Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Colégio oferece a estudante opção de trabalho no exterior

Aluno de 16 anos ficou em uma indústria na Alemanha e afirma que conseguiu conectar o conteúdo a sua experiência profissional

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

16 Novembro 2015 | 03h00

Atualizado às 07h40

SÃO PAULO - A experiência do estágio ainda no ensino médio pode ser mais radical do que trocar o endereço da escola pelo da empresa por uma temporada. Em alguns colégios particulares de São Paulo, estudantes têm a oportunidade de trabalhar até em companhias fora do País.

Foi o caso de Fernando Bilfinger, de 16 anos, aluno do ensino médio da Escola Suíço-Brasileira, no Alto da Boa Vista, na zona sul da capital. O adolescente viajou neste ano para trabalhar durante pouco mais de um mês em uma indústria na Alemanha, da área de refratários.

“No início, estava assustado, mas a questão do idioma foi bem menos difícil do que eu imaginava. Podia não saber falar exatamente ‘reação química’, mas acabávamos nos entendendo”, diz ele, que passou por vários departamentos da empresa. Dependendo do local, Bilfinger tinha de se enquadrar nas recomendações técnicas, como o uso de luvas, por exemplo.

Um dos preferidos foi o setor produtivo da companhia. “Foi interessante conhecer todo o processo. Nós tivemos a chance de usar espectrômetros e o forno. Também nos deixaram calibrar máquinas”, relembra Bilfinger, entusiasmado.

Interessado na área de exatas, ele ainda conseguiu conectar a rotina da produção com o conteúdo do colégio. “Muitos eram conceitos de Química e Física que aprendemos em aula. Mas é bem mais legal quando vemos aquilo funcionando no mundo, de verdade”, conta ele, que pretende fazer faculdade de Engenharia. 

O aprendizado no exterior também se estendeu para outras disciplinas. “Percebi que minha fluência em alemão aumentou muito nesse período”, afirma Bilfinger, que viajou com um colega. Antes, o jovem nunca havia tido qualquer vivência profissional.

Autonomia. Os estágios internacionais são oferecidos aos alunos da Escola Suíço-Brasileira, mas a maioria das vagas é para o Brasil, explica o diretor, Marcel Brunner. Mais importante do que a escolha da carreira, o objetivo da atividade é propiciar uma imersão no mundo corporativo e o desenvolvimento da independência do estudante. “É responsabilidade do aluno correr atrás dessa vaga de estágio”, afirma.

São eles próprios que enviam e-mails para diretores de empresas e buscam oportunidades onde desejam trabalhar. Quando há dificuldades, a direção indica uma empresa parceira. Nos meses anteriores ao estágio, também há um semestre de preparação.

“Pela primeira vez, o jovem sai da escola, sua zona de conforto. Ele vai se deslocar sozinho, pegar ônibus, cumprir horários. Ele aprende a lidar com desafios, frustrações”, diz Brunner.

Outro desafio, segundo ele, é concluir o estágio mesmo quando se decepciona com a experiência nos primeiros dias. “Neste caso, o aprendizado é: quando se começa uma coisa, leva-se até o fim”, diz. “Às vezes, a expectativa é mais alta do que aquilo que a empresa consegue entregar”, afirma. 

O programa existe no colégio desde a década de 1980. O próprio diretor estagiou, quando aluno da escola, no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. “Isso me marcou positivamente”, diz.

Sintonizada com as demandas do mercado atual, a escola também investe em discussões sobre empreendedorismo. Uma das propostas é que os alunos montem uma empresa fictícia, com definição de produto e distribuição de cargos e tarefas.

Escolha dificultada. Com o mercado cada vez mais complexo e segmentado, o adolescente não conhece todas as possibilidades de trabalho. “Há uma diversidade de carreiras e também de encaminhamentos em uma mesma profissão”, diz Regina Sônia do Nascimento, especialista em orientação vocacional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

“De todo modo, vale a pena o contato com a realidade profissional no ensino médio”, afirma. Na escolha da profissão, segundo Regina, é importante o jovem traçar um projeto de vida. “Ele deve estabelecer quais são seus valores e objetivos.”

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