Gerson Oliveiira
Gerson Oliveiira

Com aulas em inglês, não aulas de inglês

Modalidade de ensino não deve se limitar à proficiência no outro idioma, mas também englobar a cultura do país

Luciana Alvarez, Especial para o Estado

29 Outubro 2017 | 03h00

A maioria dos pais deseja que os filhos aprendam bem inglês e, às vezes, outros idiomas estrangeiros. Na busca da fluência e pronúncias perfeitas, um número cada vez maior procura escolas bilíngues. “O número de escolas bilíngues vem crescendo muito no Brasil inteiro, mas esse é o movimento também mundial. A tecnologia acelerou a troca de informações e o mundo está mais interconectado”, afirma Antonieta Megale, coordenadora da pós-graduação em ensino bilíngue do Instituto Singularidades.

A proposta de uma escola bilíngue, contudo, deve ir além da proficiência no segundo idioma, porque isso qualquer curso extracurricular pode proporcionar ao aluno. O ensino bilíngue deve abarcar também a cultura de outro país. “A escola deve dar acesso a bens culturais, experiências”, diz Antonieta. 

Na hora de escolher uma escola, os pais não devem se limitar a decidir se querem ou não o ensino bilíngue. Deve-se pensar em todos os outros quesitos importantes para uma escola: localização, projeto pedagógico, filosofia, valores.

“Há escolas bilíngues que trabalham por projetos, estão menos preocupadas com o processo de sistematização. Outras são conteudistas, têm foco grande em exames de admissão em faculdades. A família tem de se perguntar se ela se reconhece naquela comunidade”, recomenda a professora do Singularidades.

Se a família investir em atividades nos momento de lazer que reforcem a importância do segundo idioma, os resultados podem ser ainda mais positivos. “Os pais proporcionarem outras vivências ajuda, mas não é imprescindível. É como a educação de forma geral: se a família promove atividades culturais, se lê para a criança, ela vai ter mais motivação na escola, já chega com mais vocabulário”, exemplifica Antonieta. 

Cultura. Para Mauritius von Dubnitz, diretor de relações teuto-brasileiras do Colégio Visconde de Porto Seguro, na zona sul de São Paulo, onde os alunos podem optar pelo currículo bilíngue, as famílias de fato buscam a instituição por motivos que vão bem além do idioma alemão. “As famílias têm um compromisso grande com a escola. Querem de fato que os filhos tenham contato com a cultura, os valores e os princípios alemães.” Em contrapartida, a escola oferece cursos de alemão para os pais, participação em festas típicas, o que os põe em contato com a tradição do país. 

Expansão. O ensino bilíngue pode ser benéfico para todo mundo, mas no Brasil, apesar da expansão, ainda são muito poucos os que têm acesso, pois é oferecido apenas por escolas particulares de alto custo. “É inegável que no mundo atual falar outra língua dá mais possibilidades. Seria interessante que todos tivessem a oportunidade. A luta deve ser para que o ensino bilíngue não seja tão excludente, para que todos que desejarem possam ter acesso”, defende Antonieta, do Singularidades.

ENTENDA A DIFERENÇA

Bilíngue: o colégio segue o currículo brasileiro, todas as determinações legais do Ministério da Educação (MEC), embora ofereça parte dos conteúdos aos alunos na segunda língua. Importante: escola bilíngue não é aula de inglês, mas aulas em inglês.

Internacional: tem o idioma estrangeiro como oficial e segue as normas educacionais do país de origem. Escolas americanas ou europeias iniciam o ano em setembro. Foram criadas para os filhos de estrangeiros, mas hoje a maioria dos alunos é de brasileiros.

 

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