Gus Mantovani/Produção Multimídia da Escola Móbile
Gus Mantovani/Produção Multimídia da Escola Móbile

Colégios particulares incentivam ensino superior fora do Brasil

Dentro da escola, alunos já dispõem de informação para decidir se querem fazer graduação no exterior

Guilherme Guerra, especial para o Estado

30 Outubro 2018 | 06h00

SÃO PAULO - Fazer graduação fora do Brasil é cada vez mais comum para os alunos de escolas particulares. Seja pela alta concorrência nos vestibulares tradicionais dentro do País, seja pelas portas abertas por universidades estrangeiras, os adolescentes veem o cenário no exterior como mais uma opção para iniciar a carreira.

O estudante de Psicologia da Universidade de San Diego, na Califórnia, nos Estados Unidos, Henrique Passos Alvalá conta que optou pelo exterior por dois motivos: conquistar independência e ser desafiado intelectualmente pelo aprendizado em outra língua em uma universidade de ponta. “Por isso, decidi vir. Conhecer novas pessoas e viver novas experiências”, diz o ex-aluno do Colégio Visconde de Porto Seguro, em São Paulo.

Outro fator para a escolha é a abrangência curricular que universidades americanas oferecem. A vestibulanda Maria Victoria Poluppu, estudante do 3.º ano do ensino médio na Escola Móbile, na capital paulista, se inscreveu para cursar Engenharia Aeroespacial em universidades americanas, que, na maior parte, oferecem disciplinas de cultura geral em todas as graduações. Ou seja, para cursar Engenharia, além de fazer disciplinas como Mecânica Orbital, ela terá de aprender também História da Arte.

“É um dos motivos pelos quais eu estou indo para fora (do País)”, afirma Maria Victoria, empolgada com a possibilidade de ter uma formação mais ampla. “No Brasil, até tem essa oportunidade, mas é mais difícil do que lá fora”, explica a aluna.

Contato

Nesses casos, a ajuda do colégio é essencial para fazer a ponte entre um país e outro. De acordo com a diretora pedagógica do Porto Seguro, Silmara Rascalha Casadei, enquanto os pequenos do ensino infantil fazem videoconferências internacionais para aprender a se comunicar, os mais velhos participam de viagens internacionais para conhecer universidades da Alemanha e dos Estados Unidos. 

“O interesse dos pais é por formação de excelência que alie conhecimento com a experiência de morar longe, com o ganho de cultura estrangeira e com a possibilidade de um aluno fazer uma universidade com currículos mais abertos”, afirma o coordenador do programa Estudar Fora, da Escola Móbile, Blaidi Sant’Anna.

Apoio

Sant’Anna promove palestras com universidades estrangeiras e, para dar dicas de igual para igual, reúne ex-alunos que hoje estudam fora com os atuais estudantes interessados. O coordenador atua como conselheiro particular de cada um, esclarecendo as etapas do processo seletivo estrangeiro, preparando cartas de recomendação e ajudando com a papelada de inscrição, que pode custar em torno de R$ 1 mil, sem contar matrícula e mensalidade, caso o jovem seja aprovado.

Isabela Florio, atualmente cursando o último ano do ensino médio na Móbile, sabe que não são baixos os custos do processo seletivo, por isso ela fez as aplicações por conta própria, assim evita gastos com conselheiros.

A estudante quer fazer Cinema na New York City University, cuja mensalidade atinge os US$ 50 mil dólares anuais (aproximadamente R$ 15 mil por mês), porque “eles ensinam do jeito que eu quero aprender”: aliando teoria com a prática em um mercado muito maior que o brasileiro. Hoje, ela aguarda para saber se foi aprovada ou não.

“Meus pais só me deixaram aplicar a uma vaga para fora se eu garantisse meu lugar aqui”, conta Isabela. No meio deste ano, a aluna prestou vestibular na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) e foi aprovada. Como a faculdade em São Paulo permite que o aprovado segure a matrícula por até um semestre, ela aguarda uma resposta da New York City University. “Se eu não conseguir nada lá, tenho meu lugar aqui”, comemora Isabela.

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DEPOIMENTO: ‘Pode ser um processo cansativo, mas vale’

'O conselho que eu dou para todo mundo que pensa em estudar fora é: corra atrás para fazer o que realmente quer'

Lucas Yoshida, estuda Economia na University of California, nos Estados Unidos

30 Outubro 2018 | 07h00

“Estudar fora sempre foi uma possibilidade para mim. Percebi que seria bacana porque sou uma pessoa com diversos interesses, nunca olhei para uma área específica e me identifiquei apenas com aquilo.

Aqui fora nós temos a oportunidade de transitar por diferentes áreas até descobrir o que realmente queremos estudar. Apesar de estar cursando Economia, eu posso trocar para um curso de Psicologia, por exemplo, sem muitas burocracias.

Meus pais também foram essenciais nessa história. Eles que me puseram em contato com o mundo de estudar fora, pois sempre acreditaram que isso abriria muitas portas, então foram parceiros em todo o processo.

O Colégio Bandeirantes foi outro apoio fundamental que eu tive, tanto diretamente, com orientações sobre a aplicação, quanto de forma indireta, por meio das atividades extracurriculares que me ajudaram a entender melhor meus interesses e a construir um currículo completo.

Histórico

Digo isso porque o processo de estudar em universidade estrangeira vai muito além de uma prova. Nós também somos avaliados por entrevistas, redações, atividades no ensino médio e interesses pessoais. O processo seletivo envolve um olhar muito completo sobre os estudantes e isso é outro ponto que me levou a escolher estudar aqui.

Também é legal contar que é normal sentir inseguranças em relação ao idioma e à cultura no início. Mesmo assim, o conselho que eu dou para todo mundo que pensa em estudar fora é: corra atrás para fazer o que realmente quer! Pode ser um processo longo e cansativo, mas vale a pena. Passei mais de dois anos focado nisso, mas consegui conquistar a faculdade dos meus sonhos.”

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