Com novas regras, Fies dobra número de inscritos

Aumento da adesão agrada também às universidades, que têm no financiamento uma ferramenta de combate à inadimplência do setor

Ocimara Balmant, de O Estado de S. Paulo,

04 Julho 2012 | 21h07

No primeiro semestre deste ano, 176 mil universitários aderiram ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). A previsão é de que, até o fim de 2012, o número chegue a 250 mil, segundo estimativa do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp). Será um número 233% maior do que o registrado em 2010 – quando 75 mil pediram esse financiamento do governo para fazer um curso superior.

O aumento é resultado das novas regras do fundo – desde 2010, os juros caíram de 6,5% para 3,4% ao ano, a carência para início do pagamento cresceu de 12 para 18 meses após o término do curso e, para alguns casos, não há mais necessidade de fiador. E, se o incentivo é bom para os alunos, também faz bem ao caixa das universidades.

É que, além de o financiamento atrair novos alunos, ele traz segurança. Com o Fies, a universidade recebe os repasses diretamente do governo federal e não corre o risco da inadimplência, ainda alta no setor.

Segundo o Semesp, o índice de inadimplência em 2011 foi de 9,5%, acima dos 6% registrados em outros setores da economia.

“Além de ser alta, a instituição não pode interromper o serviço até o fim do contrato. Isso significa que, se o aluno apenas se matricular e não pagar nenhuma mensalidade, ele terá direito a frequentar as aulas o semestre todo. Daí esse empenho para que os estudantes tenham o Fies”, explica Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp.

Faça Fies

De olho nessa segurança, as instituições estão promovendo a adesão dos estudantes. O público-alvo são os universitários da classe C, gente com renda maior do que a aceita pelo Programa Universidade para Todos (Prouni), mas que ainda tem dificuldade para cumprir o pagamento das mensalidades.

No portal da Anhembi Morumbi, por exemplo, há a chamada para a campanha “Fies – Seu sonho, no tamanho da realidade de seu bolso!”.

A página sobre o assunto traz os principais benefícios do financiamento, como crédito aprovado em 20 dias e prazo estendido para pagamento. A informação foi assimilada. Na comparação do primeiro trimestre de 2012 com o mesmo período do ano passado, houve um aumento de 80% no número de adesões na Anhembi Morumbi.

“Montamos uma estrutura para receber e orientar os interessados. Com essa ferramenta, eles têm a possibilidade de optar por um curso tendo como principal objetivo a qualidade acadêmica, deixando o preço em segundo plano”, diz Eduardo Giestas, CEO da Universidade Anhembi Morumbi. Ele confirma que houve queda na inadimplência.

No site da Estácio de Sá, no link referente ao pagamento do Fies, o texto diz “depois do período de carência, você começa a pagar as mensalidades em suaves parcelas mensais”.

O Grupo Anhanguera criou o “Feirão Fies”. Nos campus, cartazes com o slogan “Com o Fies, tudo o que você quer cabe no orçamento” comparam os juros desse financiamento aos de outros, como o de veículos. O panfleto diz: “Os juros bem baixos ajudam você a estudar e ainda deixam o orçamento livre para viagem, livros ou prestação de carro”. O vice-presidente financeiro da instituição, José Augusto Teixeira, afirma que o feirão é uma forma de promover a educação financeira e a comparação com a prestação do carro facilita o entendimento. “Assumimos uma postura didática. Se falássemos usando termos como taxa nominal menor do que taxa de mercado, o aluno poderia não entender”, afirma.

A estratégia deu certo. Segundo dados da instituição, em um ano, cresceu em 762% o número de adesão da Anhanguera.

Para o diretor do Semesp, é uma estratégia certeira. “As instituições sabem que o seus grandes concorrentes são a concessionária, a TV a cabo e a operadora de celular.”

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