Everton Ballardin/Divulgação
Everton Ballardin/Divulgação

Coisas que eu queria saber aos 21: Vivek Wadwha

Guru indiano na área de inovação e VP da Singularity fala sobre formação

Estadão.edu,

27 Março 2012 | 01h30

"Aos 21 anos, meu sonho era escrever linguagem de computador. Estudava muito, mas não acreditava que se podia de fato ganhar dinheiro fazendo aquilo, era tão divertido. Estava na Austrália, mas sempre sonhei em ir para os Estados Unidos. Meu pai estava lá quando eu era criança e meu sonho era voltar a esse país onde todas as coisas mágicas acontecem. Então, mesmo tendo virado cidadão australiano aos 24, 25 anos, quando meu pai foi transferido para Nova York pedi demissão do emprego, arrumei as malas e me mudei para lá.

 

Entrei na indústria de tecnologia, fazendo programação, até chegar ao banco First Boston. Era bom em tecnologia, tão avançada que a IBM nos propôs criar uma nova companhia. Tinha 33 anos em 1990 quando criamos a Seer Technologies e me tornei vice-presidente executivo. Saímos do zero para receitas de US$ 200 milhões em cinco anos. Com cinco anos e meio abrimos o capital e eu estava no topo do mundo.

 

Eu peguei o bicho do empreendedorismo. Depois que abrimos o capital a coisa perdeu a graça. Começar uma empresa é divertido. Estar numa empresa de capital aberto é entediante. Comecei uma outra companhia, a Relativity Technologies. Ela também decolou, até que a bolha da internet explodiu em 2000. Achava que minha empresa era especial, que conseguiríamos continuar crescendo. Continuei com o pé no acelerador, mas foi um grande erro. Com a companhia em apuros, trabalhei duro durante um ano para consertar as coisas e consegui. Não dávamos lucro, mas eu estava buscando taxas de crescimento de 200%.

 

 

Peguei uma semana de férias. E tive um ataque cardíaco. Acordei e tudo estava em colapso ao meu redor. Investidores estavam tentando roubar a empresa, os médicos não tinham certeza se eu iria sobreviver. Num determinado estágio, parecia que minha empresa iria se valorizar até valer US$ 1 bilhão. Saí do topo do mundo para o fundo do poço.

 

Sobrevivi, saí do hospital, enfrentei algumas batalhas com investidores, e aí tive de decidir o que faria da vida. Estava cheio da corrida estéril pela tecnologia. Se pudesse ter virado um ermitão, teria ido para o Himalaia. Então minha mulher disse: “Por que você não vira acadêmico? Você sempre quis ensinar.”

 

Decidi começar a dar aulas e dar uma retribuição ao mundo, pela educação. Entrei na Universidade Duke e mais tarde Harvard ofereceu uma posição. Um tempo depois, quis ir para a Califórnia e consegui uma bolsa em Berkeley. Mesmo eu sendo um rebelde agora, que queria se afastar do mundo da tecnologia, o Vale do Silício me sugou. Comecei a pesquisar o que faz do Vale do Silício o que ele é, como funcionam sistemas de inovação, estudei imigração. Fiquei mais famoso como acadêmico que como empreendedor. E aí aconteceu de eu ir à Singularity University. Percebi que todas as minhas premissas sobre tecnologia estavam erradas. Achava que a inovação tinha chegado a um pico. Mas percebi lá que não sabia muita coisa sobre o futuro da tecnologia, sobre todos esses avanços que vão mudar o mundo.

 

É por isso que eu sou tão apaixonado pela Singularity e quero continuar lá ensinando pelo resto da vida. Mas, voltando aos 21 anos: como eu poderia imaginar que viraria professor em seis universidades americanas (Duke, Harvard, Berkeley, Stanford, Emory e Singularity)? Nunca, nem em meus sonhos mais delirantes."

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