Evelson de Freitas/AE - 27/11/2009
Evelson de Freitas/AE - 27/11/2009

Com grife internacional

Para o presidente da Fundação Dom Cabral, Emerson de Almeida, MBA 100% brasileiro nem sempre dá retorno

Larissa Linder, Estadão.edu

30 Novembro 2010 | 00h51

Presidente da Fundação Dom Cabral, em Belo Horizonte, Emerson de Almeida viveu o começo da educação executiva no Brasil. Em entrevista, ele diz que acerta quem escolhe um MBA no País com alto grau de internacionalização.

 

Como começou a Fundação Dom Cabral (FDC) e a educação executiva no Brasil?

 

Ela surgiu com a demanda do mercado nos anos 70, quando o Brasil crescia a taxas chinesas de 10, 12 % ao ano, quando aqui em Minas implantaram a Fiat, quando a Usiminas duplica a produção de aço, etc. Na PUC, onde a FDC teve origem, esses cursos de especialização começaram a ter uma demanda imensa. Eram 30 vagas e apareciam 150 interessados. A universidade decidiu criar uma instituição independente, a FDC.

 

O que as empresas pedem hoje que não pediam antes?

 

Pedem assuntos que eram inexistentes, como sustentabilidade, governança corporativa, empreendedorismo.

 

O que executivos e empresas buscam atualmente?

 

Existe uma palavra chamada expatriação, que é como o executivo brasileiro se adapta numa cultura completamente diferente para servir a empresas brasileiras que estão cada vez mais presentes em outros mercados. Eles têm buscado isso.

 

E como fazer um MBA aqui pode ajudar nesse sentido?

 

Fazer um MBA tipicamente brasileiro, com conteúdo e forma voltados exclusivamente para a cultura brasileira, sendo empregado de uma empresa brasileira que está se ‘multinacionalizando’, é um investimento cujo retorno vai ser muito pequeno. Isso quer dizer que esse movimento tem obrigado as escolas a se tornar cada vez mais internacionais. Seja contratando professores de outros países, seja fazendo alianças com escolas do exterior, seja realizando programas de MBA e outros tipos de programa em conjunto com escolas internacionais com módulos no exterior. É a maneira correta de escolher um MBA no Brasil: identificar o grau de internacionalização da escola.

 

Há um momento adequado para fazer o primeiro MBA?

 

Em termos de idade eu diria que em torno de 28, 30 anos. Depois de uns cinco anos, mais ou menos, de experiência profissional. A pessoa já tem uma certa bagagem, sabe do que precisa.

 

O que o sr. acha da apropriação da grife MBA para cursos que não são exatamente MBA?

 

Houve uma banalização muito grande. No Brasil isso é gritante. Qualquer programa está sendo chamado de MBA. Isso tem causado uma confusão muito grande para as pessoas e empresas. E o governo não se posiciona sobre isso.

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