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Coisas que eu queria saber aos 21

Maria Thereza Fraga Rocco, coordenadora da Fuvest

O Estado de S. Paulo

25 Outubro 2010 | 21h40

"Tudo aconteceu cedo na minha vida. Aos 21 anos, estava casada, grávida e já era formada. Entrei com 16 anos na faculdade, fiz Letras na USP, naquela época podia entrar cedo. Já formada, dava aulas de português e francês em vários lugares, como a Escola de Aplicação da USP e escolas públicas.

 

Engraçado que éramos 12 pessoas na Letras, mas não houve aquela coisa de turma. Tenho contato com um ou outro.

 

O francês é paixão antiga. Antes de entrar na faculdade, fiz Aliança Francesa e fui para Paris. Fiquei um tempo lá e voltei umas 15 vezes. Sou apaixonada por Paris, pela cultura e pela língua. Gosto de andar pela cidade, achar aquelas inscrições: ‘Aqui morou fulano de tal.’

 

O que mudou um pouco o rumo da minha vida foi a viuvez precoce. Estava com 22 anos e tinha acabado de me mudar para São José do Rio Preto, onde dava aulas de língua e literatura francesa na Faculdade de Filosofia – hoje, parte da Unesp. Não tinha um ano de casada e meu marido morreu num acidente de carro. Voltei para a casa de meus pais em São Paulo, com um bebê de 1 mês no colo.

 

Era 1965 e voltei a dar aulas, de português e francês, na Aplicação da USP. Logo depois, fui convidada a dar aulas na própria USP. Na verdade, já era professora voluntária, mas fiz o concurso para Letras e, oficialmente, comecei a ser professora da universidade em 1971.

 

O clima das aulas era bom, eu era menina, muito jovem. A repressão, para mim, estava fora. Eu era meio louquinha: como a classe era grande, eu subdividia, por minha conta. Então, dava 4 horas a mais de aula.

 

Minha paixão pela Fuvest aconteceu bem depois – mas antes de eu entrar na fundação. Defendi meu doutorado sobre as redações da Fuvest. Fichei, analisei e vi 1.500, para ver como o pessoal escrevia. Meu vínculo institucional veio em 2001. Agora sou diretora há dois anos. Eu amo de paixão.

 

Adoro textos, redações dos meninos. E eles estão escrevendo melhor, nos últimos cinco anos. Brinco que quero ser esses meninos quando crescer!

 

Fui precoce, mas fiz tudo que precisava. Hoje tem muitas coisas que sei que não sabia naquela época. Mas também não sabia que ficaria sabendo outras coisas.

 

Naquela época eu me achava o máximo, conhecia muito língua portuguesa. Trabalhava feito louca, mas gostava muito do que fazia."

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