PAULO GIANDALIA/AE
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Coisas que eu queria saber aos 21 - Danilo Miranda

Em 1964, eu tinha 21 anos e era seminarista em Itaici, perto de Campinas. Era um momento em que sonhos de transformações sociais eram fortes. Sentia um compromisso com a melhoria da vida, da sociedade, que obviamente tinha a ver com o quadro político. Preferi seguir o caminho religioso para contribuir com as mudanças. Sempre vi a religião como uma maneira de atuar servindo aos outros.

26 Julho 2011 | 00h00

Em março daquele ano, estava recolhido no seminário quando recebi a notícia de que tinha havido uma revolução. Quando soube quem eram os líderes daquele processo, pensei que aquilo não era revolução, mas contrarrevolução.

A elite intelectual e os sindicalistas protestavam, além de estudantes secundaristas. Mas uma parte da juventude curtia o momento de outra maneira, ouvindo Jovem Guarda, frequentando a Rua Augusta. E outra parcela estava envolvida com a direita. Lembro como se fosse hoje do conflito entre alunos da USP e do Mackenzie, na Rua Maria Antônia, em 68. Vi arruaça, correria, gente nos prédios do Mackenzie dando tiros para baixo. Terrível.

A Igreja voltava seus olhos para a pobreza na América Latina, África e Ásia. Acabaram as missas em latim e a instituição se modernizou. Aos 24 anos, decidi sair do seminário. Dos 34 que entraram comigo, só um ficou. Mas não deixei a Igreja por uma paixão. O celibato não era uma questão, não era o maior dos meus motivos.

Saí do seminário onde estudava Filosofia e procurei o curso de Ciências Sociais da Faculdade Anchieta, no Colégio São Luís. Na mesma época, prestei concurso para o Sesc e passei. A instituição chamava minha atenção porque tinha compromisso acentuado com o outro. Houve um encontro dos meus ideais e o lado profissional.

Comecei a trabalhar na unidade da Rua Doutor Vila Nova, na Consolação. Depois, cursei uma especialização em Administração de RH na PUC e depois outra para Diretores de RH, na FGV.

Acredito que o compromisso com o público, com caráter educativo, verdade, ética, tem de ultrapassar o lado público no País. Sou um vigoroso defensor e chato cobrador dessa perspectiva. Por outro lado, não tenho a visão de que tudo antigamente era melhor, aquela coisa saudosista. Tudo está dentro de um processo.”

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