Divulgação
Divulgação

Coisas que eu queria saber aos 21: Rodrigo Borges

Cofundador e vice-presidente de Business Affairs do Buscapé fala do desafio que foi se formar na faculdade de engenharia

30 Julho 2012 | 20h07

A opção por Engenharia no vestibular foi natural para mim, que sempre gostei mais das matérias de Exatas no colégio. E fiz Elétrica por influência do meu pai, engenheiro elétrico. Passei na USP, Unesp e Unicamp e optei pela Poli. Só não imaginava que teria de estudar tanta matemática. Para não ficar bitolado, no segundo ano da faculdade eu e os colegas com quem acabaria criando o Buscapé, Romero Rodrigues e Ronaldo Morita, resolvemos cursar algumas matérias na FEA, como ouvintes. Queríamos saber mais de administração, mercado financeiro e marketing de varejo, hoje algo diretamente relacionado às nossas atividades na empresa.

Fui um dos poucos alunos de Elétrica que preferiram a ênfase em Computação. Desde adolescente eu usava computador. Meu pai viajava muito para o exterior e trazia novidades para casa. Lembro de ter feito um curso de Basic e passar o sábado inteiro programando um jogo de forca para brincar no domingo. Só na Poli é que aprendi outras linguagens. Eu me interessei ainda mais pela área quando entrei no Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores (Larc) da Poli – junto com Romero e Ronaldo.

No primeiro projeto tivemos de mapear a rede da Fapesp. Enquanto fazíamos as coisas do Larc, surgiu a ideia de criar nossa própria empresa. Pensamos em uma importadora de produtos de automação residencial – aqueles equipamentos para controlar janela, som, etc, a distância. Chegamos a montar uma startup para desenvolver softwares.

A ideia do Buscapé surgiu em 98. Eu estava procurando na internet uma loja para comprar uma impressora e tive dificuldade para encontrar informações como preço e especificações técnicas. Daí pensamos em criar um site para concentrar lojas onde as pessoas pudessem achar informações sobre diferentes produtos. Primeiro, pedimos às empresas uma planilha com dados de todos os produtos. Ninguém nos atendeu. Então passamos um ano desenvolvendo um programa para entrar nos sites e consolidar as informações. Foi quando Mario Letelier entrou como sócio para cuidar da parte administrativa.

A gente estudava de manhã, trabalhava no Larc à tarde e programava de madrugada. Entrávamos na web à meia-noite, para pagar só um pulso telefônico, e ficávamos até as 6 da manhã. Lançamos o Buscapé em meados de 99, já como uma ferramenta para comparação de preço – agora que tínhamos o valor de todos os produtos, ficou fácil. Recebemos aportes financeiros e trancamos a faculdade. Era a época da bolha da internet, havia muita empresa surgindo e grandes investimentos sendo feitos. A gente trabalhava muito, chegava a dormir no escritório. O maior projeto de engenharia que fizemos foi conseguir terminar o curso. Um de nós ia para cada matéria e passava o assunto para os outros. Funcionou.

Hoje é difícil ver engenheiros recém-formados ou ainda na faculdade empreendendo. Com uma economia aquecida, é complicado abrir mão de um salário de R$ 5 mil como trainee para começar um negócio do zero, trabalhando muito e ganhando pouco. Fora o risco de ser empreendedor. Por outro lado, abrir uma startup de tecnologia está mais fácil. Há mais ferramentas e infraestrutura e o ecossistema do empreendedorismo evoluiu bastante. O e-commerce movimenta muito dinheiro. Quem quer entrar nesse mercado deve ser criativo e flexível, sem esquecer que onde há mais oportunidades, há mais competição.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.