Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Com casos de covid, sete escolas estaduais de SP fecham antes do retorno às aulas presenciais

Secretário estadual de Educação diz que não houve surto até agora, mas não descarta fechamento de outras unidades e turmas durante o processo de reabertura iniciado nesta segunda

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2021 | 11h37
Atualizado 10 de fevereiro de 2021 | 01h58

Sete escolas estaduais de São Paulo foram fechadas por casos de infecção por coronavírus antes mesmo de retomarem as aulas presenciais. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 8, pelo secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, que não detalhou o número de casos confirmados de covid-19.

Na semana passada, situação parecida ocorreu no interior paulista, quando ao menos três escolas privadas e uma pública de Campinas registraram casos de covid-19 após a retomada dos trabalhos presenciais, no fim de janeiro. A situação mais grave foi registrada no colégio Jaime Kratz, com 37 funcionários e cinco alunos infectados pelo coronavírus.

A rede estadual de ensino foi reaberta nesta segunda em São Paulo para aulas presenciais - no total, foram 4,5 mil escolas abertas (de 5,3 mil que fazem parte da rede). Segundo o governo, 516 municípios já autorizaram o retorno, mas há 129 que vetaram a volta das escolas estaduais. Nessas cidades, 800 escolas da rede estadual permanecem fechadas por falta de autorização. 

Na semana passada, as escolas começaram a reabrir para distribuição de merenda e planejamento dos professores. Um dos colégios fechados é a Escola Estadual Ermelino Matarazzo, na capital paulista, que teve duas infecções confirmadas e outras sete pessoas com sintomas. Esses funcionários estão sendo testados para que a escola seja liberada para reabrir.

"Que a gente possa afirmar, surto até agora não houve, mas estamos investigando todos os casos, fazendo testagem", disse o secretário Rossieli Soares, que não descarta a necessidade de eventualmente fechar turmas ou outras unidades durante o processo de reabertura. Rossieli acompanhou a reabertura da Escola Estadual Raul Antônio Fragoso, em Pirituba, zona norte de São Paulo na manhã desta segunda-feira, 8.

A volta às aulas na rede estadual ocorre em meio à segunda onda da pandemia de coronavírus e sofre pressão contrária de professores.

Escolas da rede estadual só receberão 35% dos estudantes nas primeiras semanas mesmo em cidades na fase amarela do plano estadual de flexibilização da quarentena, como a capital. Já as particulares nessas regiões podem receber até 70% dos alunos, se os prefeitos permitirem. 

O secretário disse que foi mantido o porcentual de 35% mesmo na fase amarela por uma questão de planejamento. "Optamos pela rede estadual com até 35% justamente porque a escola já tinha feito todo um planejamento, comunicado todas as famílias. Mantivemos aquilo que as escolas tinham planejado para dar estabilidade a esse retorno."

A Apeoesp, sindicatos dos professores da rede estadual, também apontou casos de contaminação pela covid nas escolas. Segundo o sindicato, relatos em 96 escolas indicam 206 casos confirmados da covid-19. Os docentes entraram em greve contra a volta às aulas em meio à pandemia e o governo pretende endurecer as medidas contra o sindicato para garantir a reabertura. 

Segundo Rossieli, os salários desses professores que não retornarem à escola serão descontados a partir desta segunda. O governo ainda estuda acionar a Justiça contra a greve dos docentes. Segundo a Secretaria Estadual da Educação, 5% dos professores faltaram nesta segunda. "Não tivemos nenhuma escola parada por causa de greve", disse Rossieli, pela manhã. 

De acordo com a Apeoesp, a greve teve adesão de 15% dos professores, mas o sindicato espera crescimento do movimento nos próximos dias. Ainda segundo a Apeoesp,  foi "baixíssima" a presença de estudantes, "em torno de 5%".  "Isto mostra que a sociedade está consciente dos riscos da reabertura das escolas neste contexto de grave pandemia", afirmou, por meio de nota. O governo estadual não apresentou balanço do número de alunos que foi à escola nesta segunda-feira. 

Aluno não é obrigado a ir à escola

Rossieli voltou a falar sobre a obrigatoriedade de retorno presencial à escola. Deliberação do Conselho Estadual da Educação homologada pelo secretário estipulava que cada aluno deveria cumprir 1/3 das aulas obrigatoriamente na escola a partir da fase amarela. 

Os pais da rede estadual, no entanto, não estão sendo obrigados a mandar os filhos, embora a capital e outras regiões já tenham avançado à fase amarela. Segundo Rossieli, o retorno será feito de forma opcional em um período que chamou de transição, de "duas a três semanas".

A volta obrigatória enfrenta resistência até mesmo de pais que faziam campanha pela reabertura de escolas, mas era defendida pelo secretário

Indagado sobre a não obrigatoriedade de presença especificamente em escolas particulares (que também são regidas pela deliberação do conselho), Rossieli disse que a deliberação do conselho também indica que podem ser feitas alterações nessa regra. 

"Entendemos que vai ter de ter uma espécie de tempo de transição, para que a escola possa se reorganizar e replanejar. Vamos fazer adaptações necessárias. Essa regra também deverá valer para escolas particulares."

Na sexta-feira, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Educação informou que a obrigatoriedade seria suspensa na fase amarela para todas as escolas, públicas e privadas. Depois, informou que a medida não seria formalizada em nenhuma publicação oficial. 

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