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Coisas que eu queria saber aos 21: Karen Worcman, fundadora do Museu da Pessoa

'O museu e a minha vida são muito misturados. Me joguei de corpo e alma', diz a diretora da instituição

Bárbara Ferreira Santos, O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2014 | 03h00

Aos 21 anos eu estava entrando na faculdade de História na Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio. Tinha ficado dois anos fora do Brasil – viajei para a França, morei em Nova York e passei um período em Cuba. Trabalhei em locais variados, de restaurantes a plantação de uvas, estudei, fiz curso de dança e muitos amigos.

Voltei com a firme convicção de que poderia morar em qualquer lugar do mundo. Foram dois anos que valeram por dez. Difícil foi voltar... Fiquei com muita sede de conhecer o mundo e saquei que existia tanta coisa além daquelas que conheci até os meus 18 anos. Mas, ao mesmo tempo em que foi maravilhoso conhecer o mundo e saber que eu me virava, voltar para o dia a dia foi agoniante.

Fiquei uns dois anos angustiada. Não queria mais morar na casa da minha mãe. Queria arrumar dinheiro, dar um salto na vida. Fui viver com amigos em uma vila no Catete, no Rio. Eu me formei em 1987 e fiz mestrado em Linguística, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Acabei trabalhando com história oral e a ideia do museu veio muito tempo depois, quando tinha 28 ou 29 anos. Levou mais dez anos para o projeto se concretizar.

Mudei para São Paulo com a ideia de fazer o Museu da Pessoa. Aqui, construí oportunidades, batalhei muito e encontrei um grupo de cinco pessoas que me ajudou a fundar o museu, em 1991. Em 1994 realizei o primeiro grande trabalho.

Vinte anos depois, o museu tem 17 mil histórias de vida e um acervo de mais de 70 mil fotos. Continuo com a mesma crença de quando comecei: se a gente olhar a história de vida de cada um como um patrimônio, um tesouro, ela muda o nosso jeito de viver. A gente para de julgar o outro e acreditar que só nós temos a verdade. Conhecer uma nova história de vida é das melhores viagens – é tão rico quanto viajar para a França ou o Amapá.

Acho um privilégio ter seguido um caminho em que parte do trabalho é ouvir. Se você também quer traçar o seu próprio caminho, tem de acreditar, estar disposto a dar a vida e o coração. Não pode desistir. O mundo não tem o dever de reconhecer nada, você é quem tem de fazer. Sem a menor dúvida valeu a pena toda essa trajetória. E está valendo.

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