Daniel Teixeira/ Estadão
Daniel Teixeira/ Estadão

Com pandemia de covid, abstenção da Fuvest sobe e chega a 13,2%

Segundo a Fuvest, 17.210 candidatos deixaram de fazer a primeira fase do vestibular 2021

Andreza Galdeano e Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2021 | 18h48

SÃO PAULO - Em meio à pandemia da covid-19, a primeira fase da Fuvest 2021 registrou abstenção de 13,2%, a maior dos últimos anos. Para professores, a prova seguiu um modelo tradicional, explorou gráficos e questões interdisciplinares, mas com poucos cálculos e sem assuntos polêmicos. O nível de exigência foi considerado “mediano” -- exceto Português, que exigiu mais conhecimento técnico.

Segundo a Fuvest, 17.210 dos 130.678 candidatos faltaram à prova realizada neste domingo, 10. O índice que é praticamente o dobro da taxa da edição anterior, quando 7,9% concorrentes deixaram de fazer a seleção. 

Diretor do Curso Anglo, Daniel Perry analisa que a alta abstenção está relacionada a candidatos que evitam locais fechados por causa do novo coronavírus. “A prova da Fuvest foi muito bem organizada e a segurança necessária para um exame dessas dimensões estava adequada”, diz. “A abstenção foi significadamente maior do que no ano anterior. Esse fenômeno se repetiu na Unicamp e deve acontecer em outros exames, isso por causa dos indicadores pandêmicos que estão assustando as pessoas.”

A primeira fase da Fuvest foi marcada por questões de saúde pública, como a gripe espanhola, e temas atuais, como o comércio mundial. Também explorou elementos mais populares, como redes sociais e a ferramenta de compartilhamento de vídeos curtos TikTok. Nas Exatas, professores afirmam que houve maior cobrança por domínio e interpretação de conceitos -- e menos cálculo.

Em Matemática, questões mais “duras”, como trigonometria ou probabilidade, acabaram de fora. A prova, no entanto, trouxe seis questões envolvendo geometria e até um anunciado que falava de senhas de video-conferência, uma tendência durante a pandemia do novo coronavírus. Química teve perfil parecido, com muito conceito e pouca conta. Já Física explorou assuntos tradicionais, como ondas estacionárias e equação de energia de Einstein.

Para Edmilson Motta, coordenador Geral do Grupo Etapa, os poucos cálculos exigidos podem estar ligados ao cenário da covid, em que os alunos tiveram de estudar a distância. "Houve diversas questões bem diretas e com enunciados simples de entender", afirma."Talvez, haja alguma intencionalidade por conta do contexto para que os candidatos não façam tantas contas durante a prova."

Entre as provas, Português foi a única considerada “difícil” pelos professores. “Não dava para fazer no esquema de leitura e resposta, já que todas elas exigiam reflexão aprofundada do texto e do repertório do aluno”, diz Sérgio Henrique, do Objetivo. “Na prova de Literatura, como vem acontecendo há alguns anos, é cada vez mais necessário que o aluno, de fato, faça a experiência de leitura dos livros. Ouvir um comentário, ver um resumo, ver o enredo no Google... Isso não basta.” 

Professor de Biologia, Guilherme Francisco, também do Objetivo, destacou a ausência de perguntas envolvendo diretamente a pandemia. Para ele, a prova foi de “nível médio”, mas com algumas perguntas “bastante fáceis”. “Não teve nenhuma questão polêmica e nenhum contexto sobre a parte de coronavírus, diferentemente da Unicamp, que abordou o assunto”, diz. 

Por sua vez, História abordou assuntos como o Renascimento Cultural e política colonial brasileira. Também houve questões sobre totalitarismo, escravidão indígena, mulheres na política da Grécia Antiga e gripe espanhola. “(A questão foi) sem nenhum aspecto comparativo ao panorama atual (da pandemia)”, avalia o professor de História Alexandre Ceistutis, do Objetivo. “Pura e simplesmente uma reflexão em relação a dados obtidos por meio de tabelas e regiões de São Paulo afetadas pela doença.”

Geografia trouxe a polêmica envolvendo o acordo entre o Mercosul e a União Europeia e chegou a explorar o terremoto registrado neste ano na Bahia. A prova foi considerada “trabalhosa”, mas “sem nenhuma questão dificílima”.

Já Inglês exigiu vocabulário avançado e interpretação de três textos, entre eles uma letra de Bob Dylan sobre exploração de trabalho. De tema atual, outro texto falava de redes sociais e citava o TikTok. “O nível de dificuldade foi mantido em relação ao ano passado”, afirma o professor Aleksander Brunhara, do Objetivo.

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