Ze Paulo Cardeal/TV Globo
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Coisas que eu queria saber aos 21

O apresentador de TV Serginho Groissman fala sobre sua formação

Estadão.edu

28 Março 2011 | 22h34

"Aos 21, eu estava no 3.º período de Direito na PUC-SP. Era um tempo de muita leitura, muito cinema e também de uma  repressão muito dura.

 

Entrei em um grupo de estudos que se debruçava em livros de esquerda, mas o coordenador era tão stalinista que larguei depois de dois meses. O  Direito, eu também abandonei. Larguei em um dia de jogo do Corinthians. Me despedi dos colegas deixando meu telefone anotado na lousa e fui para o Pacaembu.

 

Nesse mesmo ano, 1971, eu me preparava para fazer Jornalismo e era coordenador das atividades culturais do cursinho  pré-vestibular do Colégio Equipe, onde trabalhei por dez anos. Passava o dia todo lá, estudando de manhã e cuidando de ações culturais à  tarde. Tive a oportunidade de organizar shows de Gil, Jorge Mautner, Caetano, Gal, Cartola. Ia buscar Walter Franco de fusca branco. Era muito legal buscar  um ídolo e levá-lo para algo que você estava construindo.

 

Fiz boas amizades com gente interessante, como o fotógrafo Bob Wolfenson, o cineasta Cacá Rosset e o humorista José Simão. Mais tarde, em 1975,  apareceram os Titãs, muito amigos até hoje.

 

Achava que o mundo poderia ser transformado. Que o poder seria tomado pela população, pelo movimento estudantil organizado. Com o AI-5, em 69,  isso acabou, os anos 70 foram de muito medo. Entre os alunos do cursinho também tinha muita gente na clandestinidade. Não era raro ver a Polícia Civil e o  Dops aparecerem lá... Muita gente foi presa e voltava contando histórias horríveis.

 

O Equipe chegou a ser chamado de um lugar de resistência cultural. Até hoje não sei por que os shows nunca foram censurados. Eu passava filmes do  Buñuel, Fellini, Glauber Rocha, Eisenstein. Até o Luís Carlos Prestes esteve lá num debate. O diretor do Equipe me mandou ter cuidado, eu tremia de medo o  dia todo.

 

Acabei entrando em Jornalismo na Faap, mas demorei seis anos para me formar. Sabia muito pouco sobre a vida. Acho bom não saber aos 21 anos o que sei hoje. Foi bom ter uma ingenuidade e ter aprendido."

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