Juliana Diógenes/ Estadão
Juliana Diógenes/ Estadão

Com greve de professores, escolas particulares amanhecem de portas fechadas 

Em frente aos colégios, alunos protestam em apoio a docentes; segundo sindicato da categoria cerca de 3 mil professores de 32 escolas paralisaram as atividades nesta manhã

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

23 Maio 2018 | 09h22

Com a paralisação dos professores de escolas da rede privada de São Paulo, colégios paulistanos amanheceram de portões fechados nesta quarta-feira, 23. Somente funcionários da limpeza, manutenção e administração foram trabalhar em algumas unidades. Nas portas dos colégios, alunos se mobilizaram para manifestar apoio aos professores.

Há 15 anos a categoria não faz greve no Estado. Segundo o Sindicato dos Professores (Sinpro-SP), três mil docentes de pelo menos 32 escolas da capital cruzaram os braços. A categoria aprovou a medida após mais de dois meses de impasse para aprovar a convenção coletiva. O sindicato patronal, Sieeesp, propôs uma série de mudanças em direitos, como redução do recesso escolar do fim do ano e restrição das bolsas de estudos para filhos de professor.

A paralisação foi aprovada mesmo em escolas que anunciaram a manutenção desses benefícios, independentemente da convenção. Os professores dessas unidades dizem temer que, sem o documento, os direitos sejam cortados no futuro. 

Com o impasse na negociação, o Sinpro-SP, sindicato dos professores, recorreu à Justiça do Trabalho. Mas as duas audiências de conciliação terminaram sem acordo. Segundo o Sieeesp, a oferta de bolsas para filhos de professores tem impacto financeiro grande nas escolas menores e a redução do recesso é necessária para que haja mais tempo para formação continuada e atividades de planejamento. Os professores dizem não aceitar que os benefícios sejam mantidos só para algumas escolas e não sejam registrados na convenção. 

No Colégio Santa Cruz, em Alto de Pinheiros, na zona oeste, a sirene que anuncia o início e término das aulas tocou normalmente nesta quarta. Às 7h15, horário da primeira aula, o que se via no pátio, porém, não eram estudantes, mas funcionários que varriam a escola. O segurança informou ao Estado que não havia professores no local e que não apareceram pais tentando deixar os filhos no Colégio.

+++ Unicamp tem greve de funcionários por reajuste salarial

Os portões também estavam fechados na Escola Vera Cruz, também em Alto de Pinheiros. A porta do colégio só era aberta pelo vigia quando funcionários chegavam para trabalhar. 

Na mesma região, 30 alunos protestavam diante do Colégio Oswald de Andrade em apoio aos professores. Com faixas que pediam "respeito" aos docentes, em meio a batucadas em tambores e gritos, o ato foi organizado pelo grêmio estudantil. 

Uma das integrantes do grêmio, a aluna do 2° ano do Ensino Médio Marina Perpétuo, de 15 anos, disse que o protesto era principalmente contra a postura do Oswald de Andrade, que decidiu não fechar a escola e não apoiar a paralisação. "Nós do grêmio tivemos reunião com eles e ouvimos que era muito pouco para muito barulho", afirmou a estudante.

+++ Paralisação de professores divide pais de escolas particulares de São Paulo

Segundo os membros do grêmio, em assembleia realizada nesta terça-feira, 23, os alunos do Oswald votaram por unanimidade pelo apoio à greve dos docentes. Segundo Rosa Sampaio, de 16 anos, aluna do 2° ano, os pais da maioria dos alunos ficaram "revoltados" pela posição do colégio. "Três alunos chegaram a entrar, mas foram embora. Mas nós decidimos que os alunos não virão para ter aula", afirma Rosa.

Cerca de 60 alunos de outras três escolas (Santa Cruz, São Domingos e Equipe) protestaram às 8h30 nesta manhã em frente ao Colégio Dante Aleghieri, que manteve as aulas normalmente. No ato, o grupo pediu que os alunos do Dante saíssem da sala de aula e descessem até a entrada da escola em apoio ao protesto. Eles chegaram a ocupar a faixa de pedestres diante da escola. 

Os alunos seguiram para aulas públicas organizadas por professores em greve, na o Largo da Batata (10 horas), na zona oeste, com docentes do Colégio Santa Cruz, e no Largo Santa Cecília (10h30), na região central, com docentes do Equipe.

Os estudantes dos colégios particulares mantêm contato e trocam atualizações sobre os atos por mensagens nesta manhã. No grupo, eles informaram que houve mobilização de alunos em apoio aos professores nos colégios Móbile, Bandeirantes, Albert Einstein, Rainha da Paz, São Luís e Objetivo (na Avenida Paulista).

Em nota, o Sindicato dos Professores de São Paulo (SinproSP) informa, em balanço preliminar, que cerca de 3 mil professores de 32 escolas na cidade de São Paulo paralisaram as atividades nesta manhã de quarta-feira. 

Reivindicações. Três aulas públicas organizadas pelo sindicato dos professores reúne, desde às 10 da manhã, docentes de escolas particulares no Largo da Batata e na Praça Elis Regina (Butantã), na zona oeste, e no Largo Santa Cecília, na região central. Alunos, docentes e filhos de professores fazem um balanço sobre as atividades da primeira manhã de greve.

Os participantes discursam no microfone sobre as pautas de reivindicação, enquanto crianças pintam cartazes que serão usados no ato do fim da tarde desta quarta-feira, 23, no MASP. Após as aulas públicas, os professores seguirão para uma assembleia, marcada para às 14 horas e podem deliberar sobre greve a partir de 28 de maio. Um ato vai concentrar os professores no MASP a partir das 16 horas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.