José Florêncio
José Florêncio

Colégio de elite de SP se manifesta contra 'grande festa' de alunos no fim de semana

Segundo o Dante Alighieri, aglomerações comprometem a presença de estudantes pelo risco de contaminação; no Bandeirantes, quem participar de evento terá de cumprir 'quarentena obrigatória'

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2021 | 20h45

Duas escolas particulares tradicionais de São Paulo enviaram comunicados às famílias manifestando preocupação com a participação de estudantes em eventos fora do colégio. Segundo o Dante Alighieri, na região central de São Paulo, uma "grande festa" entre estudantes está marcada para o próximo fim de semana. O Bandeirantes, na mesma região, decidiu colocar em "quarentena obrigatória" alunos que participarem de um evento esportivo com bebidas alcoólicas marcado para esta sexta-feira, 6.  

As aglomerações entre jovens aumentam os riscos de infecção pelo coronavírus e podem comprometer a abertura das escolas. Os colégios começaram o segundo semestre letivo nesta semana, com o aval para receber 100% dos alunos. A presença de estudantes nas escolas particulares foi elevada.  

Segundo o comunicado do Dante, foram realizados encontros e festas fora da escola "sem o devido distanciamento e sem o uso de máscara", o que, de acordo com o colégio, "compromete a presença dos alunos pelo risco de contaminação existente". A escola diz ter tomado conhecimento de uma grande festa, com a participação de estudantes de diversos colégios, no próximo fim de semana. 

"Convidamos as famílias a fazer uma reflexão sobre o papel de cada um na permanência da escola aberta", continua o comunicado. Nesta semana, o colégio suspendeu a ida presencial de algumas turmas após infecções pelo coronavírus entre alunos. O protocolo de colocar em quarentena colegas que tiveram contato com o aluno infectado é a medida recomendada para evitar a transmissão dentro da escola. À reportagem, o colégio informou que sempre pede atenção das famílias a quaisquer sintomas da covid-19.

Um comunicado enviado aos pais do Colégio Bandeirantes informa que alguns alunos do ensino médio organizaram um evento esportivo nesta sexta-feira, 6, com a oferta de bebidas alcoólicas. A festa não tem participação da direção nem conta com a presença de funcionários. Segundo o colégio, a realização do evento "coloca em risco todo o trabalho de prevenção e biossegurança implantado no Band". 

Por essa razão, continua o colégio, os alunos identificados como participantes do evento não poderão comparecer à aulas por dez dias, "cumprindo quarentena obrigatória". A escola explica aos pais que o local do evento é informado aos jovens pelo WhatsApp apenas na última hora, justamente com o objetivo de evitar fiscalizações.   

Festas e eventos com aglomerações continuam proibidos em São Paulo. Na pandemia, eventos clandestinos usaram as redes sociais para driblar a vigilância. Especialistas têm alertado que a reabertura de escolas durante a pandemia pode ser segura desde que os protocolos de distanciamento, uso de máscaras e ventilação dos ambientes sejam seguidos à risca. Mas o comportamento das famílias fora do colégio dificulta o controle pelas escolas. 

Apesar da vacinação na capital paulista, o vírus continua circulando e há o avanço da variante Delta, considerada mais transmissível. Por isso, medidas de proteção, como evitar aglomerações e usar máscaras, continuam sendo recomendadas neste momento. 

A retomada das aulas presenciais é uma demanda das próprias escolas, de parte dos pais e de especialistas em Educação, que veem prejuízos à aprendizagem com as aulas remotas. Nesta semana, segundo levantamento do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino (Sieeesp), que representa as escolas particulares, a frequência de alunos chegou a 80%. 

Na rede pública estadual e nas escolas municipais de São Paulo, a frequência de alunos nesta semana ficou na faixa de 60%. As escolas públicas também podem receber 100% dos alunos, desde que seja respeitado o distanciamento de um metro entre eles. 

Na prática, porém, só um quarto das escolas estaduais tem estrutura física para receber a totalidade dos estudantes. Em parte das escolas municipais, há rodízio entre dois grupos de estudantes, e as creches só podem receber 60% das crianças matriculadas.

Variante Delta avança, e aulas no Rio são suspensas

No Rio, o governo suspendeu as aulas presenciais na rede estadual na capital fluminense para a próxima semana por causa de uma piora nos índices de transmissão da covid-19. Além da capital, outras 35 cidades do Estado não poderão oferecer ensino presencial pelo menos até a próxima sexta-feira.

O secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz, informou que o Ministério da Saúde atrasou novamente a entrega de vacinas à cidade. O lote que estava previsto para ser entregue na noite de quinta não chegou, e a promessa passou a ser de que ele seria entregue na noite desta sexta.

 

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