Coisas que queria saber aos 21: Zezé Motta

Cantora e atriz conta que para fazer teatro pai a obrigou a estudar algo que desse um plano B; decidiu, então, cursar secretariado

Estadão.edu

25 Novembro 2014 | 03h00

Tablado, no Rio, em plena época da ditadura. Minha peça de estreia foi nada mais nada menos que Roda Viva, escrita pelo Chico Buarque e dirigida pelo Zé Celso (José Celso Martinez Corrêa).

Imagine só, eu, estreante, jovem de tudo, e já atuando em uma peça daquele calibre. Quando viemos para São Paulo encenar Roda Viva, o Teatro Ruth Escobar foi invadido pelo Comando de Caça aos Comunistas, o CCC, e eu estava lá. Foi uma correria. Marília Pêra, que também fazia parte do elenco, me lembrou recentemente que naquele dia me viu do lado de fora do teatro, ainda vestida com o figurino da peça, toda preocupada, telefonando para minha mãe de um orelhão para dizer que eu estava bem. Não tinha a menor noção que o CCC poderia nos perseguir do lado de fora do teatro. Já estreei apanhando (risos).

Meu pai só me deixou estudar teatro sob uma condição: deveria fazer, paralelamente, um curso que me desse uma outra profissão, um plano B, caso minha carreira de atriz não fosse para frente. Por isso, levei o teatro com um curso de secretariado, do qual logo desisti, porque sempre levava bomba em taquigrafia.

Mudei, então, para contabilidade e, embora tenha me formado, nunca fui buscar o diploma, pois já estava iniciando minha carreira artística. Portanto, hoje sou atriz, cantora e contadora!

Já o meu talento para cantar quem descobriu foi meu pai, que tocava em um grupo de chorinho. Eu sempre ouvi música em casa, desde que estava na barriga da minha mãe. Ainda adolescente, eu a ajudava no seu ateliê de costura e o rádio ficava sempre ligado. Ouvia excelentes cantoras, como Marlene e Ellen de Lima.

Conseguia guardar rapidinho as letras e volta e meia cantava para o meu pai, mostrando as novidades que ouvia. Aí, ele um dia disse: “Você tem boa memória, boa voz e bom ouvido”. E, como ele também era músico e tocava nas noites, passei a ajudá-lo a cifrar as músicas - eu cantava, ele cifrava. Ele não precisava gastar com cifras e eu virei cantora./DEPOIMENTO A TÂNIA RABELLO, ESPECIAL PARA ESTADÃO.EDU

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