Daniel Teixeira
Daniel Teixeira

Coisas que eu queria saber aos 21: Rolando Boldrin

Ator, cantor e apresentador do ‘Sr. Brasil’, na TV Cultura, fala sobre sonhos e realizações de sua juventude

30 Janeiro 2014 | 01h41

Aos 21 anos já haviam me legado o direito de voar de forma acrobática pela vida. Já era "de maior" mesmo, numa época em que mesmo tendo 18 a gente ainda não estava pronto. Faltava servir a pátria, ficar em paz com a nação e completar os 21. Só aí, virava homem.

Eita tempinho bom, mesmo sendo de família bem pobre e numerosa do interior. Tinha ficado para trás a experiência de estar aquartelado, em 1954. Agora, podia fazer de um tudo.

Também havia o sonho sério e bonito de virar artista profissional, acalentado desde os 7 anos no interior, quando cantava em dupla e batucava sambas de breque nos bares. Foi nesse tempo, em 1958, a proeza de entrar pelos fios, chegar ao tubo da TV e mostrar a cara.

Deixara para traz as bancas de sapateiro e os serviços de frentista e de garçom. Era tudo ou nada. E veio tudo. Os testes para ator na TV Tupi, as figurações nos teatros televisivos, as aventuras de espadachins, as caretas nos humorísticos e o primeiro contrato. E, se era para mostrar a cara, tinha de fazer de tudo: compor, cantar modas, tocar violão, gravar discos, fazer teatro, cinema, novelas. E o melhor: contar causos e mostrar que a música brasileira não é só feita de samba.

Está aí o Sr. Brasil, da TV Cultura, como estiveram por mais de 30 anos outros sons do Brasil, do meu Brasil que gosto de cantar e contar. É por isso que hoje, aos 77 anos, ouso escrever roteiro para um documentário chamado História de Amar o Brasil".

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