'Com alta procura, exame tem desafio de manter credibilidade'

Leia a análise de Luciana Constantino

O Estado de S. Paulo

19 Julho 2010 | 00h29

"Passados 12 anos desde que foi criado, o Enem se consolida como um instrumento de avaliação. Nasceu com o objetivo de oferecer uma possibilidade de autoavaliação dos alunos e como alternativa ao processo seletivo de universidades.

 

Começa em 1998 com 157,2 mil inscritos e vê, três anos depois, esse número crescer para 1,624 milhão, justamente quando os alunos carentes ficam isentos da taxa de inscrição e a internet é inserida nesse processo.

 

Um novo salto vem em 2005, com a nota da prova se transformando em porta de entrada para o Universidade Para Todos (ProUni). O programa distribui bolsas de estudo para alunos carentes em instituições de ensino superior particulares. Naquele ano, o Enem registrou 3 milhões de inscritos. São as notas de 2005 que servem de base para, pela primeira vez, o MEC divulgar o desempenho por escolas, como faz agora.

 

Com isso, o exame é usado também para medir a contribuição da escola na qualidade do ensino por meio do desempenho de seus alunos.

 

De lá para cá, mesmo voluntário, o Enem vem batendo recordes de procura, com os 4,147 milhões de inscrições em 2009.

 

Ganhou novas funções: a de criar uma referência nacional para aperfeiçoar currículos do ensino médio e ser um mecanismo único ou complementar dos processos seletivos de universidades, especialmente das federais.

 

Além disso, a nota poderá ser usada para obter o certificado de conclusão da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

 

Com todo esse gigantismo, a prova passa a ser alvo de possíveis fraudes, assim como são os concursos. Exemplo foi o que aconteceu no ano passado, com a tentativa de vazamento, noticiada pelo Estado. Um dos desafios agora é conseguir dar segurança a esse processo para que o exame mantenha a credibilidade.

 

Ao longo de sua história, o Enem convidou o aluno a pensar e a relacionar temas, não aceitando apenas fórmulas decoradas.

 

Selecionou os melhores entre os mais bem preparados, independentemente de estudarem na rede pública ou particular.

 

Daqui para frente, a questão é saber se ele será capaz de provocar um debate em torno do ensino médio que promova mudanças nessa etapa tão carente de qualidade. Ou se haverá a necessidade de um foco menos amplo para obter o que se espera. O processo de decisão demandará transparência e participação da sociedade para que, daqui a 12 anos, não tenhamos de repetir notícias relatando que o ensino médio melhora em ritmo lento, mas não o suficiente para atingir níveis de países desenvolvidos."

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