Com alunos na série correta, Brasil subiria oito posições no Pisa, diz FGV

Diminuição da distorção idade/série ajudou País avançar, mas professor considera fator limitado

Guilherme Soares Dias, especial para o Estado,

06 Dezembro 2013 | 19h32

A evolução do Brasil nos últimos anos no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, em inglês) se deve em grande parte à correção da distorção idade/série. A avaliação é do coordenador do Centro de Microeconomia Aplicada da FGV, André Portela, que defende melhoria nas condições de ensino para continuidade da evolução. De acordo com ele, caso não houvesse mais alunos fora da série correta, o Brasil poderia estar hoje com pontuação 439 em Matemática, na 51.ª posição entre os 65 países avaliados. A análise leva em conta somente a pontuação dos alunos brasileiros do 2.º do Ensino Médio, que estão na série correta para a idade e obtiveram a melhor pontuação entre os avaliados. Considerando todos os estudantes, a pontuação do Brasil em Matemática é de 391, na 59.ª posição.

 

 Hoje, 37,1% dos estudantes que participaram do exame afirmaram ter repetido uma ou mais vezes. Em 2009, o índice chegava a 40,1%. A diminuição de alunos fora da série correta, de acordo com Portela, se deve a políticas públicas que inclui a entrada no ensino com 6 anos no 1.º ano do Ensino Fundamental. “Aumentou o número de estudantes que começam na idade correta e isso tem a ver com o aumento de alunos na educação infantil, que hoje chega a 30%”, disse o coordenador, em evento sobre análise dos dados realizado hoje.

 

Portela ressalta, no entanto, que a evolução causada pela redução da distorção idade/série tem limite. “Agora, o País precisa melhorar sala de aula, produtividade e eficiência do que é aprendido e ensinado para continuar avançando significativamente”, considera.

 

Para ele, outra parte representativa do aumento do aumento da nota se deve às melhorias das condições socioeconômicas e culturais das famílias dos estudantes. “As famílias melhoraram de condições, não foram as condições de ensino nas salas de aula”, reforça.

 

Outro fator que influencia no desempenho dos alunos é a escolaridade dos pais. “As oportunidades são muito restritas, por isso, o número de anos que os pais estudaram ajuda a prever quanto os filhos irão estudar, isso ocorre no mundo todo, mas aqui é mais forte”, avalia.

 

Já o vice-diretor de educação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Andreas Schleicher, ressaltou que as diferenças culturais de cada país avaliado ajudam a influenciar na nota obtida na avaliação. “Nos Estados Unidos, por exemplo, os alunos estudam duro. E a China consegue atrair os melhores professores e tem a educação com uma política, como um valor”, destaca.

 

Com relação ao Brasil, o vice-diretor da OCDE ressaltou que nenhum país viu tantos ganhos no desempenho de Matemática entre 2003 e 2012, quando saltou de 353 para 391 pontos no Pisa. “Com esse ritmo, o Brasil vai chegar ao patamar dos Estados Unidos (481 pontos) em 18 anos e a média dos países selecionado pela OCDE (494 pontos) em 21 anos”, diz.

 

Estados. Já as diferenças das notas entre as Unidades da Federação é 40% explicada, segundo o coordenador do Centro de Microeconomia Aplicada da FGV, pelas desigualdades econômicas. Ele destaca ainda que Mato Grosso do Sul, Paraíba e Espírito Santo, respectivamente, foram os Estados que mais surpreenderam positivamente entre a pontuação que era prevista para o Pisa e o resultado da avaliação.

 

Já Alagoas, Amazonas e Maranhão são os Estados que tiveram os resultados mais baixos do que o esperado. “Essas expectativas em relação ao desempenho levam em conta o Produto Interno Bruto (PIB) per capita e o que os Estados investem em educação. O que vem além ou aquém disso pode ser explicado pela qualidade do sistema educacional”, afirma.

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