Com novos concursos, governo paulista quer reduzir número de professores temporários em 70%

Secretaria da Educação do Estado também anunciou a ampliação da rede de ensino integral, que atenderá cerca de 53 mil alunos a partir de 2014

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

06 Setembro 2013 | 22h34

Com a previsão de concursos para contratar 59 mil professores na rede paulista de ensino até 2014, o governo do Estado pretende diminuir em 70% a quantidade de docentes temporários, que hoje somam 49 mil. “Quero concluir 2014 com grande parte dos professores do Estado já efetivos”, declarou o secretário estadual da Educação de São Paulo, Herman Voorwald, nesta sexta-feira, 6. De acordo com ele, deve diminuir para 15 mil o número de temporários no Estado.

Voorwald também destacou a realização de concurso para 20 mil vagas na rede estadual até novembro. Os outros 39 mil docentes serão contratados ao longo do ano que vem, mas não há data para as convocações. Segundo ele, não é possível eliminar a contratação de docentes sem estabilidade, uma vez que eles são encaminhados para substituir professores de férias ou em licença médica. Os contratados temporariamente também poderão participar do concurso da secretaria. Levantamento feito pelo Estado mostrou que o governo paulista tem dificuldades para manter docentes e cerca de 3 mil professores da rede paulista desistem das salas de aula anualmente.

Rede integral. O governo paulista também anunciou a convocação de 2 mil educadores para atuar nas escolas de regime integral, em que os alunos ficam mais de oito horas por dia no colégio, a partir de fevereiro de 2014. Para atrair esses profissionais, que já pertencem à rede do Estado, a Secretaria da Educação oferece bônus de 75% sobre o salário.

Apesar da meta inicial de que o regime integral atingiria 300 escolas no ano que vem, apenas 178 unidades adotarão o sistema até o fim do mandato do governador Geraldo Alckmin. Segundo Voorwald, os professores que não forem chamados na primeira etapa podem ser convocados ao longo do ano que vem.

Hoje são 69 escolas com regime integral no ensino fundamental II e no ensino médio, em que os professores têm carga de 40 horas e dedicação exclusiva. Com a ampliação, cerca de 53 mil estudantes serão atendidos pelo sistema a partir do ano que vem. O governo do Estado também anunciou a ampliação do programa Vence, em que alunos podem fazer cursos técnicos simultaneamente ao ensino médio por meio de parcerias com instituições privadas.

Informática e enfermagem estão entre as áreas mais procuradas pelos estudantes no sistema, que atenderá o dobro de pessoas em 2014 – o número passará de 50 mil para 100 mil jovens. Com as matrículas no Centros de Estudos de Línguas do Estado, o governo paulista estima que o número de estudantes com jornada superior a oito horas passe de 419 mil para 596 mil no ano que vem.

Críticas. O anúncio da ampliação da escola em regime integral foi feito pelo secretário Voorwald, na companhia de Geraldo Alckmin, na Escola Estadual Jardim Nossa Senhora Aparecida II, na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo. Em percurso pelo colégio, o governador tirou fotos e apertou a mão de crianças. Mães de alunos reconheceram a demanda por uma nova unidade no bairro, mas fizeram ressalvas à obra, concluída em julho.

Mãe de um aluno de sete anos, Patrícia Moreira, de 28 anos, se queixa dos muros baixos, da falta de policiamento e do tráfego intenso na saída da escola, que fica em uma avenida íngreme e movimentada. “Os meninos não estão seguros na portaria. Além disso, uma pessoa pode entrar a qualquer momento”, reclama a manicure. A assessoria de imprensa da Secretaria da Educação informou que a obra ainda passará por ajustes finais e que já foi requisitado um plano de tráfego para facilitar a circulação das crianças na área.

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