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Escolas particulares vão participar de olimpíada de Matemática das públicas

Inclusão visa a melhorar o ensino da disciplina, diz Instituto de Matemática Pura e Aplicada; mudança ocorrerá a partir do ano que vem

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

21 Julho 2016 | 03h00
Atualizado 21 Julho 2016 | 10h48

Alunos das escolas particulares poderão se inscrever em 2017 na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), maior competição do gênero do País, que reúne 18 milhões de estudantes e está na 12ª edição. A intenção é utilizar o campeonato como forma de melhorar o ensino da Matemática também nas escolas pagas. “Há grande heterogeneidade nas escolas particulares. A grande maioria (delas) é bem fraca (no ensino matemático)”, afirmou o diretor adjunto do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e coordenador da Obmep, Claudio Landim.

A participação dos alunos das particulares ocorrerá a partir do ano que vem. Uma das discussões é como evitar que os premiados sejam todos estudantes de instituições pagas mais conhecidas. “Estamos estudando se vamos oferecer ou não formação aos alunos das escolas particulares. Ainda não temos respostas. Até o fim de setembro ou outubro isso estará acertado”, disse Landim.

Também não foi decidido como será a premiação. Uma proposta é que os alunos das escolas pagas sejam incluídos na categoria “seletivas”, aquelas em que há provas de seleção para o ingresso, como os colégios militares, de aplicação e institutos federais, e para as quais há limite de medalhas.

“Minha inclinação pessoal é que no primeiro ano a premiação ocorra separadamente da escola pública, para compreendermos melhor o desempenho das particulares nas provas”, afirmou.

Landim espera ao menos 2 milhões de inscritos, o que deverá elevar o orçamento da Obmep de R$ 52 milhões para R$ 55 milhões. “Nosso projeto é crescer. Está claro que educação é prioridade. A Obmep já virou programa de Estado, não de governo. Não estou temeroso com a crise financeira e o contingenciamento. Pode ser que o nosso orçamento sofra pequenas flutuações, mas a Obmep corre pouco risco”, afirmou.

Anualmente, 6,5 mil alunos recebem medalhas da Obmep - 500 de ouro, 1,5 mil de prata e 4,5 mil de bronze. Todos eles ingressam no Programa de Iniciação Científica (PIC), passam a ser orientados nos estudos e ganham bolsa de R$ 100 mensais.

Até o ano passado, a orientação era feita por um professor universitário. A partir deste ano, foi criado o programa Obmep na Escola, em que 900 professores da rede básica e 400 alunos de licenciatura são preparados por professores universitários para que possam aplicar nas escolas o programa de ensino da matemática criado pelo Impa. Eles ganham bolsa de R$ 765. Cerca de 30 mil alunos serão beneficiados - entre eles, os medalhistas.

“Nosso desafio é formar esses professores do ensino básico. Eles vão utilizar materiais que não são os usualmente ensinados nas escolas, entra dedução matemática, geometria. O foco do PIC era apenas no aluno medalhista, que tinha aulas presenciais apenas uma vez por mês. Esse é um desafio completamente diferente, que vai alcançar 30 mil alunos, que terão aulas presenciais semanais”, afirmou Landim.

A Obmep também passará a aceitar alunos dos 4.º e 5.º anos do ensino fundamental - hoje a prova começa com estudantes do 6.º ano. “Todos têm noção clara de que, quanto mais cedo forma os alunos, maior o impacto. Na correção das provas, percebe-se que a grande dificuldade do aluno é compreender o enunciado do problema. Eles têm deficiência na leitura, que tem papel enorme na resolução do problema. Se pegar alunos ainda menores, ajudaremos ainda mais na formação deles”, disse Landim. O ingresso dos alunos menores está previsto para 2018 por causa do impacto no orçamento.

O Impa e a Sociedade Brasileira de Matemática também organizam a Olimpíada Brasileira da Matemática, que seleciona alunos das escolas públicas e particulares para representar o País nas olimpíadas internacionais. Essa competição será mantida.

 

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