao objetivo de selecionar alunos para a Unicamp. "Tem que ter uma dificuldade mesmo, já que os candidatos passaram por uma prova anterior", diz, referindo-se à primeira etapa do vestibular.

 

Em história, não caiu Antiguidade nem o período conhecido com Alta Idade Média. Quase todas as questões foram baseadas em texto, exceto a 7.ª, que trazia uma tabela com informações sobre o perfil do eleitor brasileiro em 1920. Para o professor do Anglo António Carlos da Costa Ramos, a prova foi "inteligente" por ter trabalhado temas como participação política.

 

Na opinião do professor Daily Matos Oliveira, do Objetivo, a Unicamp faz um vestibular que "todo historiador admira" pela maneira como os assuntos são abordados. Mas ele diz que a questão 3 pode ter "criado dificuldade" para os alunos porque perguntava sobre as atividades econômicas de São Paulo especificamente no século 18. "Os alunos hoje em dia são orientados desde o ensino fundamental a não se preocupar com datas. Por isso, talvez não tenham conseguido identificar quais são essas atividades."

 

Em geografia, a banca privilegiou os aspectos ambientais. O que motivou críticas por parte dos professores do Anglo. "Faltaram questões com mapas, tabelas e gráficos e sobre energia, indústria e urbanização", destaca Arruda. "Todo mundo sabe que meio ambiente é o tema da nossa era, mas não podiam ter cobrado tanto assim."

 

Já a professora do Objetivo Vera Antunes elogiou a opção dos examinadores. "Quadro natural é a base da geografia e alicerce da economia", diz. Segundo ela, a Unicamp seguiu o padrão dos anos anteriores: exigiu domínio de conceitos com perguntas diretas. "O aluno não precisava fazer grandes interpretações. O que não deixou a prova menos trabalhosa."

 

André Guibur, que ensina no Cursinho da Poli, afirma que questões conceituais só "parecem bobinhas". "Tem muita gente que não sabe explicar o que é uma bacia hidrográfica."

 

Apesar da prova ser de ciências humanas e artes, não caiu nada sobre este último tema.

 

Inglês

 

As seis questões da prova de língua inglesa, baseadas em textos de gêneros diversos, receberam longos elogios dos docentes.

 

"Todo ano a gente se surpreende com a qualidade fantástica do exame", afirma Cristina Armaganijan, do Objetivo. Segundo ela, a Unicamp busca alunos competentes na língua, capazes de interpretar textos e passar para o papel o que está sendo pedido. "Gostaria que todas as provas de inglês fossem desse nível."

 

Segundo Alahkin de Barros Filho, do Etapa, a Unicamp "foge do padrão" de outros vestibulares, que baseiam o exame de inglês apenas em textos jornalísticos. "Esta prova é impecável e heterogênea", diz. Para o professor, os estudantes que têm o hábito de ler em inglês saem na frente dos demais candidatos.

 

Segunda fase

 

A abstenção neste segundo dia de provas, de 11,7%, foi maior que a de ontem. Dos 16.665 candidatos esperados, 1.955 não compareceram hoje - ontem o índice de faltosos foi de 10,7%.

 

A segunda fase termina amanhã, quando caem 24 questões sobre as ciências da natureza.

 

Os candidatos concorrem a 3.444 vagas em 66 cursos da Unicamp e dois cursos da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp).

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